Luiz Geraldo Mazza
Quem fiscaliza o fiscal
Que o governo estadual conseguiu um razoável desempenho no controle das irregularidades na área fiscal, ninguém pode contestar. Tanto que chegou à descoberta do chuncho dos 60% com cadastros da Dívida Ativa. E o fez também relativamente ao corpo funcional, embora no caso do Banestado isso ficasse claramente pela metade, com a promoção de Osvaldo Santos, autor de gravíssimas irregularidades na Leasing Banestado, o secretário de Esporte.
No caso do setor de rendas conseguiu-se um bom desempenho. Há, aliás, tradição de monitoramento da área, o que já dispensa a convocação de policiais para o setor, como aconteceu no governo Ney Braga e subsequentes com um controle férreo em cima de desídias e fraudes.
Mas a área de Segurança, hoje sem dúvida o setor mais crítico do governo e fornecedor de matéria-prima explosiva para a campanha eleitoral, é a que mais preocupa. Só a Corregedoria não basta para o trabalho de depuração. Antes se conferia à Divisão de Segurança e Informações esse trabalho inicial, permanente, de acompanhamento, como um serviço de inteligência, uma espécie de SNI interno, cabendo à Corregedoria a parte mais executiva de todo o processo. Funcionava melhor, tanto que os procedimentos estavam cercados de tal zelo que conferiam aos seus autores a condição de trabalho de elite pela natureza delicada do ofício.
Assim, além da questão essencial, já tratada aqui à exaustão, de que há o pré-requisito do afastamento da interferência política, que é demais e danosa, como se vê no caso da Ciretran de Barracão, onde autoridades municipais e vereadores defenderam os acusados das fraudes com carteiras de habilitação. O governador Jaime Lerner não impõe a sua vontade, ou pelo menos não a exerce, com a firmeza necessária, no setor, e com sua omissão acaba dando sinal verde para os políticos, o que acaba prejudicando hoje Rubens Tanure, como antes já ocorria com Cândido Martins de Oliveira, esse um político igualmente.
A impressão que se tem pelos últimos acontecimentos é a de que a frouxidão estimulou os desvios de conduta, visíveis em inúmeras áreas, especialmente na Antitóxicos e na Furtos de Veículos com ramificações em delegacias do interior e especialmente da Região Metropolitana, como apuraram os trabalhos da Procuradoria de Investigação Criminal.
Delegados têm com razão o receio de invasões em seu campo de atribuições, como ocorre em choques com a PM, relativamente ao exercício de polícia judiciária, e a má vontade com que olham as intervenções do Ministério Público. Mas no Rio, como o exemplo o demonstrou, só assim foi possível, dado o envolvimento de policiais civis e militares na cobertura a delitos, botar os bicheiros na cadeia, por sentença da juíza Denise Frossard, sob a acusação de formação de quadrilha e vínculo com o tóxico. E é indispensável, até para tranquilidade do policial correto, essa superposição de controles.
O governador perdeu moral para tratar de desvios de conduta com a forma como encarou os problemas do Banestado. Não raciocinou nessa perspectiva por acreditar demais na propaganda que faz de si próprio, como se vivêssemos num clima de permanente ‘‘céu de brigadeiro’’ e não mergulhados no terror, tal qual se depreende das últimas revelações sobre patologias policiais. Deu força aos políticos ao permitir a substituição da cúpula da PM e de dois homens de elite como os coronéis Mainguê e Bortolini e que o obrigou, mais recentemente, a outra reestruturação nos quadros em função da perda de controles.
Vai aí uma sugestão: restabelecer, com os poderes anteriores e sob comando de um delegado operacional, Nilton Rocha, a área de Segurança e Informações.

FOLCLORE
‘‘Imoralidade é a moralidade daqueles que se divertem mais do que nós.’’ A sentença é de Mencken, mas tivemos uma versão aproximada do Barão de Itararé, para quem ‘‘negociata é um negócio para o qual não fomos convidados’’.


AXIOMA O ‘‘clip’’ palaciano, já em pleno furor eleitoral, destaca as notícias que convém. Outro dia ‘‘editaram’’ um artigo que fiz sobre fantasmas e não incluíram as críticas aos chunchos da Banestado Leasing. Aliás, esses fatos o governador tenta revogar de todas as formas, mas não escapará das denúncias na campanha eleitoral.
GLOSA Polícia de Nova York quase acabou com a violência com o programa de ‘‘tolerância zero’’. Mas lá políticos não se metem na gestão policial e para um efetivo de 38 mil homens, há 600 no trabalho de policiar a polícia. Isso aí a cúpula da Segurança sabe porque mandou gente sua ouvir os relatos dos especialistas que executaram o plano na cidade norte-americana.
BIZARRICE Com a proximidade da campanha eleitoral, o governo está a semear notícias não apenas na clientela habitual do Paraná, mas na nacional também. E isso deve estar irritando especialmente Álvaro Dias que, quando no Palácio Iguaçu, criou, juntamente com René Dotti, seu secretário de Cultura, uma comissão para rever os símbolos do Paraná composta por historiadores e especialistas em heráldica. Uma das sugestões foi a de substituir pelo semeador o homem com a sega (ou ceifa) às mãos. E agora estão, como nunca, semeando notícias à espera de colheitas que podem não vir no horizonte esperado.
PESQUISA Há uma pesquisa qualitativa, nas mãos da oposição, que mostra a que ponto chegou a anomia no Paraná com a descrença genérica no governo em sua capacidade de agir e corrigir e não apenas na área de Segurança, mas no geral. Os dados impressionam qualquer um, mas os áulicos, de um lado, marqueteiros de outro, unidos na mesma causa, negam qualquer importância ao assunto. Como são uma espécie de ‘‘sacerdotes do templo’’, nada acontecerá.
SAQUE Nelson Padrella, pintor e humorista: ‘‘Cesar Sampaio botou lá dentro e depois tirou. Estou me referindo ao gol e depois ao pênalti, que nos custou o empate. E olha que o Zagallo proibiu sexo. Imagina se tivesse liberado’’.
CROMO Só faltava essa: no meio da torcida atleticana, em festa, a turma, como sempre marcial como os cruzados, da TFP.
AFORÍSTICO No fim de março, você somava os votos de Álvaro e Requião (28,7%) e Lerner ganhava no primeiro turno com 41,2%. Começo de junho, a soma dos dois dá 46,2% contra 34,8%. E o pessoal do governo ainda ri. Talvez o frio impeça o ritual adequado: espatifar sorvetes na testa, que ficaria apropriado.

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