Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Lula lá, Maluf cá
As bases petistas não querem apoiar Garotinho no Rio e com isso ameaçam todo o esquema de oposições e das esquerdas, cada vez mais próximas do nanismo. Como a imperiosa razão, que pode ser a de Estado ou a de partidos pouco ligados em liberdade e democracia, se sobrepõe a tudo, o Diretório Nacional fará valer as discutíveis prioridades da causa, se é que existe uma, para acertar alianças com o PDT do caudilhesco Brizola.
Como aqui também as supostas bases do PPB estariam ensaiando um vôo claro de oposição (a rigor uma valorização de espaços) e chutando o cachorro morto, pelo menos na opinião pública, do macete do pedágio (fonte provável da grana maior da campanha, já que as outras estão secas como seio de mãe etíope), quem interveio, também no estilo que o PT vai adotar para segurar a rebelião dos cariocas festivistas, foi o Maluf. Igualmente com um gesto imperial, tal qual pretende Zé Dirceu, o líder do partido dos precatórios está pressionando seus seguidores paranaenses para se juntarem a Lerner pela reeleição.
É um espetáculo de baixo nível, mas que traduz o variável conceito do que seja democracia partidária. Mais tarde o teremos no PMDB: como vai aliar-se a FHC é quase certo que o grupo requianista majoritário ficará sujeito a adversidades semelhantes. E depois os enfatuados políticos ainda querem que a sociedade os leve a sério. Primarismo à esquerda e à direita, à brasileira.
O mais curioso é que de repente a intervenção de Maluf desagradou também os lerneristas. Ao observador da cena só pode ser por alguma razão doutrinária e ideológica relativa aos interlocutores para uma possível partilha de recursos em troca do espaço eleitoral. Essa, aliás, uma tolice, pois já não tem a importância do passado, quer quanto à frequência, quer quanto à audiência porque a TV a cabo, por exemplo, nos libertou do suplício, que nem educa e muito menos democratiza, do abominável horário gratuito.AFORÍSTICO
Se excluídos votassem em excluídos seria uma farra moral, mas qual candidato, dentre esses que conhecemos, teria ousadia de posar como tal?
AXIOMAO Ipardes deu uma previsão de número de empregos nas montadoras em seu boletim de análise conjuntural, que na última edição aumentou como por milagre. O técnico e o cientista têm que aprender no convívio com o governo o conceito variável da verdade a que Fernando Henrique se referiu.
DEFINIÇÃO Empresário, segundo Henry Louis Mencken, é o único homem, além do verdugo e do gari, que vive se desculpando por sua ocupação, para fazer parecer, quando atinge o objetivo do seu trabalho - isto é, ter ganho uma montanha de dinheiro -, que o dinheiro não era o objetivo do seu trabalho.
BIZARRICE Perguntavam-se os jornalistas portugueses depois da Revolução dos Cravos Como fazer jornal sem o censor? Agora há uma inquietante pergunta no Paraná: Como editar noticiário político na ausência de Aníbal Khury?
SPRAY A menina símbolo, a Adébora, paradigma da campanha nacional contra o trabalho infantil, vejam só, é atendida pelo programa Da rua para a escola e isso foi esclarecido ontem pela primeira-dama, Fani Lerner.- Isso mostra a extrema vulnerabilidade do governo.- Na campanha, Lerner bateu no fato de o Paraná ser o medalha de prata em criança em idade escolar fora da sala e no mercado de trabalho, atrás do Piauí.- Houve melhora na situação e o cadastro de 35 mil que estão em sala de aula amenizou o problema, mas o governo não sabe marcar em cima para evitar desgaste na comunicação. Falta determinação do governador em mobilizar a equipe, mostrar energia e espírito clânico.- O fato de Adébora receber em sua casa, com seus dois irmãos de Amaporã, a cesta básica, é prova disso.- Um detalhe: a cesta é baratíssima, custa 30 reais (obtido em economia de escala junto à Ceasa e empresários) e permite àqueles que lutam pela casa própria o uso dessa reserva, a que gastariam em alimentos, no pagamento da prestação, que é de 20 reais.- O Paraná, enquanto não conclui o programa de saneamento do Banestado, deveria ficar de olho na solução de São Paulo: anteontem Mário Covas transferiu os itens estratégicos do Banespa para o Nosso Banco, Nossa Caixa. Por ora a grana dos 800 mil funcionários ficará no Banespa, mas na sequência irá para o banco substituto. Giro de R$ 1 bi. É mole?- Enquanto vemos isso, a solução local aponta para a manutenção de 49% das ações, o que só se aceitaria com o intuito de explorar a valorização subsequente ao saneamento e à privatização para então reduzir de forma significativa essa participação.- Outra coisa: que moleza é essa de dar juro subsidiado ao maior empreiteiro do Paraná, o Darci Fantin, da DM, vitaminado no governo Álvaro Dias com a construção da hidrelétrica de Segredo? - Fantin tem entre seus empregados, hoje em outras atividades, o ex-ministro dos Transportes Deni Schwartz e o atual diretor-geral da Itaipu, Euclides Scalco. O empresário cresceu no governo Canet Júnior gramando represas, isso é fazendo trabalho de paisagismo, apoiado pelo presidente da Copel, Arturo Andreolli, um dos mais profícuos dirigentes da estatal e na sequência acabou absorvendo a Habitação que era do ex-governador.
PERSONALÍSSIMO Fui aceito para a cadeira 20 da Academia Paranaense de Letras e estou recebendo manifestações de aplausos de todos os cantos. É a prova de que as pessoas, dentre elas algumas fortemente criticadas, apóiam a entrega do bastão que recebi de Samuel Guimarães da Costa numa linha de jornalismo, o quanto possível, aberto e provocador no mais nobre propósito pedagógico.
FOLCLORE O Banestado de banco de todos nós se transformou em banco de todos os nós. Desatá-los não é fácil, ainda mais que a cada momento há uma nova ação, inclusive deste governo para confundir tudo. Com tanto juro subsidiado é claro que setores empresariais importantíssimos não querem a privatização dos outros, mas aquela em favor deles, que é manter as coisas como estão, conforme o Lampedusa na epopéia garibaldina em O Leopardo.
CROMO A mestra na aula de versificação, corrige rimando: isso não é teu// é do Casemiro de Abreu.





