Luiz Geraldo Mazza
Mimetismo oportunista
Descobrir semelhanças entre o camaleão e os políticos é um silogismo e, mais do que isso, a própria lógica. Observe-se a maioria deles e vejamos em quantas legendas andaram. Vejamos também a alternância dos seus discursos. Há oportunismos, no entanto, que podem se tornar explosivos como essa decisão da coligação dita de esquerda (esse é um tema altamente questionável), de tirar a cor vermelha dos seus dísticos, obviamente a pretexto de evitar analogia com o MST, a única e verdadeira força de oposição deste país.
Publicitário e marqueteiro pesam mais hoje - e isso não se dá apenas no Brasil - do que um doutrinador, razão pela qual se transformam em alquimistas do processo com seus pretensiosos códigos. Os semiólogos, que afinal são os mais habilitados a opinar, não devem ter sido ouvidos para que tal decisão se tornasse imperativa. Como tirar o vermelho, ainda mais quando se sugere que a coligação está à ‘‘esquerda’’ do processo? Há toda uma cultura vinculada a isso, inclusive na Internacional Socialista, e parece que apenas o MST, por sua característica de cidadania ativa e radical, pretendendo agora representar toda a gama de excluídos, tanto que convoca desempregados e favelados para as suas mobilizações, encarna essa postura de aberto confronto com a ordem.
Lula sabe que além do MST, os argumentos fósseis de Brizola o ameaçam. Tanto que nem deveria surpreender-se com a subida nas pesquisas de FHC, que não se deram apenas no Ibope, mas também no DataFolha. Tirar o vermelho de quem se auto-proclama de esquerda é como afastar o preto do fascismo.
O mimetismo na vida como na política ou no cotidiano das pessoas é de fato inevitável: a mocinha do trotoar que usa a roupa de um colégio é um desses sinais para tornar-se mais desejável; a própria massificação da roupa dos nossos grunges, com tudo o que tem de uniformizadora quando busca justamente a diferença e o contraste, é outra evidência. Aliás, o vermelho é forte, marcante, para fixar presença na massa de um estádio ou de um comício. A idéia de retirá-lo como signo é apenas fraqueza de caráter e oportunismo porque o MST é um dos braços - em que pese sua proclamada autonomia - do PT, e estará vinculado à campanha, queiram ou não os pasteurizadores. O que tirará votos de Lula não apenas na burguesia progressista como também entre os pobres, que têm mais respeito pela propriedade do que os ricos.


AXIOMA
É maldade de oposição, mas como charge é genial: Faxinal do Céu, a Universidade do Professor, chamada de ‘‘vaginal do céu’’. Coisa do PMDB em momento de altíssima criatividade e de maldade corrosiva



GLOSA Se o governador fosse Ney Braga, Requião, Álvaro Dias ou Canet Júnior, os empreiteiros teriam ‘‘peito’’ de questionar a baixa do pedágio? Dificilmente, porque nenhum deles autorizaria, ainda mais em ano eleitoral, a inovação. Se o fizessem não admitiriam a hostilidade.
BIZARRICE Deputado, candidato à reeleição, guardou seu carro importado, último tipo, na garagem para fazer o gênero ‘‘franciscano’’ em campanha eleitoral. Luis Alberto Dalcanalle, ex-deputado e ex-presidente da Assembléia, fazia o contrário: ia, como trabalhista, com seu carro de alta cilindragem nas favelas e quando perguntavam por que o fazia respondia que esperava aumentar no povo a indignação e o desejo de revolução. Era uma ironia, bem feitinha.
SPRAY O desembargador aposentado Abraão Miguel, no passado do grupo acyolista e deputado estadual, vai ser uma espécie de assessor do presidente do TJ nas relações ‘‘interpoderes’’. - Abraão foi deputado por Astorga e já chegou a ser cogitado, anteriormente, para ser secretário de Segurança. - O deputado federal Luis Carlos Hauly, percebendo que ia dar confusão entre o seu número e o do seu concorrente, José Janene, tomou a providência elementar: trocou-o de 4511 para 4515. - O incidente do Graciosa Country Club vai ter desdobramentos na justiça: os dois sócios, que quase foram expulsos acusados da prática de atos libidinosos no campo de golfe, processam a instituição por danos morais. - Anos passados, o Graciosa teve um prejuízo tremendo porque servidores do bar e do restaurante, arrendados, provaram vínculo empregatício numa ação trabalhista e quase ‘‘quebraram’’ a associação. - A notícia de que o ex-governador de Sergipe está processando o Banestado estourou como uma ‘‘bomba’’: não apenas João Alves teve negócios com a Leasing, via Osvaldo Santos, como também, o seu genro, José Edivan Amorim, com múltiplos pepinos na mesma época e estes não honrados. - Ocorre que a diretoria do banco (e aí se suspeita de uma postura política) teria isentado João Alves de qualquer irregularidade e até de não ter dívidas. Com isso deram arma para a ação de perdas e danos. Como perdas e danos é uma especialidade em que o Banestado aparece como pós-graduado, isso já não assusta ninguém. Dá a impressão, como dizia Hamlet, que há método demais nessa loucura. - O ‘‘lobby’’ das empreiteiras deitou e rolou de sexta até ontem lançando contra-informação e tentando a batalha do terror por causa da decisão do governador de baixar o pedágio. - Uma dessas sacadas sugeria que haveria reação em outros estados pressionando governantes a baixar tarifas. Ocorre que isso não tem o menor fundamento, já que as tarifas delinquentes eram essencialmente as do Paraná. Não dá para compará-las com as do Rio de Janeiro, de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.
FILOSOFIA ‘‘Os homens avaliam as mulheres e as adquirem como esposas pela força dos seus aspectos puramente superficiais, o que é tão inteligente quanto avaliar um ovo pela casca...’’ Ainda Henry Louis Mencken. Mencken casou com a escritora Sara Haardt quando ela estava tuberculosa e só tinha mais três anos de vida; teve cinco, graças à sua dedicação. Ele, como diz o tradutor Ruy Castro, era capaz de sentimentos, ‘‘se não houvesse alguém olhando.’’
FOLCLORE Toni Garcia, de vez em quando, dá uns saques surpreendentes. Um deles foi quando disse que o pretendido por Álvaro Dias, a de faixa exclusiva sem adversário para concorrer à Câmara Alta, era mais honestamente resolvido pelo regime militar com o posto de senador biônico.
AFORÍSTICO A Internet, com essa história do casal que vai transar à vista de quem quiser, junta o intemporal: o pós-moderno, a tecnologia de ponta, e o retorno às cavernas. Tal qual o astronauta ao chegar à Lua disse que aquilo era a continuidade da luta que começara na caverna para dominar os elementos.

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