Luiz Geraldo Mazza
Ah os fantasmas!
Anuncia-se como possível, e não numa sessão espírita, o afloramento de alguns fantasmas na próxima campanha eleitoral: um deles seria o Afrânio, aquele motorista que interpretou o ‘‘Ferreirinha’’; outros as testemunhas de Campo Bonito, onde foram mortos três PMs e o líder sem-terra Teixeirinha. Mas se essa amostragem parece privilegiar Lerner por atingir Requião, não se deve esquecer dos fantasmas presos do Clube dos 60, Ademar Costa e Francisco Gevaerd, que foram importantes cabos eleitorais do hoje governador em 1985 e só eliminados quando se descobriu que ‘‘aprontavam’’ internamente.
Descobrir esqueletos no armário é liturgia obrigatória de campanha eleitoral: o Requião estava jogando farpas no pedágio das estradas e acabaram achando um documento em que o seu governo, lá pelos idos de 92, tentou implantá-lo em 1.247 km de rodovias estaduais com pareceres jurídicos quanto à legalidade constitucional e tudo o mais. Não deixa de ser um fantasma, dado como esquecido num arquivo qualquer.
Há os fantasmas frescos, alguns redundantes até de tanta frescura, como os ligados às estrepolias da Leasing e cujo titular foi até premiado por esses feitos, presumindo-se até, pelo grau de confiança expresso, que tenha seguido orientação do próprio governo no atendimento de algumas daquelas demandas de caráter financeiro como a do ex-governador de Sergipe, João Alves, apenas no nome assemelhado ao artista da CPI dos anões do orçamento.
Como se vê, não será por falta de fantasmas que a campanha eleitoral perderá a graça. É que eles estão para as disputas eleitorais acirradas como as bailarinas do ‘‘french can can’’ para o clima de Paris e que o pintor impressionista Toulouse Lautrec gravou, com o sopro da eternidade, nas suas telas e cartazes de propaganda.


AFORÍSTICO
Há quem acredite que a convenção do PT é assunto principal e que o jogo da seleção é secundário. Eis o clássico raciocínio primário.



GLOSA Paulo Salim Maluf fez uma gracinha anteontem, tentando desmoralizar o governador Covas, ao telefonar para o 190, de emergência, na base do trote e do teste. Em oito minutos havia três viaturas para atendê-lo. Ele alegou que estava preocupado com algumas pessoas suspeitas e mal encaradas. Sugere-se que ele e o Celso Pitta tenham se avistado num espelho. Para muitos é um caso de pedir socorro.
AXIOMA Os parlamentares estaduais cada vez mais se tornam, aos olhos do povo, como não merecedores da reeleição: recebem R$ 400 por sessão extra fora o alho comum. Só de extras quase 10 paus. E a Casa fica às moscas. Aliás quando está assim é pelo menos maior o QI.
BIZARRICE Nessa série de institucionais em que brasileiros de outras regiões falam bem do Paraná não há como sugerir, por exemplo, que se exporte o nosso sistema de segurança ou a confiabilidade da Leasing Banestado.
FLAGRANTE ‘‘Quando duas mulheres trocam beijinhos, isto sempre me lembra os cumprimentos trocados por dois boxeadores antes da luta.’ Mencken.
SPRAY A cada momento mais se nota, na área de segurança, o envolvimento de setores policiais com o crime, como se comprovou em fita nas mãos do Ministério Público no caso da delegacia de Almirante Tamandaré. - Um grampo telefônico, aí do Ministério Público, detectou grave conluio de policiais com roubos de automóveis. O deputado-radialista Ricardo Chab divulgou o inteiro teor da gravação. - Se houver capilaridade nesse entrelaçamento da malha legal com a da criminalidade, atingindo várias delegacias, estaremos diante de uma situação gravíssima, aliás já flagrada nos episódios da Antitóxicos e da Furtos de Veículos anteriormente. - Mais uma vez fica evidente que se não for, de uma vez, afastada a influência política do setor haverá, como está ocorrendo, perda absoluta de controles. - No estudo do governo Requião para a implantação do pedágio estava prevista a cobrança, inclusive, na Graciosa. O ideal seria uma alegoria: em lugar de dinheiro, o usuário poderia, conforme a época do ano, com o devido controle ecológico, plantar hortênsias, por exemplo, em lugares apropriados.- Governo está negociando nos autos de processos em que são interessados delegados de polícia e advogados acordos com essas categorias em troca da desistência de recebimento de atrasados. Sequelas processuais do problema do redutor que caiu na justiça, mas o governo ainda não cumpriu integralmente.- Há decisões do STF até hoje não cumpridas da mesma questão, no Tribunal de Contas e Assembléia Legislativa. - Campo Mourão está dando bom exemplo em matéria de segurança. A passagem de viaturas policiais a cada 40 minutos pelas escolas, a regionalização do sistema de policiamento ostensivo (cinco áreas, cada uma com uma viatura, sem totem), palestras educativas para prevenir uso de drogas e conselhos regionais de segurança fazem parte do rol de medidas acertadas com a prefeitura.
CONTÁGIO? O fato de um estudante ter ido armado à sala de aula ontem em Curitiba restabeleceu o debate em torno da chamada ‘‘reação em cadeia’’ referida sempre, em psicologia social, em casos de suicídio e violência. Em menos de um mês tivemos a repetição de casos em vários pontos do país e do Paraná e também dos States, nestes com inusitada violência e mortes.
Outra questão levantada é a circunstância do aluno ser de difícil ajuste quando o nosso Conselho Estadual de Educação fixou doutrina de que o aluno não deve ser tirado sequer da sala de aula quanto mais transferido. É um raciocínio de quem não tem a menor noção das gangues que sitiam as nossas escolas e que até homicídios já ocorreram, sem falar na rotina das drogas. Pedagogia pura soa como torre de marfim.
FOLCLORE Ontem, na manifestação no Centro Politécnico, estudantes pararam a BR-116 e um dos animadores disse que era importante que também os motoristas tomassem consciência do que ocorria na Universidade em greve. Dá para imaginar um motorista cansado, de saco cheio e estômago vazio, irritado com o pedágio, ter que ouvir uma asnice desse porte. Se universitários tivessem consciência da importância do funcionamento de uma estrada jamais a usariam com bloqueios para algo tão distante do problema de um caminhoneiro. Isso, sim, é que é alienação. Torcer pela seleção brasileira é engajamento melhor do que tal exercício de prepotência.
CROMO Nas rugas da rocha vermelha de Vila Velha o epitélio do tempo: a mão bárbara do turista arranca a parasita do arenito, mais destruidora do que séculos de erosão.

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