Luiz Geraldo Mazza
O vicejar da vice
Nossa experiência em vice governança, a dos últimos 50 anos, é escassa, mas detém um ensinamento: o de que nessa composição se acertam problemas de ordem geopolítica, somam-se capital e interior, norte e sul e assim por diante. E a vice não é tão insignificante assim como parecia naquele quadro do Jô Soares, no tempo em que era mais engraçado. E a história paranaense o comprova, como de certa forma também a brasileira.
Em 1965, por exemplo, em pleno regime militar, Pimentel enfrentou Munhoz da Rocha num pleito de tal forma equilibrado que a vice ajudou a decidir a parada duríssima: o engenheiro Plínio Costa era o do primeiro na condição de natural de Curitiba, e Rafael Rezende, nortista, era o do segundo. Somava-se o homem do interior ao da metrópole como ‘‘mix’’ necessário. Isso virou regramento.
Mesmo nas eleições fajutas, indiretas, do regime militar, já que a referida havia sido a última, houve obediência ao princípio da partilha. Tanto que o último governador indireto, Ney Braga, tinha como vice o mestre José Hosken de Novaes. Ney do Sul (Lapa, mas metropolitano) e Hosken (mineiro de Londrina).
Richa do Norte fez dobrada com João Elísio, litorâneo do Sul; Álvaro Dias, do setentrião, com Ari Queiroz da Capital; Requião, curitibano, com Mário Pereira, do Oeste e agora Lerner e Emília. Pois agora estão querendo ‘‘melar’’ essa fórmula já orgânica do processo político, tanto que andaram sugerindo Paulo Pimentel para vice. Ora, se isso ocorresse estaria quebrada a regra com dois metropolitanos na chapa. Mas o episódio parece conter o dedo inspirado de Aníbal Khury, que faz isso com o propósito claro de obrigar o PTB a brigar para manter a vice com Emília e facilitar o ajuste de Álvaro Dias, caso este decida de uma vez postular o Senado.
Outro detalhe: o vice tem que somar. E, convenhamos, que não seria, em hipótese alguma, o caso de Paulo Pimentel, cujas últimas participações, tanto a da Prefeitura quanto a do Senado, provaram que não tem densidade eleitoral. Café Filho somou para Getúlio Vargas em 50, João Goulart para Juscelino e para Jânio, e convenhamos que àquele tempo os votos não eram vinculados como agora. Mesmo sendo automático, é preciso que some: Marco Maciel o é em relação a FHC, como Micheleti irriga Requião. Já o Brizola, mas isso não tem nada a ver, parece que pouco ajuda o Lula.

CROMO
O espantalho ganha vida com o vento e, ao agitar os braços de palha, rege a orquestra das aves daninhas


AXIOMA E o totem da segurança, que fim levou? É mais um daqueles milhos de pipoca do Lerner que não estouram, como tivemos no tempo da Prefeitura aquele xadrez gigante para faturar a disputa entre Bob Fisher e Spaski.
GLOSA O prefeito de Bocaiúva do Sul volta a atacar: promete, para aumentar a população e com isso obter mais recursos do Fundo de Participação, distribuir Viagra para a população. Viagra para os homens e cantárida na empadinha das mulheres. Para quem já tentou proibir a venda de camisinhas, tudo é possível. Só falta agora o Élcio Berti, o nome da fera, alegar que usa o mesmo método: o de enfrentar problemas reais com fantasias de marketing.
BIZARRICE Os cavaleiros do Apocalipse eram sete. Lerner não precisa de tantos. Dois são suficientes: o Herwig anunciando o pedágio para as ruas de Curitiba e o Gionédis estimulando o público a uma corrida ao Banestado com suas declarações imprudentes e impudentes.
OFICIALÊS O Diário Oficial poderia ser o único órgão de oposição no Paraná por revelar o que se passa na intimidade do governo. Só que a linguagem é complexa e diante da qual o mortal comum ‘‘dança’’, é engrupido, tapeado. O ato relativo ao contrato da Antares e dos instrumentistas foi revogado no dia 3, logo após a publicação. Só que está na espera para ser publicado.
Segundo a Secretaria de Cultura, esse contrato será honrado pelo BankBoston e a súmula divulgada foi apenas garantia para contratos internacionais. Os artistas Jaime Laredo, violinista, Sharon Robinson, violoncelista, e Joseph Kalichstein, pianista, vão fazer três apresentações em concertos no Festival de Abertura do Canal da Música, além de workshop, e a criação da Orquestra Sinfônica Juvenil, que para tanto se fará uma promoção.
A idéia surgiu num encontro de secretários municipais de Cultura em Faxinal do Céu: o interior encaminhará alunos para os cursos em Curitiba. Outro detalhe relevante é o decorrente do fomento às bandas, sendo que 23 prefeitos firmaram convênios e receberam equipamentos musicais.
AÇÕES POPULARES Uma na 3ª Vara da Fazenda Pública, outra na 1ª: duas ações populares tramitam contra Roberto Requião. A primeira é de autoria de Kenedi Alves da Silva, calcada em matérias publicitárias com caráter de campanha eleitoral e consideradas lesivas ao patrimônio público. Outra, mais antiga, de 1992, de Edson Feltrin, ex-integrante de seu grupo de basistas, que cobra o 13º de Requião como prefeito, o que não teria previsão legal.
A primeira teve acórdão recente da Terceira Câmara Cível do TJ, unânime, determinando a continuidade do processo que havia sido declarado extinto. A segunda também está em andamento com um despacho em que se concede prazo para indicação de provas em favor do demandado.
Tanto contra Requião como contra Lerner vão aparecer no andamento da campanha eleitoral esses processos, alguns bastante antigos. Outros processos como o havido entre Requião e Joni Varisco, que trata da questão de Campo Bonito e da morte do líder sem-terra Teixeirinha, fluirão nessa época. Lerner está, neste momento, proibido de usar a folhinha da logomarca, uma situação como a de Eva, no Paraíso, depois de comer a maçã, e decidir cobrir as partes pudendas com a folhinha de parreira.
AFORÍSTICO Se o banco paranaense era realmente o melhor dos estaduais do Brasil, como todos diziam e repetiam, por que agora tantos, ao mesmo tempo, pelas mais variadas razões, procuram desmoralizá-lo? Nenhum banco suporta essa conspiração por método para arrebentá-lo por motivos políticos.

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