Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Primeiras impugnações
Campanha eleitoral é como jogo de vôlei e exige um juiz atento para cuidar da observância das regras. Como vai haver festa em Campo Largo, na inauguração da Chrysler, o que já deu um baita destaque para o Paraná como pólo automotivo nos jornais nacionais de ontem, é quase certo que a oposição tentará impugnar a presença do governador no oba-oba. A preocupação com a infringência de normas eleitorais é de tal ordem que o release oficial dizia que Jaime Lerner estará presente como convidado.
Interpretações extensivas dos textos virão como direito de defesa e fator de perturbação da campanha. Mário Covas, governador paulista, que decidiu se afastar do governo para tentar a reeleição, sofreu restrições da presença no Festival de Inverno de Campos do Jordão. Teremos um pleito cheio de incidentes mais ou menos semelhantes em nome da igualdade de oportunidades.
A vinda das montadoras deveria constituir-se no divisor de águas do processo pela circunstância de terem sido o vagão-chefe da mudança de perfil na economia paranaense, não mais dependente de São Paulo. À oposição restaria mostrar o lado perverso disso tudo: o risco de saturação próxima do mercado, como a conjuntura atual indica, o agravamento dos desníveis regionais internos e o lado discutível das concessões feitas, enquanto as empresas genuinamente paranaenses quebram ou são absorvidas.
E como uma espécie de aperitivo, a oposição vai criar um mini-incidente só para testar os nervos do sistema que já andam em pandarecos depois da sequência de trapalhadas pré e pós convenções. Aliás, como o governador vai se apresentar ao ato inaugural como convidado, seus adversários estão lembrando do título daquele filme Um convidado bem trapalhão, com Peter Sellers.
CROMO
Contra a Holanda, um Brasil quixotesco em luta com moinhos de vento.
AXIOMA Não é pequena a má vontade de alguns setores com Fernando Henrique Cardoso. Estão dizendo até que essas iniciais, FHC, indicam o resultado final da Copa do Mundo a saber França, Holanda e Croácia. Brasil em quarto, dizem os mal humorados, e FHC nos quintos dos infernos, conforme petistas xiitas. Veremos hoje se essa praga de urubu atinge quem a lançou.
GLOSA Primeiro descobriram um estudo do DER, no governo Requião, que pretendia implantar o pedágio em rodovias estaduais. Depois apareceu a xerox de uma sessão do Senado em que os senadores Roberto Requião e Osmar Dias aprovaram a lei que permite que o município, o estado ou Distrito Federal cobre pedágio.
Nada disso, porém, sejamos claros, torna ilegítima a luta contra a extorsão quanto aos parâmetros tarifários. Semana passada um rombo na rodovia de Ponta Grossa, Serra de São Luis do Purunã, provocou manifestação e bloqueio por mais de duas horas. Qualquer incidente destes pode ser a fagulha na pradaria, de que falava o venerável Mao-Tse-Tung.
BIZARRICE Rubinho Ferreira pintou ontem na TV Bandeirantes falando como líder do Clube dos Assaltados do Paraná. Dias passados Rubinho sugeriu que Onaireves Moura, esse para o qual estão pedindo a prisão como depositário infiel, poderia aparecer em programas de rádio e TV para ajudar Lerner. Não seria o primeiro enrolado com a justiça, pois o mesmo se dá com o secretário de Esportes e Turismo, Osvaldo Santos, que responde pelo estouro da Leasing.
SPRAY Também o secretário Miguel Salomão, do Planejamento, falava ontem da importância do início de operações da Chrysler, que desmoraliza a alegação oposicionista de que teríamos uma griffe e não uma fábrica. - No meio do papo, ele fez questão de dizer que a festa era da montadora e não do governo, o que revela preocupação com infringência da lei eleitoral. - A possibilidade de expansão desses investimentos, tanto o da Audi-Volks quanto o da Renault, parecem indicar a consolidação do pólo automotivo. - A escalada industrial do Paraná vai ser fator de primeira grandeza no projeto de reeleição de Jaime Lerner, como deu para perceber nos destaques nacionais de ontem em relação ao feito. - Igualmente o fato de estar havendo disseminação de indústrias por todo o Paraná neutraliza, ao menos em parte, o risco da concentração na Região Metropolitana. Se Requião, por exemplo, como eleitor forte da Grande Curitiba, resolver atacar esses empreendimentos vai perder votos, pois a maioria do povo é fascinada por esse tipo de industrialização e não está nem aí para a visão prospectiva e apocalíptica de que lá pelo ano 2020 haveria saturação do mercado com sobra de mais de 20 milhões de veículos. Uma vistoria eletrônica, bem feita, no Brasil, retiraria da frota mais de 17 milhões de veículos, verdadeiros fósseis mecânicos e uma ameaça à circulação nas cidades e estradas. - Depois do novo processo, que pede a prisão de Onaireves Rolim de Moura por seis meses como depositário infiel, virão outras: uma delas é a do bingo da Rui Barbosa em nome do Pinhais Esporte Clube, cuja sede, no processo é apontada como sendo na Avenida Vitor do Amaral, 1.930, onde funciona coincidentemente a Federação Paranaense de Futebol. Vai ser um cabo eleitoral e tanto para Jaime Lerner.
FOLCLORE 1 Ao saber que Aníbal Khury o apontou como o causador na confusão da chapa situacionista, o senador José Eduardo tascou: O guru gorou.
FOLCLORE 2 Para completar as artes, só falta agora o Tony Garcia, do PPB, que tanto era acenado por Álvaro Dias, ganhar a eleição senatorial como o voto de protesto. Muitos alvaristas, decepcionados com a desistência de disputar o governo, estão de tal forma revoltados que podem votar contra o ex-chefe.
AFORÍSTICO Talvez a qualidade mais valiosa que qualquer homem possa ter neste mundo seja um ar naturalmente superior, um talento para empinar o nariz com desprezo. A generalidade dos homens se impressiona e aceita isto como prova de um mérito legítimo. Portanto, basta desdenhá-los para ganhar o seu respeito. A estupidez e a covardia congênitas dos homens fazem com que eles se curvem a qualquer líder que apareça, e o sinal de liderança que reconhecem mais prontamente é aquele que se mostra externamente. Esta é a verdadeira explicação para a sobrevivência da monarquia, que sempre ressuscita depois de suas mortes sucessivas. Henry Louis Mencken, 1921.





