Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
A sedução da magia
Políticos, de um modo geral, tentam como rotina fazer omelete sem quebrar ovos. Daí porque em campanhas eleitorais, enquanto na oposição, prometem o que não sabem impossível de cumprir. Exemplo: Lula prometendo a reforma agrária com uma canetada. Álvaro Dias combatendo o pedágio e esquecendo que as vias são federais e abandonadas por FHC, seu paradigma. Ou ainda Requião prometendo rever contratos, baseados numa legislação do seu tempo, para atração de investimentos.
No governo tentam igualmente a prestidigitação, como faz Lerner no seu dia-a-dia: não cumpre despejos judiciais contra sem-terra para manter a imagem do bom moço e progressista, temendo sofrer o justiçamento em razão do que fez para Álvaro Dias relativamente aos professores; enrola-se entre o PSDB e o PFL com medo de mostrar o que é como ex-integrante do PDS, sucessor da Arena; faz um jogo sinuoso no problema do pedágio para compor interesses em choque, e com isso atrasa violentamente o cronograma de obras e de obtenção de recursos por parte das concessionárias. Não pune gestores temerários e até os promove como faz com Osvaldo Santos, que detonou literalmente a Leasing Banestado (e, parece, com sua direta colaboração em alguns dos empréstimos, como o feito a pedido de João Alves, ex-governador de Sergipe), e curiosamente o apresentou anteontem com a equipe Calói. Nada mais justo homenagear a quem deu a bicicleta nos fundos do Banestado, uma pedalada de escol. Seria Jaime Lerner refém ou precisamente o contrário? É uma presunção pertinente.
De um modo geral, o político brasileiro é um cortesão em função do seu ajuste ao populismo. Cortejar massas - e como o fazia Getúlio Vargas! - é a evidência mais palpável dessa deturpação de caráter, que está no eleitor e que o líder a reacumula ao cultivá-la com a máxima obstinação. Com isso ele deseduca, arte que desempenha magisterialmente, principalmente agora em tempo eleitoral.GLOSA
Há dirigentes de entidades ruralistas que se atiram com fúria na luta contra o pedágio, mas figuram como inadimplentes clássicos do Banestado.
AXIOMA Alguém sugeriu que com o corte do Romário o correto seria convocar o Oséas. Aí lembraram daquele gol contra que ele marcou de cabeça no Palmeiras. Veio, então, o argumento final: nesse aspecto, o do gol contra, ninguém bate o Jaime Lerner. Basta ver esses anúncios em que gaúchos, cariocas e mineiros esperam que o Paraná chegue até eles. Convocaram bebuns para dar depoimento, o que é a quebra de um regramento elementar de anúncio. Só falta pôr um drogado.
BIZARRICE Piada corrente em São Paulo: Celso Pitta morre e vai pro céu. Na fila está louco para urinar e é aconselhado a fazê-lo ao lado de uma estátua. Vem um guardião celeste e o adverte que acabou de mijar no pedestal de São Pedro, o porteiro. Intimidado, quando vai responder aparece um outro burocrata celestial e justifica: para quem defecou em São Paulo nada de assustar o fato de urinar em São Pedro.
FILOSOFIA Nunca deixe que seus inferiores lhe façam um favor. Pode custar-lhe caro. É a sabedoria de Mencken, muito conhecida, tanto na vida das empresas, como especialmente na atividade pública. O prestativo pode ser uma unha encravada. No Banestado há muito disso.
SPRAY Mais uma pesquisa, discutível é claro, que pinta negativamente para a Curitiba paradisíaca: somos medalha de prata em suicídio de jovens e só perdemos para a gleba fantástica do PT, Porto Alegre. - Especialistas acham que há chutes e generalizações, cruzamento indevido de dados, como é o caso do diretor do Instituto Médico-Legal, Francisco Moraes Silva, que aponta para a simetria entre padrões elevados de vida (cita, especialmente, países nórdicos) e taxas de suicídio.- Sobre o assunto, há mitos como aquele de que a leitura de Werther de Goethe (Mencken o considera, ao lado de Dostoiewski, Elliot, D.H. Lawrence, Gertrude Stein, um dos mais chatos escritores de todos os tempos), um clássico da literatura mundial, um desencadeador de suicídios. Como se dizia de autores pessimistas como Schopenhauer, Nietzsche, no meu tempo de Ginásio Paranaense, o que não passa de clichê.- Verdadeira, porém, e até educativa, a iniciativa de jornais em não publicarem suicídios, rígida norma que aprendi nos anos 50 a cultuar nos Diários Associados.- Ainda sobre o tema: um dos maiores pensadores contemporâneos considera o suicídio o único e verdadeiro problema da filosofia. Leva jeito de Sartre, para quem a vida é uma paixão enlouquecida. Na matriz existencial essa ruptura, não importando o móvel que a provoca, é realmente a máxima das indagações.- O PPS vai apoiar Lerner à reeleição, como se deu com o Partido Socialista. O neo-comunismo (ou séria pós eurocomunismo de Enrico Berlinguer?) pode, via Roberto Freire, ligar-se ao neo-trabalhismo do senador José Eduardo de Andrade Vieira. Dá a impressão de uma atmosfera mutante musicada por Rita Lee.- O envolvimento de policiais, alcaguetes, inclusive, no caso da gangue que provocou a fuzilaria no centro da cidade, mostra que é indispensável a recuperação das prerrogativas que Lerner cedeu indevidamente aos políticos na área. É a prova de que políticos assumem algo que não têm como monitorar.
MÁXIMA O Viagra faz com o pênis o que o Prozac fazia com o baixo astral no empenho em levantá-lo. O destino de um pode ficar igual ao de outro. Começou com euforia e as menininhas deprê usavam Prozac como se fosse chiclets.
E hoje não está com essa bola toda.
FOLCLORE Se o adiamento da cobrança do pedágio para caminhões não é medida eleitoreira, por que o governador não a transfere para dezembro de 2.002, quando estaria provavelmente deixando o Palácio Iguaçu?. A pergunta que não ofende, mas embaraça, é do Rubinho Ferreira.
CROMO Requião - pergunta o peemedebista -, por que você fez o céu tão lindo?
AFORÍSTICO O Paraná não forma atletas e é como Brasil em tecnologia: compra o pacote pronto. Foi assim com o vôlei Rexona e o será com a Calói. Enquanto os anúncios idiotas dizem que o resto do Brasil é que deseja importar o Paraná.





