Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Saneamento estranho
Conta o senador José Eduardo Andrade Vieira que o HSBC comprou por US$ 300 milhões o Bamerindus, daí classificar a operação de negociata porque o Excel teve cotação de US$ 500 milhões, o Garantia por US$ 1 bilhão e o Noroeste por US$ 500 milhões, todos menores do que o complexo financeiro paranaense. Por quanto será vendido o Banestado, depois dessa estranha operação saneadora, que vai custar R$ 4 bilhões, o que onerará o erário por longo tempo a juros nada desprezíveis?
Embora a alegada urgência do processo, caberia não mais insistir na tecla idiota de manter o banco estatal, que essa, todos sabem, o Banco Central não acata por uma questão de doutrina, filosofia e técnica. É verdade que essa encenação bufa parte de um grupo que deseja motivar o voto dos sindicalistas, crendo que essa é a opinião geral do funcionalismo, quando este já se convenceu que o processo de privatização é inevitável. Poderiam poupar essas reservas de energia e talento (até aqui precário porque usado numa bandeira sem esperança) para questionar o fundamento do rombo, afinal do tamanho dos grandes complexos financeiros, o que não se justifica em organismo de traço estatal e limitado em sua capilaridade.
Há o empenho de autoridades do governo atual em punir, deixar claras, pelo menos, as irregularidades praticadas ao longo desta gestão e das anteriores ou se pretende, ao revés, puxar o cisco para baixo do tapete? Reconheça-se, no caso da Banestado Leasing, que as providências de notícia criminal, em número de 25, foram tomadas. Aliás, deve-se isso especialmente ao então secretário da Fazenda, Miguel Salomão, até agora a pessoa mais empenhada no governo atual, em esclarecer rombos e sacanagens, como se percebeu no caso da quadrilha, cujo comando real ainda é impreciso, que fazia a festa dos 60% de devolução em pagamentos de ICMS na dívida ativa. Ex-correligionários de Lerner, do pleito de 1985, supostamente bagrinhos, estão presos. Pouco se sabe do que se providencia em relação aos beneficiários e intermediários da operação, dentre os quais há figuras graduadíssimas dos meios empresariais.
O fato é que não há muita clareza no trato do Banestado e a obrigação seria de remover todas as dúvidas para que não fique a impressão de que teremos mais um sacrifício da instituição paranaense ocorrido pela política mal inspirada e a ausência de firmeza do nosso governador. Depois de tudo isso, vender o banco na bacia das almas (o Banerj levou R$ 150 milhões) numa atmosfera de suspense de opereta, iria pegar mal, ainda mais quando se sabe que os créditos dos velhos malandros que arrebentaram o caixa, dificilmente serão recuperados porque o filtro da política, o mesmo que permitiu a promoção do responsável pelos estragos da Leasing, mais uma vez vai funcionar com certeza.
AFORÍSTICO
E o Lula: que tal imaginá-lo discursando na ONU?
AXIOMA Há quem entenda que dois candidatos ao governo estadual pelos aliados de FHC seria melhor do que um só. Raciocina-se que no pleito passado foi assim e, até por superstição, dá para repetir. Só que isso dificultaria a vinda de FHC ao Paraná para fins de proselitismo pessoal. Era pelo menos o argumento de ontem dos alvaristas e que os lerneristas caricaturavam. Scalco disse que não interferiria neste caso específico e que sua primeira missão era atrair o PTB nacional, vale dizer um diálogo em especial com o senador Zé Eduardo, que saiu, outro dia, atirando por aí e até admitindo aproximação com o PPS.
GLOSA Pelo padrão de jogo de Marrocos e da Noruega (que já goleou o Brasil) dá para perceber que teremos problemas: nossos zagueiros não teriam habilitação para conter as jogadas dos africanos nos costados e mostrariam dificuldades para se poupar nas bolas paradas dos europeus (seus dois gols foram assim). Vamos confiar que tudo não passe de mera especulação, pois se na primeira rodada jogamos pelo resultado, até que acabamos nos saindo muito bem.
BIZARRICE Parece incrível que os policiais de São Paulo não tenham reconhecido a voz de Paulo Maluf, que deu aquele trote burro, pelo qual está sendo pedagogicamente processado. Seria o mesmo que o Lerner, o Saul Raiz ou Álvaro Dias tentassem fazê-lo. Álvaro ainda teria problemas porque sua voz é quase igual à do irmão Osmar Dias, e a do Saul, muito parecida com a do Rivelino.
FUTEBOLICES Como estamos em tempo de Copa, depois de decidido o campeonato paranaense, é preciso ficar de olho nas ações do Onaireves Moura, aliado político do governador, hoje desesperado atrás de um minuto no horário gratuito da televisão, topando, pelo jeito, qualquer acordo. Ocorre que o Paraná Clube está respondendo uma ação do sorteio de um Mustang não entregue porque cedeu nome à Federação Paranaense de Futebol, que não tinha certidão negativa para operar. Está na 21ª Vara Cível. É do bingão de 95.
Apesar de tudo isso, de oito inquéritos criminais, dois deles com condenação na primeira instância (um deles, aquele movido por Álvaro Dias e que contempla uma ação de indenização também; outro o de Edson Gradia, por situação igual), e de tudo que aprontou até agora, continua à vontade, prometendo absurdos como uma Copa Paraná que classifica mais dois times paranaenses para disputar a Mercosul, além, de Atlético, Coritiba, Paraná, que se enfrentariam com times catarinenses e gaúchos. Tenta envolver a RBS como fator de garantia nas coberturas televisivas, num torneio de escassa atração. Dirigentes das federações catarinense e gaúcha devem receber um dossiê sobre o grau de confiabilidade do presidente paranaense.
Algo me sugere que o governo pródigo ainda vai comprar o mausoléu Pinheirão.
FOLCLORE Em concursos de miss vi de tudo. Até um pai esmurrar um organizador que prometera dar o primeiro lugar a sua filha. Do campo intelectual, o que ficou de mais forte foi a sensibilidade e inteligência, além da beleza é claro, de Ângela Vasconcellos, eleita Miss Brasil, e que após repetir o lugar comum de que tinha lido O Pequeno Príncipe, de Exupéry, e que interpretava com graça e profundidade, mostrava-se impressionada com A Metamorfose de Franz Kafka, em que o angustiado Gregório Samsa transformado em barata, que relatava com desenvoltura.
CROMO Esse homem que acordou se vendo transformar-se em barata não seria uma espécie de cadáver insepulto, alcoólatra ou toxicômano, face à família, um simples e aprofundado caso de rejeição?





