Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
O público e o privado (I)
Se o público no Brasil já era um espaço privado, que chegou a inspirar a sugestão de Roberto Freire para que se desprivatizasse o Estado, imagine-se agora como será difícil fixar limites de um e de outro. Há uma ideologia em voga, babaquíssima como toda formulação confessional e totalitária, de que é preciso buscar o Estado mínimo, aberração incabível em países com as dimensões e os problemas do Brasil. O minimalismo é uma estupidez porque não é praticado nem nos States, nem no Japão, nem nos países europeus, o que, portanto, mostra a inexistência de paradigma.
No Paraná embarcamos numa onda intermediária, a de delegar a organizações chamadas sociais papéis antes conferidos ao governo. Vieram os modelos do Paranacidade e Paranaeducação e certamente virão outros. Há entusiasmo, por vezes excessivo, em relação aos seus efeitos. Dá para lembrar que quando veio a onda das empresas de economia mista ou públicas, que prometiam aumentar a eficiência (e isso não aconteceu na medida esperada, haja vista para a elefantíase do Badep, Copel, Sanepar e congêneres, para não falar em exemplos piores do governo federal), também a expectativa era de uma revolução e com a criação de quadros profissionais e de excelência. Não consta que quando houve o fechamento do Badep tenha ocorrido uma busca desesperada pelas empresas privadas dos executivos e consultores desempregados.
Quando se criou a Codepar, que precedeu o Badep e que era mil vezes melhor, percebeu-se que o Estado abdicara de uma função indelegável, a de planejar, tornando-o leigo na matéria, pois a Coordenação do Pladep (Plano de Desenvolvimento Econômico) era um órgão da hierarquia inferior. A laicização do Estado é uma velha aspiração à direita e à esquerda sonhada pelos liberais radicais e totalitários e pelos anarquistas da autogestão generalizada.
Escreve-se agora um capítulo mais perturbador na história das organizações do Paraná com essa questão mal formulada da cobrança do pedágio que não observa qualquer princípio de respeito ao convívio democrático, ao consolidar uma aliança entre governo e empreiteiros que foge a qualquer possibilidade mínima de mediação em favor do usuário. O fato de alguns partidos e pessoas estarem tentando tirar proveito da discussão para vantagens eleitorais não ilegitima a resistência porque ao menos tem o mérito de tirar o governo de sua postura imperial, majestática e, antes de tudo, suspeitíssima, já que insiste em ocultar, esconder, enrustir e não devassar a planilha esotérica.AXIOMA
Na ordem que vem aí até privadas públicas serão privatizadas: tabela de uma coisa e de outra será regulada pelo mercado. Cocô mais caro que xixi.
A PIADA Nelson Padrela, poeta e pintor, revela que num momento de tantas mortes, a ciência descobre a pílula que ressuscita um morto importantíssimo.
EPIGRAMA Vereador Jairo Marcelino, corporativista até a medula, quer extinguir as catracas eletrônicas dos transportes sob o fundamento de que desempregarão cobradores. Os norteamericanos tiveram o Franklin Roosevelt para resolver paradas do gênero com o New Deal. Nós temos o Jairo. Dá para imaginar, quando do advento da motorização, a reserva de mercado aos carroceiros. Façamos a Internacional Socialista para valer, globalizando o trabalho e não apenas o capital.
BIZARRICE Osmar Dias, no encontro de hoje do PSDB, afirma que o partido tem candidato ao governo e que ele é Álvaro Dias. Só falta no PMDB o Eduardo ou o Maurício fazerem o mesmo, dizendo que o candidato é Roberto Requião. O Paraná está cada vez mais parecido com o nordeste, onde a irmandade é lei.
FAMÍLIA A prefeita de Iporã, Maria Aparecida Zago Udenal, do PMDB, vai a Lerner e declara-lhe apoio eleitoral. Obteve, antes ou depois, o ato que colocou o seu marido Nelson Udenal, dois cargos de professor, à disposição da prefeitura com ônus para o órgão de origem. A família que vota unida permanece protegida. Uma solução duodenal porque atendeu a um duo Udenal.
SPRAY Governo finge que não sabe das tropelias entre Polícia Militar e Civil, visíveis, inclusive, no andamento do júri da bruxaria onde três delegados picharam a intervenção dos milicianos no episódio.- Nessa pendência estão envolvidos dois núcleos de elite: o Tigre, da Civil, e o Águia, da PM. Como não temos um Leão no governo, tudo permanece do mesmo jeito. É a lógica dessa fauna.- Em primeiro lugar quem apareceu lá foi o delegado Noronha, como testemunha de acusação, e que baixou o pau na PM, ajudando a defesa.- Depois o Zé Maria Correa, que foi o diretor da Polícia Civil de Requião, testemunhou pela defesa e atacou os milicianos, sob o ponto de vista técnico-legal, e em seguida a delegada Leila Bertolini, também na mesma linha. Está aí: um governo que bate cabeça até na hora de um júri popular.- Cândido Gomes Chagas fermentou a cuca do pessoal da Federação de Futebol: sua revista, a Paraná em Páginas (a turma do Lerner chama Paranóia), em seu número 399, além de bater no governo, o que é redundância, publica um documentário sobre o mausoléu da bola, o Pinheirão, raiz de todas as crises e da fraude.-
A comunidade israelita do Norte (Londrina, Rolândia, Ibiporã) reúne documentos para processar o vereador e presidente do PMDB de Arapongas, Sérgio Onofre da Silva, por racismo.-
FOLCLORE Neco Garcia deu entrevista ao ABC Color do Paraguai atacando Oviedo e dizendo que ele e outros militares não merecem confiança porque teriam posto a mão em US$ 20 milhões do Banco del Paraná. Lerner suspirou, agora o problema saiu de Santa Cândida para o mundo. Assunto é da alçada do Lampréia.
CROMO Da janela do trem, vejo o vento enfunar a saia da camponesa pudica que luta para não expor as pernas. Esse é um quadro de uma época anterior à Rede Globo, quando havia trem e pudor.AFORÍSTICO
Discutir pedágio comendo risoto e polenta não é coisa séria.





