Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Brizolices e tolices
Brizola tenta passar à mídia a noção de que é o rei dos corajosos. É claro que contabiliza episódios como o da resistência ao golpe de 1961 para impedir a posse de Jango e que a rigor significou moratória de três anos, mas também inclui no seu currículo a vergonhosa e oportunista adesão a Collor em troca de recursos para a chamada linha vermelha.
Outras bravatas, jamais cumpridas, foram as prometidas contra a Rede Globo de Televisão, anunciadas como represália à manipulação dos resultados eleitorais na questão da Proconsult. E agora, tentando inverter a chapa, como se fosse o cabeça e não o vice, veio com a lorota de que reverteria as privatizações, com o que o PT não concorda até para mostrar-se palatável à burguesia progressista que potencialmente se disporia a apoiá-lo.
E como Brizola tenta ser o herdeiro do varguismo (fez de tudo para ficar o espólio do PTB e só não o conseguiu porque Golbery do Couto e Silva manobrou a favor de Ivete Vargas, sobrinha do caudilho original), insiste em que a Vale do Rio Doce voltaria ao governo se a frente (para trás, na verdade) populista fantasiada de esquerda ganhasse as eleições. Foi novamente contido com o argumento de que qualquer decisão nesse sentido seria precedida de auditoria que indicasse claramente irregularidades na venda, já que há suspeitas de uma subestimação patrimonial das jazidas minerais da empresa.
Não bastassem, pois, os problemas do Rio de Janeiro, onde Vladmir Palmeira, o burguês revolucionário, ameaça criar um caso nos tribunais para garantir-se como postulante petista ao governo carioca e, portanto, contra a adesão a Antony Garotinho, percebe-se que em toda a campanha o PDT, que é um partido em marcha acelerada para o nanismo (como o PSDB no Paraná, o que nada tem a ver com o Naninho, Carlos Nasser), vai toldar o horizonte da coligação, como se já não bastasse a fúria basista da utopia regressiva do MST que tira o sono da maioria dos brasileiros, contrária a violências e invasões.
Brizola está para Lula como Rafael Greca aqui no Paraná para Jaime Lerner, este com excesso de doçura, mas ambicioso como ninguém, e aquele por exceder o vinagre, sal e pimenta na culinária oposicionista.
AFORÍSTICO
Jean Paul Sartre, antes de morrer, pelas mãos do seu filósofo assistente Bernard Levy, declarou jamais haver experimentado tanto a náusea quanto a angústia, sobre as quais tanto teorizou. É mais ou menos como falar sobre a morte e o suicídio sem tê-los experimentado, o que soa óbvio.
BIZARRICE No jogo Brasil e Marrocos houve muita violência para deter os jogadores da seleção canarinha. Uma das consequências era visível no fato de as jogadas mais ríspidas, carrinhos especialmente, provocarem a perda de tufos de grama. Num dos locais públicos, a cada vez que isso acontecia, alguém dizia com voz de locutor: Essa grama está igual ao cabelo de fulano, referindo-se a um político paranaense.
GLOSA Uma gozação em cima dos publicitários de linha chapa branca, que fizeram os institucionais em que gente de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul deseja que o cenário paranaense chegue até eles, é feita em cima da transferência de cadáveres da Unioeste para outras unidades da Federação: é uma prova de que realmente estamos exportando até o surpreendente para fora.
AXIOMA Há mais mistério nessa história do rombo do Banestado do que imagina a nossa vã filosofia. A primeira etapa da privatização começa pela limpeza nas privadas para servir de contraponto às maracutaias não investigadas através dos tempos e que não se pretende punir. A evidência está no caso da Leasing e da promoção do ex-dirigente que a detonou a secretário. Lerner, com esse ato, sinaliza para a varredura da craca de todas as gestões para baixo do tapete.
SPRAY Horácio Rodrigues se acredita um Aníbal Khury mais novo e se lançou ontem candidato a governador pelo PL. De deputado suplente, pois achava que fazia mais votos do que o Jocelito Canto e ficaria com a vaga, transforma-se em candidato suplicante. - Como Lerner anima essas ações, com suas hesitações e o medo-pânico de perder horários na TV e no rádio, ao ponto de se ligar ao Onaireves Moura por causa de 1 minuto, continuará sofrendo pressões que irão bem além das exercidas pelo PPB e PTB. - Em termos artísticos, o pleito ficaria bem mais divertido com as candidaturas do Horácio pelo PL e do Faustino Cardoso pelo Prona. A biodiversidade em política chama-se pluralismo, no caso extremamente singular. - A preocupação dos políticos (e essa abrange Álvaro Dias) em acumular horário na propaganda eleitoral mostra, antes de tudo, que desejam um mínimo de riscos quando, na verdade, essa questão não tem, é claro, a relevância imaginada. - Surpreende o charme que o governo tem para seduzir tantos ao mesmo tempo ou seria a alavanca que garantiria a felicidade de todos que entrarem na aliança? Mistério. - Recomendaria para quem acompanha os fatos políticos da vida paranaense o uso frequente de Engov. Há o risco de que seja, porém, tão ou mais falsificado do que os políticos e aí não dá efeito. - Um dos delírios da ala requianista do PT, comandada pelo Samek, é achar que com os números do Lula no DataFolha (parece ignorar que isso não é permanente e que há um problema visível de rejeição), o partido-estepe dobra a representação. Ora o mais fácil é ser dobrado, como já aconteceu, do que dobrar. - Se o Lula pode intervir no diretório regional do Rio, não poderá o PMDB fazer o mesmo com um ato de infidelidade de Requião, caso o partido apóie a reeleição? - O mesmo se dá com Álvaro Dias e a troupe interessada em acordos regionais que conflitam com os interesses da reeleição. Raciocinar não ofende.
FOLCLORE Ontem, no jogo Itália x Camarões, entrou em campo o Tchami no time africano. Ele foi para o ataque e um italiano gritou segura o Tchami e foi o suficiente para que ao alarido de outro que dizia agarra o Tchami para que todo o público, mais os jogadores e os reservas, se atirassem na dança brasileira e tentassem imitar as artes da Carla Perez. O Brasil, mais do que o Paraná em relação ao interior do País, exporta seus padrões.
Outra coisa: esse time de Camarões estava mais para o sete barbas do que para o pistola e o maruí.
CROMO No Colégio Expoente, da Boa Vista, os meninos franceses, filhos de executivos da Renault, que lá estudam português, estavam com uniforme em que se mesclavam as cores da França e do Brasil e torciam por nós.





