Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Compulsão carnavalesca
Uma das vantagens de Cássio Taniguchi sobre seus antecessores é a de sua parcimônia com propaganda. Está emparelhado nas pesquisas com os primeiros lugares no ranking de prefeitos. A cidade estava carecendo de seriedade depois de tanta carnavália como as passagens de Lerner, a de Requião e, obviamente, a mais hedonística de todas, a de Rafael Greca. É um contraponto ao festivismo.
Pois Lerner no governo insiste em carnaval: deu para perceber que enquanto os agricultores se desesperam por não ter a quem apelar, com oitenta ordens de despejo não cumpridas, como o demonstraram ontem na Assembléia, o governador, como se fosse uma reencarnação do Pangloss, de Voltaire, inaugurava sua mais recente criação, a Universidade do Esporte, que o projeta na mídia nacional, como se deu com o Rexona (aquele que não neutraliza os miasmas da Leasing Banestado, como se verá na campanha e na denúncia do Ministério Público Federal). Como dar prioridade a uma coisa dessas num momento em que hospitais não atendem porque o governo não paga suas contas e o IPE, Instituto de Previdência do Estado, não ampara os miseráveis servidores públicos com os seus salários arrochados há três anos?
Por que essa preferência pelo espetáculo? Porque é um ritual ao qual se ajusta o governador. Não tem coragem de cumprir a lei, como o demonstra ao não recuperar suas prerrogativas na área de segurança. Com isso vende a imagem de que não é político, ainda que deles seja mais do que um comparsa e em alguns casos nitidamente um refém, comprometido até a medula em não investigar irregularidades de todos conhecidas e ainda premiando seus autores.GLOSA
Pergunta o advogado e anarquista Elísio Marques: O Rubens Tabule permanece por que o Aníbal Quibe?
AXIOMAO PSDB tirou slogans, vinhetas e teasers da propaganda do governo Lerner por decisão da justiça eleitoral. Mas fixou jurisprudência para que se tome idêntica providência com as de FHC do Brasil em Ação. O ódio político tolda o raciocínio e, quanto mais provincial, sempre será mais irracional.
BIZARRICEInvadem a Prefeitura num assalto e o governador acha que a violência no Paraná refluiu a zero. Ontem houve aquela cena do cerco ao Passeio Público aterrorizando meio mundo e o governador ainda guardava o brilho da inauguração da Universidade do Esporte. Será que quando assaltarem o postinho bancário do Palácio Iguaçu ele vai começar a se mexer?
FILOSOFIAO pior governo é o mais moral. Um governo composto de cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas, quando os fanáticos tomam o poder, não há limite para a opressão. É mais uma lição do Mencken, ele próprio longe do figurino da tolerância. O conceito é irretocável: no Paraná tivemos vários governos moralistas, todos eles autoritários e nada vacinados contra a corrupção. Exemplo: o curtíssimo período de Leon Perez.
SPRAYO governo lançou um anúncio em que dois cariocas desejam, já que não suportam o frio paranaense, que o Paraná vá até eles. Pelo jeito o Rio chegou antes aqui como se viu ontem no clima de guerra civil no centro da cidade, muito parecido com aqueles cercos militares de favelas do Rio.- O pessoal da propaganda está ficando profético: exportamos imagens de feitos bons e importamos a Baixada Fluminense.- Ontem tivemos manifestações brandas contra o pedágio em São Luis do Purunã, onde aliás é péssima a condição da pista de rolamento com ondulações próximas de uma tábua de lavar roupa.- Elas vão se tornar mais pesadas na medida em que o governo não der respostas adequadas ao chio contra os parâmetros adotados e que não foram convenientemente esclarecidos.- O secretário de Transportes, o impetuoso Herwig, adiantou que o absurdo da tarifa corsária teria inclusive aumento, logo no primeiro dia de sua cobrança, o que depois o governo desmentiu, via Palácio, o que mostra que as ondulações não são apenas do asfalto.- Ontem não foi um dia agradável para o governo, pois um dos seus melhores integrantes, Miguel Salomão, teve que ir à Associação Comercial debater o destino do Banestado, que já está selado. E com um detalhe, conforme declaração do Banco Central: se tudo não estiver pronto até o dia 30, o governo não poderá contar com os recursos do Programa de Reestruturação do Sistema Financeiro Estadual e das Dívidas dos Estados e Municípios, PROES, e corre o risco de intervenção.- Por sinal que ontem soube-se que o mico dos títulos estaduais de Alagoas ficou para o banco. Sem falar nas empresas que estouraram como Malas Ika e tantas outras.- Semana que vem sai o resultado preambular do concurso de Juiz Substituto no TJ: 150 permanecem para fazer as provas teóricas em agosto e orais em outubro. Vagas são apenas em número de 40.-
FOLCLORE 1 Elísio Marques, anarquista e coxa branca, inconformado com a palhaçada do suborno, diz que hoje não vai ver o Atletiba e troca o futebol pelo roquinroll. E quem se espanta com sua decisão, esclarece: Mais valem vinte anos de Blindagem do que dez anos de sacanagem!
FOLCLORE 2O Aramis Chaim, livreiro, ouviu o Pedro Malan, o ministro, falar com tanto otimismo sobre a situação brasileira (as reservas, câmbio, perspectivas futuras) na Associação Comercial que não hesitou em chamar a nossa principal autoridade financeira de Pedro Malansartes. Outro dia quem fez uma brincadeira com Malan foi FHC por causa de uma pintura clássica em que aparecia um cidadão, parecido com o ministro, ao lado de um cão, na Europa, ao perguntar qual dos dois era mais assemelhado.
CROMOA terra é azul, gritou Gagárin, emocionado, lá do alto do Sputnik: a pílula salvadora, o Viagra, também é azul, mas tal qual, na visão do pioneiro do espaço, pode dar vertigem, ainda que emocione intensamente.
AFORÍSTICODepois do cerco policial ao Passeio Público, o governador vai reagir: afinal, foi ali nas mesinhas do Bar do Pasquale que começaram as suas artes de político improvisado e o santuário de tantas memórias acabou violado como a sede da Prefeitura em que imperou. As razões se acumulam para que o governador tome ciência da gravidade da situação: o centro da cidade já não difere do Alto Maracanã. Vamos andar de armadura metálica nas ruas.





