Luiz Geraldo Mazza
Quem ‘‘quebrou’’?
A celeridade imposta pelo Banco Central ao processo de saneamento do Banestado é de tal ordem que não se pode admitir, sem prejuízo incontornável, a ‘‘politização’’ do tema como desejam os que pretendem surfar eleitoralmente em cima do tema. Como é questão autodestrutiva por excelência, recomenda-se que o exame de quem quebrou fique precisamente para a campanha eleitoral e não agora, já que as evidências são claras de que todos deram sua contribuição, incluindo o governo atual com as safadezas monumentais da Leasing (mais de R$ 400 milhões de furo numa conta conservadora que não dimensiona os efeitos mais perversos da emissão de debêntures) e as audácias da Corretora.
Como até a campanha o destino do banco estadual já estaria selado, pois caso contrário sofreria a inevitável intervenção, teríamos espaço para recompor historicamente o exercício canibalesco inseparável da gestão desses complexos financeiros estaduais. Só que isso iria encher a paciência dos eleitores, uma vez que a maioria esmagadora está convencida da insustentabilidade dos bancos estaduais, produtores de moeda, UTI de inadimplentes manobrada por políticos.
Imaginaram uma troca de documentos, de afanos e desvios em xerox, correndo de mão em mão? Quem se habilitaria a comprar o banco depois desse estrago é que é difícil saber. Aliás há uma tradição no Banestado: a de que o denunciante, como se deu com Álvaro Dias, ao tocar no temível braço paraguaio, ajuda a baixar o valor do setor que dizia pretender vender.
Quem quebrou? Todos, uns mais, outros menos. As histórias são cabeludas e algumas anedóticas como a daquele cliente que queria trocar seu débito, hoje em dois milhões de dólares, por sêmem de gado, coisa de porra louca. No período de transição dá para tentar executar esse pessoal e denunciar os detalhamentos de operações obscuras. Será, no mínimo, divertido.GLOSA
Substrato do Viagra na Torre de Pisa deixou-a eretíssima. Mas, depois, inclinou-se respeitosamente à façanha e assim permanece.
AXIOMA Neivo Beraldin sacou um slogan ‘‘100% voc꒒. Ora se assim for, não é nenhum por cento ele. É doação pessoal demais, total, o que soa postiço.
BIZARRICE Um besteirol sistemático nos institucionais do governo. Além daquele dos gaúchos e cariocas, bestificados com o Paraná, e que não pretendem deixar os pagos, esperando que os feitos paranaenses cheguem até eles, apareceu um outro de mineiros, elogiando as vilas rurais: só que na hora em que um deles sugere a ida ao sul passa uma boazuda rebolando e com aquilo o sujeito acaba se convencendo de que o melhor é ficar por ali. Elogio ao Paraná e um oblíquo piche na mulher paranaense, enfim uma rebundância, inspirada em Carla Perez.
FILOSOFIA ‘‘Os homens são os únicos animais que se devotam diariamente a tornar os outros infelizes. É uma arte como outra qualquer. Seus virtuoses são chamados de altruístas.’ Henry Louis Mencken.
SPRAY Neste fim de semana começa a cobrança do pedágio, mas as primeiras ações judiciais contra a medida pintam no Paraná inteiro, onde houver a novidade.- Não está afastada a hipótese de manifestações mais duras, incluindo bloqueio nas vias.- Muitos usuários, no entanto, concordam que a situação melhorou: é o caso de quem veio de Guarapuava e que se impressionou com o atendimento de socorro na estrada a veículos e pessoas.- A partir da cobrança espera-se, com as concessões feitas, até aqui pequenas, que volte tudo ao normal e que se reduzam ao mínimo os gestos de hostilidade.- Rafael Greca no programa Ogiê Buck na CNT sugere que o mito de Saturno, aquele que devora os próprios filhos, estaria nas nossas práticas. Não se sabe se a referência é a Lerner ou a Cássio Taniguchi com quem não sabe lidar na base da sutileza.- Do nanismo político se chega ao nanismo sindical: a refundação da tendência ‘‘Unidade e Luta’’ na Central Única dos Trabalhadores, em Curitiba, semana passada, e que está comprometida com ‘‘visão classista e inspiração socialista, de caráter suprapartidário’’. É mais jurássico do que o discurso do Brizola. Depois de tudo o que houve, qual a referência concreta de socialismo: o de Cuba, com o povo desesperado para entrar no consumismo, ou o da Albânia, com a sua gente se virando para sair do país, antes e depois do regime?- A pesquisa da ‘‘Vox Populi’’ que dá Lerner com 34, Álvaro Dias com 28 e Requião com 22 garante segundo turno, mas a simulação entre o governador e o senador peemedebista dá vitória folgada no primeiro turno. Não é boa para o governo, pelo menos na visão dos seus áulicos, e também para a oposição que depende de uma soma de fatores para sair-se bem na empreitada.- Caminhão que retornar de Paranaguá, mesmo sem carga, vai pagar pedágio pela impossibilidade de uma espécie de controle casuístico.-
EPIGRAMA Sai hoje, outra vez, para os jornalistas o ‘‘carneiro afrodisíaco’’ do Maurício Fruet na Casa do Búfalo do Parque Castello Branco. Assegura o ex-prefeito que se trata de algo natural, não alopático e muito simpático, que supera facilmente as propaladas virtudes do Viagra sem efeito colateral.
FOLCLORE Logo que o Luis Manfredini, jornalista, militante do PC do B, voltou da Albânia reuniu colegas e começou a projetar slides sobre a Albânia que acabara de visitar e que homenageou com um livro. Perguntado pelo Valério Fabris se havia ‘‘culto à personalidade’’ na pequena nação dos Balcans disse peremptoriamente que não. E passou a nominar as fotos: esta é a estátua do Enver Hoxa, esta é a escola em que ele estudou, esta é a creche e assim por diante. Pelo jeito havia tantas referências do líder como ‘‘Faróis do Saber’’ com o Rafael Greca e muito mais certamente do que o totem do Lerner.
CROMO ‘‘Obumbrado pelo trovão// deslumbrado de corisco// ofuscado por relâmpago// entontecido nas iluminuras.// Colhido fora do aprisco// no evento do âmago// desprotegido solitário// sob árvore nas alturas// foi queimado pelo raio;// levado pelo rabecão.// A morte caiu do céu// sim ou não?//’ Versos anversos inversos quase submersos do Walmor Marcelino em ‘‘Intempestivo’’.
AFORÍSTICO Quem diria Anthony Quinn no Bigorrilho e o senador José Eduardo Andrade Vieira em aproximações com o sucedâneo do Partido Comunista, o PPS!

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