Luiz Geraldo Mazza
Saturação publicitária
O governo deve ter gasto perto de R$ 100 milhões até agora, neste exercício, provocando uma saturação jamais vista nos meios de comunicação, especialmente a televisão, como deu para perceber nos intervalos do ‘‘Fantástico’’. Batendo forte em ferro frio, percebe-se que Lerner não está com essa bola toda, ainda que tocando um inegável projeto de transformação do Paraná em que, em termos proporcionais, supera São Paulo na atração de investimentos externos.
Se para convencer as pessoas de que está no rumo certo, o governo precisa despender essa fortuna de pródigo em propaganda é o caso de a oposição questionar esse assunto com a maior profundidade. Se não o fizer, estará se omitindo em problema da maior grandeza. E essa denúncia não pode limitar-se a generalidades, mas detalhar todos os dados do problema para mostrar que isso, já de natureza um abuso, se torna delinquente num ano eleitoral.
É verdade que estamos chegando nos momentos finais desse oba-oba porque as proibições passam a vigorar a partir de hoje. Quem acompanhou a programação televisiva dos últimos dias, percebeu que o Palácio Iguaçu não está confiante na vitória, como dava a entender a algum tempo atrás: presume-se que há receio, com um traço paranóico, já que há todas as condições para a reeleição, diante do foguetório extremo de institucionais longos, caríssimos, no horário nobre.
A falta de isonomia, de igualdade de condições de disputa, ainda prevalece no sistema eleitoral brasileiro. É verdade que sempre foi assim e que, como estamos ainda nas dores do parto da democracia, sabemos o peso específico da máquina no processo eleitoral, mesmo com todas as proibições formais da lei em vigor. Além do mais o governo, como cliente privilegiado dos jornais, tevês e rádios, ainda tem a vantagem de continuar operando como grande produtor de notícias promocionais, o que, aliás, já faz como rotina.

GLOSA
O patético, por vezes, fica próximo da bufoneria com extravasamentos emocionais como o choro do filho de Zagallo, e o de Lerner na convenção do PFL. Um fundo musical de ópera ficaria bem funcional nas duas situações


AXIOMA Nem todos os efeitos perversos da cobrança do pedágio foram ainda identificados: há pequenas transportadoras, uma delas de Telêmaco Borba, que será obrigada a despedir nove funcionários em razão dos custos operacionais agravados com esse ônus na rotina da organização.
BIZARRICE O prefeito Élcio Berti, de Bocaiúva do Sul, corre o riso de ser cassado pela Câmara Municipal, não pela exposição da cidade ao ridículo pela segunda vez, mas pelo fato de haver viajado a Buenos Aires sem ter pedido licença ao Legislativo. Para a impotência há o Viagra que pretende distribuir. Já em relação à falta do senso do ridículo parece inexistir remédio eficaz.
ÉTICA Uma das questões de maior risco no Brasil é discutir ética na política. Quando o deputado Ibsen Pinheiro, à maneira de um jurisconsulto romano, um Ulpiano, na empostação da voz, no ar de dignidade ofendida, fazia o juiz do processo de ‘‘impeachment’’ de Collor de Mello, e que ajudou a levar a massa rebelada às ruas, jamais se poderia imaginar que estava atolado até o pescoço nas picaretagens reveladas, pouco depois, com a CPI do Orçamento.
Isso vem a propósito das denúncias do vereador pedetista de Paranavaí, Emilson Botéquio, ex-membro do PC do B, contra a direção do partido no Paraná, atribuindo-lhe falta grave no não pagamento de um arrendamento de ônibus. O PC do B contesta em nota oficial, afirmando que sua direção, em várias oportunidades, tentou uma solução para o problema da despesa e que irá inclusive processar o vereador.
O vereador de Paranavaí diz ter provas, inclusive fita gravada, do compromisso que dirigentes haviam firmado com ele, de que o ressarciriam dos dispêndios e que de um custo originário de R$ 2 mil, saltou para R$ 40 mil em função do acúmulo de juros e correção monetária.
Estranha-se que o vereador tenha deixado para esta época, pré-eleitoral, o ataque desferido contra o deputado Gomyde, que em 1994 era recém-filiado e não poderia, por isso mesmo, ser apontado como culpado pelo ocorrido. Emilson Batóquio alega, em sua defesa, que não vê outra oportunidade se não essa para não continuar com um prejuízo que o levou a indicar bens do seu pai à penhora.
O acusador diz ter provas e que as apresentará. O PC do B afirma o mesmo. Em jogo de pôquer é impossível todos blefarem ao mesmo tempo. A Justiça é a via mais indicada para os dois lados, já que as posições são inflexíveis. O PC do B estranha que um débito de menos de 928 cruzados chegue a R$ 30 mil, questão igualmente que só com perícia se resolve. Dirigentes estudantís e sindicais do Noroeste (Paranavaí, Maringá e Sarandi) estão firmando abaixo-assinado neste momento em defesa do vereador. É o que prometem. Como se vê, em situações como essa é que se percebe a inocuidade do alertamento de que mais vale um acordo do que uma boa demanda, ainda mais em fúria eleitoral.
SPRAY Mais 24 horas de suspense com relação ao PSDB: argumenta-se que entre os tucanos também há posições parecidas com o do Aníbal Khury, chamado de Dunga do Lerner por Hélio Teixeira. - Ocorre que há escassas condições para que o PSDB saia com candidato próprio, o que não impede que alguns setores façam pressão contra a aliança com o PFL, como especialmente o grupo ressentido das derrotas eleitorais. - Como o tempo se esgota hoje numa espécie de ‘‘morte súbita’’ da Copa do Mundo, houve queima de muita energia durante a noite de ontem e a madrugada de hoje, com muita contrainformação e boatos. - Num ponto Aníbal Khury tem razão contra o acordo informal com Álvaro Dias: o povo vai enojar-se com esse tipo de ajuste. Qualquer acomodação deveria ser feita sem aproximações físicas, que pegariam mal para os dois, exigindo o fundo musical já referido do ‘‘somos dois sem vergonhas em coisas de amor’’.
FOLCLORE É tempo de Copa do Mundo e muitos estão lamentando a saída da Nigéria e do Paraguai, embora tivesse sido dramática a perda do México. A Nigéria joga de uma forma levemente irresponsável, dionisíaca demais, para uma competição em que aplicação e concentração aparecem como fatores vitais. A Nigéria está para o futebol como os ‘‘Globetrotters’’ para o basquete americano, que não teriam a menor condição de enfrentar o pior time da NBA.

mockup