Luiz Geraldo Mazza
Com o pragmatismo reinante na cúpula do PSDB para aliciar deputados e, se possível, senadores, cresce o papel do ex-governador Álvaro Dias no cenário político do Paraná. Isso compensa grandemente os efeitos da derrota eleitoral para Lerner e não reparados pela eleição municipal, onde o maior destaque na escola de samba tucana foi Rubens Bueno, ex-prefeito de Campo Mourão, e que neste momento perde espaços.
Apoiado pelo Gerson Guelmann de FHC, o Sérgio Motta, Álvaro, que é um trabalhador infatigável da política, vai transformar a bancada do PSDB na Câmara dos Deputados na maior de todas. Não se discute, num momento em que não cabe frescuras de natureza ideológica ou doutrinária, se essas aquisições desfiguram o partido e se distanciam do ideário da social democracia e o fazem, aliás, se tornar cada vez mais parecido com o PFL e até mais remotamente, o que é pedagógico, com a antiga Arena, de onde a maioria deriva.
Se houver reeleição, Lerner deve sair candidato, pois não parece interessado, pelo menos neste instante, e isso por questões óbvias, ao canto de sereia do PDT para ser o substituto do Brizola e, se possível, imaginem só, em aliança com o PT, para encarar FHC e Maluf. Para quem ainda se espanta com acertos entre desiguais, não custa lembrar que as esquerdas, segundo o teen Ricardo Gomyde, irão com o malufista Prisco Viana, o velho e competente articulador dos milicos e de Maluf, para a presidência da Câmara dos Deputados,
Com as candidaturas de Lerner, Requião e Álvaro Dias quem se beneficia é o primeiro, já que os outros dois disputam eleitorado parecido. De todos quem se mostra mais agudo e veemente é o senador Requião, que agora não deixa por menos e quer também uma CPI das montadoras, que não vai emplacar porque deputados e senadores têm interesse justamente na descentralização, agora voltada para Norte e Nordeste.
Isso fortalece, de outro lado, a sua decisão de bloquear os empréstimos do Paraná 12 Meses. Além do mais, Requião aparece com algum destaque na condição de relator da CPI dos títulos públicos, na qual deita e rola com denúncias de tramas em bancos e parasitas de diversos calibres.
Para Lerner habilitar-se à reeleição é preciso fazer o governo andar, até aqui num imobilismo que o anúncio do segundo pólo automotivo não altera, pois especialmente no interior a ausência de sua gestão é notória. Claro que com poucos recursos, muita maquiagem e toalete e mais a inegável competência para o marketing, Lerner pode melhorar bastante essa performance e reverter esse dado negativo. Melhor será se o fizer pela iniciativa privada, já que os recursos são por demais escassos e com isso difundir, pelo menos em parte, a euforia produzida pela chegada das montadoras que Requião quer desmontar.
BIZARRICE - Muita crítica em Londrina porque Belinati teria dado R$ 15 mil para o Londrina F.C. e precisou recorrer a antecipação de receita de R$ 8,5 milhões junto ao Banestado a fim de pagar salários de dezembro e 13º do funcionalismo municipal. R$ 15 mil para o Tubarão não refresca, mas envolve o sonho e a outra grana, mais consistente, é para o feijão. O feijão e o sonho sempre são inseparáveis do cotidiano político.
SPRAY - No retorno das praias, em função da poluição generalizada, teremos uma romaria aos consultórios médicos com casos de hepatite, salmonelose, outras doenças gastrentéricas, dermatoses variadas. - Pediatras estão aconselhando as mães para que não deixem os filhos menores entrarem na praia. Urge ampliar o rigor das interdições de áreas com coliformes. - Muita gente chiando com a triagem feita em Pontal do Sul para ida à Ilha do Mel. Para os que passam o dia a tolerância é maior, mas isso está saturando. Fins de semana há mais de cinco mil pessoas na ilha. - Concurso da Polícia Federal, cuja validade se extinguiu em dezembro, havia premiado mais de três mil candidatos que agora tentam, por via administrativa, ter o seu direito garantido. Mas a PF vai, segundo se informa, partir para outro concurso o que mostra o quanto o país contribui para o desperdício. Afinal a bateria de provas físicas, mais as de aptidão intelectual e psicológica, foi pesadíssima e cara e gerou extrema ansiedade nos candidatos, em seguida frustrados. - Instituto de Previdência do Estado, o IPE, está quebrado como todos sabem, mas volta e meia protagoniza situações de extrema desumanidade. Um associado precisou fazer operação de câncer nos intestinos e o IPE se recusou. Como a esposa era do Funbep, a fundação do Banestado, essa cobriu 70% dos gastos e o associado requereu, sem ser atendido, os 30%. Esses ônus, mais o dos casos como o de Maringá, onde se recorreu ao critério da escolha do doente mais grave, mancham a imagem do governo e seriamente.
FOLCLORE - O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, reagiu aos sem-terra e os acusou de chantagem na invasão da sede do Incra em São Paulo por pretenderem R$ 4 milhões para uma fecularia. Se isso é chantagem, afinal baseada numa questão vital dos assentamentos, como se poderia nominar as ofertas do sistema para cooptar deputados e senadores à tese da reeleição? Blefe de lado a lado leva ao pôquer impossível e de non sense em que todos fingem deter a carta máxima. Como os sem-terra querendo agora a Giacomet-Marodin inteira e o presidente o latifúndio parlamentar.
CROMO - O caracol deixa o visgo de sua passagem em ritmo não de banda cambial, mas de reforma agrária.
AFORÍSTICO - Quando o governo está parado ele aflige menos a cidadania do que em movimento.





