Luiz Geraldo Mazza
Lula-Briza na praça
A oposição começa pelo Paraná a sua fase mais agressiva de campanha. Há, no entanto, uma notícia brochante para as suas expectativas: o Ibope mostrou que a distância entre Fernando Henrique e Lula mais do que dobrou e que isso lhe garantiria a vitória tranquila no primeiro turno. Neste fim de semana em Curitiba e Londrina, estimulados com a presença de Requião, o derradeiro eleitor de oposição porque Álvaro Dias, mais forte, está com FHC e Lerner, o maior de todos, idem.
Uma simples soma dessas variáveis, mais o sentimento de hostilidade a Lula, no interior especialmente, e que se torna maior quando acoplado a Brizola, mostrará que essa presença no Paraná fortalece justamente os que dela não participam e que concorrem a eleições majoritárias, o governador e o candidato ao Senado.
A fase mais negativa de FHC passou e deixa, portanto, de contaminar com esse dado sombrio seus aliados. Ao revés, a oposição sofre, como vaso comunicante, a queda da chapa presidencial. E aí é que o senador Roberto Requião, sempre muito cauteloso com as pesquisas, como o demonstrou na campanha de Álvaro Dias ao ‘‘cristianizá-lo’’ para que não o afetasse com a rejeição, precisa ver a forma de calibrar o seu discurso e ver até que ponto lhe será conveniente dar destaque a temas nacionais quando precisa ocupar-se dos regionais, como já o demonstrou nos encontros a partir de Ponta Grossa.
Há uma ofensiva da parte do governo federal que tenderá a melhorar ainda mais a performance presidencial, a não ser que ocorra uma catástrofe que pode ser desde uma convulsão nas bolsas asiáticas até uma (indesejável) derrota na Copa do Mundo para a qual não temos o espírito preparado e que poderia afetar o povo de um modo geral não apenas em seu ânimo, mas até na auto-estima, sempre sob risco quando esse símbolo de afirmação, o futebol, está em jogo.
A oposição, no caso regional, conta com a capacidade incrível do governo em promover trapalhadas (como as da montagem da chapa, uma opereta bufa) e criar fatos negativos como a praga do pedágio que Requião já começou a explorar e que acumulará energia se novas manifestações ocorrerem, como as de ontem, nas praças de cobrança. O ar imperial, majestático, do governo, nesse caso, só pode ser alterado sob pressão o que combinado com o ano eleitoral é fogo.


APELIDO
O macaco Simão disse que pelas olheiras que tem o ministro José Serra deveria ser da pasta da ‘‘doença’’ e não da ‘‘saúde’’. Um mais radical ainda o apontou como o mordomo de Drácula.



AXIOMA carta de solidariedade a Paulo Pimentel do advogado Osman de Oliveira tem um ponto mortal quando lembra que Lerner atribuiu ao seu hoje aliado informal (amigo ou inimigo secreto?) o massacre das professorinhas. Imaginaram os mestres, de roupa preta, dando as costas para Lerner, como agiram diante de Álvaro Dias, em todos os comícios?
GLOSA José Carlos Mendes esteve exilado na Holanda e fez amigos por lá. Depois da vitória do Brasil mandou mensagem, via Internet, para um deles, sugerindo que tínhamos chupado a ‘‘laranja’’. No dia seguinte a resposta: como o ABN Bank comprou 40% das ações do Banco Real, o amigo holandês perguntava ironicamente: afinal quem é o ‘‘laranja’’? Nossa laranjice no sistema bancário não pode ser subestimada: os estrangeiros detém 23% de participação.
BIZARRICE Depois que o ‘‘guru gorou’’, como disse o senador José Eduardo de Andrade Vieira, referindo-se aos ovos que não ‘‘pegam’’, Aníbal Khury sumiu do noticiário, o que é um drama para os setoristas da política. Vítima das trapalhadas, que ajudou a montar, Aníbal volta na segunda-feira, depois do final da Copa e da acomodação dos fatos do fim de semana com a vinda de Lula e Brizola e a ida de Lerner ao Norte Pioneiro.
SPRAY Com as operações de surpresa de ontem contra a cobrança do pedágio, ficou demonstrado que não há como defender-se adequadamente de situações como essa. Justamente isso animou os manifestantes a novos bloqueios que pretendem repetir, no mínimo, uma vez por semana. - O pior é que a Ecovia, desde os primeiros incidentes, revelou-se incompetente para informar o usuário e sugerir que procurasse caminho alternativo, o que seria, no mínimo, uma ação de relações públicas. Também os órgãos oficiais fracassaram nesse aspecto. - Há, no entanto, um fator a favor das empreiteiras: a revolta do usuário que não aceita o bloqueio e está disposto a pagar. - Se o governo não tem um sistema de ‘‘inteligência’’ para prever invasões de terras, como se viu na ocupação das agências do Banestado, não o terá também para evitar ações como essas. - De outro lado, se o governo for violento com o bloqueio de estradas quando nada faz, como regra, nas invasões de terras, mesmo das produtivas, pegará muito mal e acentuará um nível de comprometimento sério. - Além dessas ações, que ganham forte conotação política, ainda mais em ano eleitoral, agora mobilizando os donos de postos de combustíveis de Paranaguá, como se viu no bloqueio de ontem, haverá a batalha judicial. - Está havendo jogo de empurra na área oficial: o expediente pedindo corte de 50% nas tarifas do pedágio enviado a Lerner foi passado para o secretário dos Transportes, Heinz Hervig, e a falta de resposta desencadeou a medida radical ontem adotada. - Mais uma vez fica demonstrado que não houve comprovação econométrica e atuarial dos parâmetros adotados, pois se o governo liberou parcialmente as cargas agrícolas e baixou a tarifa dos reboques é porque não tem planilha confiável. - Campanha do Agasalho do Provopar conseguiu 55.620 cobertores e arrecadou mais de 1 milhão de peças de roupas em 104 municípios. - Polícia arma esquema para evitar abusos nas comemorações da final da Copa. Cautela especial com o Batel, onde se deram os tumultos de quatro anos atrás com saques a lojas e violência fora de controle. Seja qual for o resultado do jogo há risco.
FOLCLORE Por abstração, vamos imaginar quem teria dinheiro para aplicar em campanha eleitoral: os bancos, em maioria, estão na pior e se atracam no corsarismo das taxas que oscilam em até 500% de uma organização para outra; as empreiteiras também não vivem um bom momento, a não ser as que pegaram essa moleza do pedágio. Se baixarem as tarifas, como os transportadores desejam, a grana encurta e aí não há como garantir o suprimento para o fim nobre.
CROMO De repente um facho de luz na Redação: Fernanda Montenegro nos visita.
AFORÍSTICO Agora já dá para imaginar a chiadeira dos populistas contra o Ibope que deu FHC 42 contra 25 de Lula. Comemoração dos anos do Real seria insuficiente para a decolagem: o jeito é combater febre quebrando termômetro.

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