Luiz Geraldo Mazza
Depois de beneficiar-se com o desembarque das tropas palacianas que decidiram o pleito em seu favor, o prefeito Antonio Belinati, de Londrina, numa jogada, bem ao seu estilo, sugere uma espécie de guerra da secessão pela maior participação do norte paranaense nas decisões políticas e administrativas. Assim, brandindo um discurso inteiramente oposto ao que o elegeu, explora o filão de um velho ressentimento, altamente pregado pelos oposicionistas durante a eleição municipal.
Que é verdade que o governo está com presença precária não apenas ao norte, mas de certa forma em todo o estado, todo o mundo sabe e não será a propaganda massiva, aquela que convida a todos para descobrir no deserto de realizações um oásis de generosos feitos, absolutamente virtuais e pouco virtuosos, que irá convencer.
Mas de todo o espetáculo sobressai a intervenção da primeira-dama, Fani Lerner, dizendo aquilo que o marido, por estilo, jamais proferiria, ao cobrar, com extrema firmeza, ela que é expressão de delicadeza, coerência do Belinati e prometendo fazer desembarcar em Londrina, na data da concentração, todo o governo para mostrar o que se está fazendo no setentrião.
A reação foi boa e pedagógica, mas não será fácil ao governo, a não ser que se convoque o David Coperfield para as artes da prestidigitação, para exibir referências que não sejam hipóteses de trabalho e promessas ou então obras do varejo administrativo de reduzida significação.
A reação guerreira de dona Fani, primeira-dama, tem um outro significado, o de convocar também a primeira-dama londrinense, dona Emília, outra figura sensível do nosso cenário político, à reflexão de que ela também é governo e dele inseparável por ser inclusive a regra três do governador, a quem já substituiu várias vezes.
Belinati nunca escondeu as suas pretensões de ocupar o Palácio. Tanto que tentou, juntamente com Lerner e mais Otávio Cesário e outros, disputar no PDS essa possibilidade com Saul Raiz, que seria o ungido para encarar Richa em 82.
Quando enxerga a ascensão de Álvaro Dias, num momento em que a estrela de Rubens Bueno esmaece, percebe que no terreiro nortista possui uma inegável faixa de liderança que deve ser potencializada. Jogando contra os que o elegeram, faz manobra ousada, eticamente aceitável porque discutir esse assunto é de um ridículo atroz, e mexe com toda estrutura do poder. Qualquer avanço que haja nesse sentido, obras ou prestígio, será faturado por ele e para evitar até que beneficie o Hauly que tanto bateu na tecla divisionista.
Oportunismo, nada mais e militarmente esse convite à guerra lembra em parte a famosa linha Maginot dos franceses na primeira conflagração mundial, tão vaga quanto a Batalha de Itararé, a que não houve.
BIZARRICE - Comentário sobre a campanha da reeleição, deflagrada ontem em Ponta Grossa: De Capital Cívica, a cidade virou Capital Cínica.
SPRAY - Bateria de cartas anônimas sugere que Belinati quer apenas empregar seus parentes no governo, como havia feito com o irmão Vladmir, numa desastrosa passagem pelo IPE. Dá a impressão que voltou a funcionar a Subsecretaria de Assuntos Especiais dos tempos de Requião, aquela das diárias frias. - Fala-se por exemplo no Dante Guazzi, parente de Belinati, e que ocupou a secretaria de Obras. Mas os governos não têm moral para falar nessas coisas: Requião botou irmãos e primo no primeiro escalão e Lerner tem parentes beneficiários de contratos públicos, sem falar no cunhado no Tribunal de Contas. - Deles todos, Álvaro Dias foi o mais discreto: tendo número de irmãos suficiente para montar um time de pelada, nomeou apenas o Osmar Dias. - O PDS vem aí: Villani, Iensen, Balbinoti e Johnson no PSDB. O mundo vira de cabeça pra baixo, tanto que o candidato das esquerdas à Câmara é o Prisco Viana. É o malulafismo em marcha. - Quem se detiver na análise evolutiva da progressão demográfica verificará como a infra-estrutura pode secar ou alavancar uma região: até a década de 50-60, Bocaiúva tinha a média aproximada de 20 mil habitantes. No fim dos anos 50, com a BR-2, hoje BR-116, a cidade esvaziou porque o tráfego da estrada da Ribeira deixou de beneficiá-la. Caiu bastante o número de oficinas mecânicas que lá operavam e em 70 caía à metade (10.697), de 80 a 90 persistiria com 13 mil e entre 91 e 96 ficaria com 7.600 para subir um pouco no ano passado a 8.572. - Outra questão curiosa: Fazenda Rio Grande, por estar próxima da Cidade Industrial e da Refinaria de Araucária, ficou com maior população no distrito do que na sede Mandirituba. Essas oscilações provam que não há qualquer planejamento quanto a usos do solo e as coisas se dão num processo espontâneo. - Não se sabe ainda quais os ganhos em cargos do PSDB paranaense com a ofensiva pró-reeleição. Telepar era para Rubens Bueno, mas a cotação do ex-prefeito de Campo Mourão baixou.
FOLCLORE - Como a jornalista Ruth Bolognese passou a comandar uma equipe de primeiríssimo time para fazer matérias especiais no governo, saiu a piada de que era o dream team, enquanto o da turma de Greca era o drink team, referência ao Jorjão (Jorge Mosquera) e ao Alceu Rizzi, a turma do funil, à qual pertenço com orgulho e com maioria superior à da reeleição. Outra glosa era a de que essa Ruth protegeria uma comunidade pouco solidária, ao contrário da outra, a primeira-dama. E que o núcleo de jornalistas seria um Grupo Tigre, porque trabalham mascarados e escondidos.
CROMO - Pulsa no interior da alva ostra, a fosca e gloriosa pérola.
AFORÍSTICO - Que tal, daqui para a frente, a primeira-dama preencher o momento de mutismo do governador?





