Luiz Geraldo Mazza
Razões de campanário
Sempre entendi que a eleição presidencial condiciona as demais, ao contrário dos tucanos locais que, com menos serviços prestados ao partido do que o próprio Lerner, insistem em inverter a ordem dos fatores e colocá-la a serviço do ressentimento personalístico. A fúria suburbana do PSDB paranaense é de tal ordem que só se justifica no plano da revanche: a derrota de Álvaro Dias e as das eleições municipais, especialmente a de Londrina, com o excelente deputado e figura importante nas articulações parlamentares, Luíz Carlos Hauly, se perdendo bisonhamente no plano emocional na ânsia de dar o trôco por causa daquele revés no segundo turno que não ocorreria se o governo tivesse adotado a quarta parte da cautela empregada na primeira etapa, já que faltou muito pouco a Belinati para conseguí-lo.
Uma aliança com Requião, como estava sendo cogitado, é, antes de tudo, um ato de traição, dada a posição militante do PMDB paranaense contra a reeleição de FHC. A cegueira da paixão e a ânsia retaliatória nada têm a ver com a lógica e a racionalidade. E isso tudo se agravou com a convocação de Euclides Scalco para coordenar a campanha presidencial e que terá ainda o apoio de Richa, um dos cardeais nacionais do partido e ambos contra o grupo que ocupou o PSDB na fase do ‘‘inchaço’’ e que bloqueou, ao desespero, o ingresso de Lerner. E foi por isso que os dois elementos-chave, em termos históricos e doutrinários, acabaram se afastando das lides partidárias e que agora voltam à ativa atendendo convocação de Fernando Henrique.
O ocorrido no Rio de Janeiro deveria servir de indicador aos teimosos: Marcelo Alencar percebeu que se persistisse como candidato, só atrapalharia a eleição principal. Sua desistência fortalece César Maia, do PFL, e cria condições para conter a evolução de Anthony Garotinho. Da mesma forma, a saída no Rio Grande do Sul - a de o PSDB desistir da candidatura própria e apoiar o peemedebista Antonio Britto por 230 a 140 votos - deveria constituir-se num sinal para todo o sul do País, já que tanto aqui como em Santa Catarina o tucanato é atrofiado, embora a inegável condição de segundo grande eleitor do Paraná de Álvaro Dias.
As pesquisas Datafolha e Brasmarket negam aquilo que alvaristas apregoavam: a de que estaria à frente de Lerner com alguma folga. Peroração flácida para bovino hibernar. Ou seja: conversa mole para boi dormir.
Razões anteriores, aquelas que aconselhavam o PSDB a fazer o maior número de governadores para não correr o risco de ficar a reboque do PFL, valiam antes da queda de FHC nas taxas de credibilidade. Hoje o pragmatismo aconselha para o PSDB como meta primeira a reeleição, o resto é corolário porque o fascínio do poder provocará nova corrida ao partido que não nasceu para ser uma agremiação de massas, mas de quadros, de gente como FHC, José Serra, Covas, Montoro, Jereissati, Richa, Scalco e outros de perfil mais aproximado, distantes do agrupamento fisiológico que passou a dominar em algumas regiões.

AXIOMA
A longo prazo, lecionava o Lord Keynes, estaremos mais ou menos mortos. Daí a busca de cenários mais próximos: o Ipardes calcula que o Paraná sai dos 6,31% de participação no PIB para 6,85% em 2003 e 7,45% em 2008. Seremos o quarto do País, superando os gaúchos.


GLOSA Num aspecto sensível não haverá mudanças na BR-277 depois de adotado o pedágio: os engarrafamentos provocados pelo cruzamento com a avenida Rui Barbosa, de São José dos Pinhais, persistirão. Deu para percebê-lo neste fim de semana: se, de um modo geral, a pista se encontra em condições razoáveis, excluído o acostamento ainda deficiente, o nó persiste e foi exatamente isso que pegou as concessionárias, de calças curtas, nos feriadões anteriores.
BIZARRICE Se um psicólogo mudar a inclinação homossexual é uma violência, como sugere uma entidade ‘‘gay’’, fazer o contrário, isso é, transformar um hetero em homossexual, também o é. E se um pai, no exercício do pátrio poder, entender que é preciso alterar o comportamento homossexual do filho estaria sujeito à perda da tutela por estar cometendo uma violência? O assunto não tem, pois, a singeleza proclamada.
SPRAY Não há motivo para comemorações no Palácio Iguaçu para a pesquisa que dá Lerner na frente de Álvaro e Requião, como se viu no Datafolha.- Álvaro caiu um pouco, mas Requião subiu e se aquele for candidato ao Senado, pode ‘‘transferir’’ mais ao peemedebista do que ao pefelista.- Como áulico sorri à toa, não espanta a comemoração palaciana que pode ser tida como palhaciana.- O desempenho de Lerner é inferior ao de Tasso Jereissati, do Ceará, mas na transferência de votos a FHC, o paranaense leva nítida vantagem.- Quem segura a peteca de Lerner em Curitiba é Cássio Taniguchi, eregido a grande eleitor, e no interior o desempenho governamental melhora com a assiduidade nas viagens e nas inaugurações, ordens de serviço e reuniões políticas, como aquela de Cascavel, produtivíssima, no lançamento do ‘‘Paraná Doze Meses’’. A tendência é crescer, a não ser que algum incidente de percurso tolde o quadro.- Nesta semana (aula inaugural hoje), uma série de palestras sobre ‘‘Gerenciamento de crises e negociação em delitos com reféns’’ se dará na Escola de Polícia (Rua Tamoios, 1200, Vila Isabel, Curitiba). As palestras estarão a cargo de especialistas da Polícia Federal e Grupo Tigre. Representações estrangeiras do Cone Sul e nacionais abrangendo São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul vão estar presentes.- O polêmico Hélio Queiroz, prefeito de Pontal do Paraná, já recuperado do episódio do IPTU, está abrindo frentes de trabalho como a da desobstrução de canais. No campo social, via Provopar, providencia ônibus de graça aos escolares, inclusive para os que se deslocam a Paranaguá.- De 1º a 3 de julho haverá em Curitiba, no auditório do SEBRAE, o 2º Encontro Internacional de Empresas Mercantis. Virão representantes do Mercosul e da Comunidade Européia.- Datafolha de 25 e 26 de julho de 94 dava 47 pontos para Álvaro e 38 para Lerner. Depois foi aquela ‘‘lavada’’. Só que agora Lerner não é mais ‘‘novidade’’ estadual. É, como Álvaro, café requentado, o que se repete com o senador Requião. Que opções, hein? -
FOLCLORE Se o borderô da Federação Paranaense de Futebol foi duas vezes roubado entre o estádio Pinheirão e a sede da entidade, que fica ao lado, não é de assustar que inexista segurança para torcedores. Isso, aliás, é mania: outro dia um dirigente do Vasco da Gama, no Rio, foi também assaltado quando levava a pasta com a parte da renda que era devida ao clube.

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