Luiz Geraldo Mazza
Lerner não manda
Sob qualquer ângulo que se analise o governo Lerner dará para entender por que cada vez mais gente se alinha na tese de que ele não manda, não decide. E isso não se dá apenas na área de segurança, o ponto mais vulnerável, que leva o público à paranóia e em que se percebe que o setor está sob cuidados dos políticos, posto que minado pelas relações incestuosas com o crime, como se viu em Almirante Tamandaré, o que deve repetir-se em outros municípios.
Lerner perdeu o controle no Banestado, como se viu no seu afundamento em função da Corretora e a picaretagem com títulos estaduais e a Leasing com a farra lá havida de operações sem garantias cadastrais mais a emissão de debêntures. E fez mais: promoveu o autor das proezas a secretário de Estado, colocando no ar a dúvida sobre quem é refém de quem.
Perdeu o controle também no setor mais sensível, o fazendário, entregue a um jejuno na matéria e que não conseguiu alavancar, como havia prometido, a arrecadação, descurando-se do alertamento do seu antecessor no sentido de que o problema está na despesa, já que a receita é inelástica, ainda mais numa conjuntura pré-recessiva. Por sinal que a situação se agrava daqui para a frente com várias categorias como a de advogados e delegados de polícia que derrubaram o redutor salarial no Poder Judiciário, isso sem falar nos desperdícios comuns em tempo de eleições. Lá se vão, com pessoal, mais de 70% do orçamento estadual, uma casamata contra a lei Rita Camata.
Embora haja áreas até de excelência no governo (Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, por exemplo), o que se percebe é a falta de pulso do governador, que é mais comandado do que comanda, e essa visão já chegou ao povo em função, especialmente, do que ocorre na Segurança. Convenhamos também que o problema não é do secretário Rubens Tanure, mas de uma situação que perdura desde quando Cândido Martins de Oliveira comandava a pasta na qual os políticos fazem a partilha de áreas de influência. E não comanda também a área política, onde as suas hesitações desnorteiam aliados e fazem a alegria dos seus adversários, muitos deles contando como certa a vitória eleitoral.
Outro front em que é visível a falta de determinação é o das invasões de terras, no qual se percebe o terror-pânico de que despejos judiciais façam com ele o que a repressão aos professores representou para Álvaro Dias.

CROMO
Há mais ratos do que ‘‘macuquinhos do brejo’’. Só que estes não têm a imunidade quase parlamentar daqueles e em Curitiba predominam. Talvez por esse respeito à biodiversidade e aos roedores é que a cidade seja ecológica.


AXIOMA Se prevalecesse para hidrelétricas do Brasil (Itaipu, Xingó, Tucurui, Porto Primavera, e as paranaenses como Segredo, Foz do Areia) o rigor da recente decisão do Bird contendo as obras da represa do Iraí, na capital, por causa do ‘‘macuquinho do brejo’’ nenhuma delas seria erigida pelo estrago que fizeram à flora e à fauna. Amanhã o desaparecimento de um tipo de borboleta provoca a interdição das obras de uma hidrovia vital para o país porque um entomologista de renome sai em defesa do bichinho.
GLOSA Engraçado: o homem é expulso com a maior naturalidade das áreas que devem ser inundadas numa barragem, mas concede-se a pequenos animais o direito à sobrevivência por causa do ecossistema. Era o caso dos homens, saírem por aí, à moda dos funkeiros, em função da proteção ao ‘‘macuquinho do brejo’’, cantando o grito de guerra: ‘‘Estou macuco, estou macuco!’.
BIZARRICE Os áulicos do Palácio Iguaçu chamam Lerner de ‘‘O Véio’’. Na verdade para os aproveitadores ele mais parece o veio de ouro, de recursos. Mesmo nos momentos de crise, Ibopes negativos, eles dizem ‘‘O Véio tá feliz’’ como se isso bastasse. De repente perdem os controles e a linha e sacam ‘‘O Véio tá caduco’’ para constatar o irreparável. Ontem o Aníbal o peitava novamente com aquela bobagem de botar dois metropolitanos na chapa (Lerner-Pimentel), com o que forneceria um ‘‘handicap’’ para a oposição.
SPRAY O grupo alvarista reafirmava, ontem, com a máxima convicção, que FHC, no encontro com o ex-governador, teria negado que receberia Lerner. É a velha guerra da contrainformação entre aliados involuntários. - A emenda do senador Roberto Requião estendendo a imunidade parlamentar aos processos cíveis é o contrário da expectativa criada de que o raio da impunidade se restringiria em função do clamor público. - Contrato da Secretaria de Cultura com a Interglobal Passagens e Turismo, de R$ 20 mil ao mês, por avião, ônibus e fretamento de vans, garante a flexibilidade de movimentos daquela pasta. Na base da tomada de preços. - Já começaram a limpar e preparar o terreno para a construção do novo Arquivo Público. Regina Gouveia, entusiasmadíssima, comanda as ações como diretora daquele setor. - O vereador de Paranavaí, Edmilson Botéquio, ex-PC do B, acusa a cúpula regional do partido de não pagar contas. Não é a primeira dessas que aparece contra o deputado federal Ricardo Gomyde, acusado já de emitir cheques sem fundos. - Agora há um manifesto de dirigentes estudantís e sindicais do Noroeste cobrando ética dos dirigentes do PC do B e recomendando que o público não vote em Gomyde e apontando-o como a causa, por sua falta de lealdade e companheirismo, da perda de quadros. Assinam os líderes Márcio Gonçalves, ex-diretor da UPES, Elizeu Araújo Silva, presidente do sindicato que agrega empregados da Sanepar, José Rosa dos Santos, do sindicato dos trabalhadores na área de saúde, Jorge Luís de Mello, presidente da União Paranavaiense de Estudantes e Francisco Elisson Coutinho, diretor do sindicato dos bancários. - Mas os fatos relatados revelam que o PC do B, ao contrário dos que o subestima, afirmando que não cabe numa kombi, tinha só do Noroeste 45 militantes (Paranavaí, Maringá, Sarandi), que fretaram um ônibus que não foi pago pela cúpula do partido, que nega a ocorrência.
FOLCLORE O urbenauta Eduardo Fenianos, ontem narádio AM 550: ‘‘Como hoje é o dia do combate às drogas por que não aproveitam para tirar o Bebeto da Seleção Brasileira?’ Daria também para expulsar alguns políticos em postos de mando, drogas perigosíssimas.
AFORÍSTICO Você acredita mesmo que a Rodovia do Café vai ser duplicada? Mas de Papai Noel continua desconfiando: cúmplice no pesadelo, cético no sonho.

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