Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Censo e bom senso
Eu sou o caminho. O Lerner é o pedágio. Dizem que o senador Requião começa seus discursos com essa provocação. E poderá continuar a fazê-lo, mesmo com o governo baixando, de forma radical, o custo do pedágio. Ou ainda que insista na tese de que Requião, quando no governo, fez estudo sobre o pedágio e nas estradas estaduais, logo ele que se empenhou na ligação (federal) com Santa Catarina. Sobre isso, poderá contestar que não executou a medida como de resto afirmar, solenemente, que o Banestado quebrou nas mãos de Lerner.
Os primeiros entendimentos para a equação que permitirá a revisão tarifária do pedágio já foram estabelecidos entre concessionários e poder concedente. É mais um jogo de xadrez do que uma queda de braços: os fundamentos são bastante precários na parte econométrica. Joga-se com horizontes abstratos e inexiste qualquer firmeza nos cálculos.
Ficou, no entanto, assentado o princípio de que a cobrança é necessária, pois o Estado, falido, não tem como atender essa demanda, ainda que se faça aquele discurso inócuo de que o contribuinte já pagou a estrada. As restrições aos valores são generalizadas e não há como contestá-las à simples analogia com serviços equivalentes no Brasil e no exterior.
Tabuladas as queixas não apenas de transportadores, mas de comerciantes e industriais e do público em geral, que usa veículo de passeio, Jaime Lerner descobriria facilmente que estava dando aos adversários uma arma fatal. Sem ter feito o censo, chegou ao bom senso de que a revisão era inevitável.
Vamos a ela, para que o assunto não se transforme em valor político de primeira grandeza e que acabe monopolizando o divisor de águas da campanha que todos esperavam que se fixasse na tal transformação da economia com o governo mostrando seus aspectos positivos e a oposição acentuando os negativos. Neste caso, embora a demora, Lerner acertou.
BIZARRICE
Os fracos e oprimidos, que tanto o governo como a oposição dizem defender, são tão falsos quanto os frascos e comprimidos que andam por aí
AXIOMA Só está faltando um caso de incesto na novela Torre de Babel para evidenciar que a Globo tentou trazer para o horário nobre, de forma a mais pasteurizada possível e o glamour indispensável, parte do background dos esquetes do concorrente Ratinho. Atores cuspindo no chão, a mocinha puxando a calcinha por cima da saia, o pai transando com a nora e com ela tendo um filho. Enfim um melodrama da pesada, mundo cão.
Tudo em nome do realismo, que não se confunde com naturalismo, para atender as imposições oscilantes do Ibope. Percebe-se com isso que o decantado padrão Globo - o melhor disponível - se rendeu à força da comunicação do Ratinho que não pode ser subestimado, como fazem crer pretensos intelectuais. É o id, em linguagem psicanalítica, das dramatizações da realidade.
GLOSA Vocês já notaram que falidos da iniciativa privada são os que aparecem com maior destaque nas campanhas eleitorais e no serviço público ditando cátedra como se ninguém soubesse de suas respectivas trajetórias? O pior é que são levados a sério: quebram empresas e botam banca de sábios executivos, quando não passam de meros executados.
OS SEM Curitiba e o Paraná conheceram nestes dias os sem-peixes, pescadores de Guaíra, dedicados à captura do cascudo-preto, e que pedem indenização por causa das explosões (construção da ponte) pela mortandade dos espécimes e sua contaminação.
Outro dia, na Bolívia, apareceu um toureiro, paramentado, mas decalço, protestando contra a falta de corridas e de touros. Os sem-touros. Na França, durante a Copa, o Ratinho mostrou a passeata dos sem-papéis, etnias que vivem em Paris e agora ameaçadas de expulsão por falta de documentos.
Temos ainda os sem-terra, os mais famosos, os sem-túmulo, os sem-emprego, e também os sem-vergonha, grupo constituído em maioria pelos políticos.
SPRAY Inepar recebe hoje em São Paulo o Prêmio Imagem Empresarial da Gazeta Mercantil, e seu dirigente, Atilano de Oms, recebe o título de Líder Empresarial Nacional do Setor Eletromecânico. - Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a Inepar foi a empresa que mais cresceu no Brasil em 97 e a Revista Amanhã, publicação gaúcha, incluiu-a na 5ª colocação entre os maiores grupos empresariais do Paraná. - Por falar em economia paranaense, o Mercosul já é o terceiro parceiro de nosso Estado: em 97 absorveu 10,8% das vendas externas, ficando atrás da União Européia (47,3%) e da Ásia (14,6%). - Bancários devem fazer o possível e o impossível para preservar ermpregos. Podem ganhar algumas batalhas, mas perdem a guerra, a não ser que retorne a inflação. - É justa a luta para não fazer as concessões desejadas pelo Banestado (corte de horas-extras), mas um banco, obrigado a tomar no interbancário mais de meio milhão de reais por dia, não tem opções se não a dos cortes (R$ 4,6 milhões ao mês) no item referido ou, então, a despedida em massa. - Nos contratos coletivos, o banco fez concessões indevidas (próprias a bancos públicos e fora de controle) em termos assistenciais e agora se vê obrigado a negociá-las, uma a uma. É o doloroso começo da operação de saneamento. - Espera-se também a execução exemplar dos devedores, sem o que o sacrifício dos trabalhadores será apenas sacanagem. - A circunstância de um dos gestores do Banestado, que mais prejuízos deu por atuação temerária e fraudulenta na Leasing, ter sido promovido a secretário de Esporte é algo que não dá para engolir, menos assimilável que Zagallo.
FOLCLORE O prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli, reassumiu ontem, depois de ficar 15 dias na França acompanhando a Copa do Mundo. Seu vice Márcio Nunes não assumiu porque é candidato a deputado estadual pelo PTB, em dobradinha com Rubens Bueno para federal. Tauillo quer compensar a decepção na Copa com o feito na cozinha: o Carneiro no Buraco, a festa popular da cidade. Na França ele viu o canarinho no buraco. Com gosto inferior ao de carneiro.
CROMO A morte deu uma distraída,// ela foi pro Sul// e eu fui pro Norte. Do poeta e andarilho Batista de Pilar, figura popular da praça.
AFORÍSTICO O casal virgem que vai dar a primeira diante da Internet pode mudar o nome da rede para Intermet.





