Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
A caixa preta
Auto-proteção excessiva legitima a caixa preta. Qualquer entidade pública, ao ser posta em questão em torno de sua eficiência, costuma esconder o essencial para garantir a paz corporativa. Todos viram a reação em São Paulo contra os sistemas de avaliação para o seu corpo docente. Como de resto notamos, num outro sentido, recentemente a histeria da UNE contra o provão, que acabou se mostrando um instrumento efetivo de credenciamento do ensino público. A universidade sempre escondeu seus gastos, razão pela qual as pessoas mais sérias, que não entram na onda passional das greves (quase todas inócuas por não terem servido sequer para uma autocrítica), olham com muito ceticismo o seu desempenho.
Um estudo recente da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação mostrou a perversidade da relação aluno-professor e aluno-funcionário nas nossas unidades. O Paraná, então, se saiu pessimamente: enquanto no Brasil há 8,93 alunos por professor e 5,66 por funcionário, na Universidade Federal da terra chegamos a 9,24 alunos por professor e 4,95 alunos por funcionário. A referência européia é de 20 alunos por funcionário e de 15 alunos por mestre.
Como é que se racionaliza uma questão dessa gravidade quando o consulado que sustenta politicamente a Universidade, em função das eleições diretas, tende, é claro, a adotar, como sempre, uma postura protecionista? Em que posição ficaria o reitor, eleito pela comunidade, uma distorção que quase elege um bedel em Brasília avacalhando o sonho de Darci Ribeiro por pura demagogia, que tivesse que apurar essa produtividade, mexendo num dos segmentos que o elegeram? Por isso é que as universidades não querem ir atrás de recursos junto à iniciativa privada, vendendo tecnologia de processo e de produto (se é que a temos em disponibilidade, tal a vacuidade de grande parte do trabalho nessa área), habilitando-se enfim a uma verdadeira autonomia e que fuja, é claro, da dependência das tetas do tesouro.
Se a Universidade de São Paulo pode fazer isso com tranquilidade, por que as outras estariam impedidas de fazê-lo? É claro que a Universidade do Paraná tem seus enclaves de excelência, que não são muitos, e que estariam habilitados a essa função. Uma dessas áreas é a de engenharia florestal. Uma certa dosagem de pragmatismo não faria mal ao nosso terceiro grau. Essa atitude teria efeitos multiplicadores fortíssimos, adensando a relação com o mercado, especialmente o de sintonia fina.
Para começo de conversa, uma reflexão que poderia ser feita no andamento da greve atual seria justamente essa dos níveis de produtividade na relação aluno-professor, aluno-funcionário. O que valeria por extensão ao terceiro grau do Estado, que já deveria estar entregue aos cuidados da União. Se o Paraná, que teve de 64 para cá três ministros da Educação, fosse respeitado, já teria acontecido.BIZARRICE
Duas sacadas do governador, sugerindo dureza com empreiteiras nessa questão do pedágio, são suspeitas: a primeira no estrilo da Páscoa, afinal o ovo de Lerner e não o de Colombo, para transferir o ônus dos engarrafamentos aos consórcios, e a segunda essa agora, já repetida, de que o sacanearam ao construírem os postos em primeiro lugar. Foram mais sinceros que o governo, pois querem colocar o faturamento acima de tudo. E estão certos, pelo menos dentro da chamada lógica dos capitalistas.
Ao Judiciário, gente, pois no Legislativo a casa é do amém. Como sempre.
GLOSA O governo diz que detém a maioria dos prefeitos do PDT, mas sua direção atual, com bastante devotos mas sem votos, contesta. Segundo ela, 55% dos militantes querem a candidatura própria. A notícia de que o governo tinha a maioria quase acertou aquele olhar divergente do Nelton Friedrich.
AXIOMA Agora com a vitória do Rexona o mau cheiro da Leasing desaparece.
Não deixa de ser uma prova de eficácia do produto, aliás aplicável em outros campos do governo, como se sabe notoriamente.
SPRAY Comerciários, com uma postura arcaica, visível em toda a resistência a toda e qualquer tentativa de ampliar horários de funcionamento em shoppings e super e hipermercados, querem impedir o Extra de operar 24 horas.- Num momento de quase recessão e desemprego adotam essa posição irracional porque, pelo jeito, não querem fazer a fiscalização que lhes compete em ajuda à Delegacia Regional do Trabalho.- Os sindicatos estão esvaziados de sentido no momento e em lugar de mudarem processos comportamentais e definirem como causa maior a manutenção e ampliação de empregos, partem para uma dessas.- Se em São Paulo (a Capital e Campinas) e no Rio já existem unidades operando em 24 horas (oito das 17 da organização), certamente com aval do sindicato. O que caberia a esse pessoal daqui era saber que tipo de acordos foram estabelecidos para preservar os interesses que pretenderia tutelar.- Oposição já sabe que não dá para enfrentar o governo no campo Legislativo a não ser discursos inócuos. Essa a razão pela qual o deputado José Maria Ferreira vai entrar com ação direta de inconstitucionalidade contra o Paranaeducação. É sinal de vida, o que convém mostrar para animar a militância, aliás inexistente no PSDB.-
SCAPS Pedro Bial, no último Fantástico, antes da apresentação do balé Kirov, deixou escapar que aquilo era coisa de viado. O áudio flagrou, tal qual se dera com o ministro Ricupero. Agora só falta o jornalista usar sapatilha para mostrar que não tem nenhum preconceito.
FOLCLORE Essa aconteceu em Paranaguá, na primeira década do século: Tertuliano Muller pedia na Alfândega ao empregado que chamasse algumas pessoas convocadas, e ele disse entre outros nomes o de Quinhentos Réis de Bosta. Seguiu-se ao enunciado o aturdimento com o senhor Quintilhano Reis de Bastos se queixando, e com toda razão, que haviam lhe trocado o nome.
CROMO O copo da água contém a rosa votiva para a santa popular Maria Bueno: o martírio da doméstica, no fim do século passado, a levou à beatificação na jurisprudência das multidões de crentes.
AFORÍSTICO Em São Paulo o PSDB, via Covas, quer por Maluf na cadeia: aqui Álvaro Dias o deseja em aliança e depois se diz alinhado com FHC.





