Luiz Geraldo Mazza
O governo paranaense é frágil. Deu para percebê-lo desde o início, quando das tropelias do triunvirato (Gionédis, Gerson Guelmann e Fernando Ribas Carli), que criou algo pior do que uma ponte levadiça para dificultar as aproximações de políticos com o governador. O pior viria mais tarde, em eventos como o da derrubada da hierarquia da Polícia Militar (coronéis Bortolini e Mainguê), por uma jogada primária de políticos, sob a batuta do presidente da Assembléia. Há fraquezas que se aproximam da pusilanimidade.
Agora há outra articulação, para forçar a reforma do secretariado e queimar uma das principais figuras do governo, Miguel Salomão, à qual o Palácio Iguaçu, através dos seus íntimos, começa a emprestar ressonância. O argumento, dos mais safados porque desmoralizado pelos números da arrecadação estadual (que cresceu consideravelmente em mais de 50% em dois anos, com um ganho extraordinário, mesmo com a deflação do período), é pinçado por todos e vai ganhando, depois de bem explorado em especulações jornalísticas, o status de axioma, verdade incontestada.
Como o governo vai mal sob o ponto de vista do efeito demonstração, pela circunstância de não haver obras palpáveis e tão somente abuso na propaganda (fala-se que foram batidos todos os recordes em 1996, com média de quase R$ 4 milhões mensais, o que infelizmente não dá para apurar, porque esse sempre foi o reino da caixa preta e com escasso retorno, como se vê no sentimento generalizado de decepção no interior), as omissões do situacionismo acabam se transformando em nutrientes de Álvaro Dias.
É que este, em função do papel exercido na campanha da reeleição, está sendo olhado, pela maioria dos prefeitos, como o interlocutor do momento dos municípios, já que teria maior prestígio do que Lerner junto a FHC e maior credibilidade, até pelo fato de o Paraná não dispor de recursos para as reivindicações de campanário.
Um governo que se deixa minar pelos boatos carece de coesão interna para impor-se e por isso é vítima de vulnerabilidades que o arrastarão, se não houver um basta, a processos sadomasoquistas de autodestruição. O apego do núcleo mais vinculado ao governo, aquele que por ciumeira e receio de perdas de posição isola o governador numa redoma e com o isso o desinforma, é uma das causas dessa desagregação.
E por via tortuosa fazem um papel, ainda que não desejado, pior do que o da deslealdade manifesta e da ingratidão no caso (que afinal não surpreende) de Antonio Belinati.
BIZARRICE - Semana passada, o ex-deputado Lourenço Fregonese convidou para um barreado em sua casa, na Prainha, o que se poderia chamar de fauna das mais pluralistas, integrada pelo governador atual e seus antecessores (Mário Pereira, Álvaro Dias, José Richa). Com posições divergentes sobre temas como o da reeleição, foram unânimes em repetir o prato, o que simbolicamente não deixa de favorecer a tese de FHC e da qual Álvaro Dias é aqui o maior beneficiário.
SPRAY - O senador Requião é bem capaz de convocar na CPI dos precatórios a Corretora Banestado, que operou com títulos de Santa Catarina, Sergipe e Alagoas. - Numa de suas intervenções, conforme a imprensa nacional registrou, e a regional não, Requião fez referência a um documento do Tribunal de Justiça, segundo o qual uma solicitação de pouco mais de R$ 20 milhões para pagamento de precatórios foi ampliada para várias centenas de milhões. - Veja desta semana critica o que chama de afoiteza do senador neste caso e isso fez lembrar a denúncia dele contra a Editora Abril, de haver tentado chantagear o Grupo Bamerindus. - Repasse de recursos do FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico) da ordem de R$ 17,176 milhões para a montadora Renault deu margem a pedido de informações do Doutor Rosinha e do vereador Tadeu Veneri à presidência do Banestado. - A Renault já está levando vantagens antes de entrar em operação: emite, como já disse várias vezes, perto de 7 mil notas fiscais por mês relativas a peças e acessórios. - O regime de parceria está curiosamente exposto numa coincidência: as sedes de escritórios da Renault e do porto seco da Cidade Industrial de Curitiba funcionam no mesmo prédio do Instituto Jaime Lerner, no segundo pólo gastronômico da cidade, o da Mateus Leme. - A Headds perdeu a conta da Volvo, entre outras coisas por causa de um frágil retorno de campanha dos automóveis da linha. O curioso é que em termos paranaenses o produto Volvo mais conhecido pelo público - e também o mais usado - é o ônibus. Outro mais visto é o caminhão pesado. - Depois do desfrute de aparecer ao lado do seu colega Suplicy no guardamento do senador Roberto Caxias, na telenovela da Globo, a senadora Benedita da Silva defendeu a mordomia do Senadinho no Rio. Não se ajusta mais ao PT o discurso moralista e isso nada tem a ver com o caso do Vaccarezza, não o precursor da aproximação com o malufismo, mas, sem dúvida, um pioneiro.
FOLCLORE - Foi preciso um livro de memórias sobre Getúlio Vargas para que se tomasse conhecimento de um caso do ditador com uma senhora da alta roda do Paraná. Hoje um fato desses seria rapidamente divulgado, mesmo antes de ser comprovado na hipótese de relações informais com homens do poder estadual, municipal ou federal. Entrar na história pela alcova é algo que faz a alegria dos alcoviteiros. A revelação, por exemplo, de que Jânio não recebeu Carlos Lacerda em Brasília não porque estivesse conspirando, mas porque tinha encontro com uma mulher, apareceu recentemente. A própria revolução de 30 transformou João Pessoa num mártir, quando tinha sido vítima de crime passional, muito mais nítido do que o de PC Farias.





