Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Os pólos
politico-culturais
O fato de Londrina ter se transformado num pólo regional das teles tem a sua raiz num feito local, antes de tudo: a Sercomtel, obra de várias gestões e que, ao contrário do ocorrido com a Telepar, não se deixou absorver pelas exigências macrocefálicas do sistema e isso bem antes da fase atual. É, então, um fato civilizatório da comunidade, do seu conjunto e que se credita ao sentido de continuidade de uma obra.
Assim, pois, controlem-se os hormônios dos políticos velhos exploradores, no governo ou na oposição, daquilo que não lhes pertence. A Globaltelecom e em consequência o teleporto encontraram nesse pré-requisito um fator decisório; não foi nem a ação das telecomunicações no Paraná, até porque a Sercomtel tem grau suficiente de autonomia, muito menos o empenho do governador Jaime Lerner que levaram os sócios paranaenses do consórcio a fazer a escolha, pois ela se impôs com naturalidade. É motivo de euforia comemorá-lo, mas nada justifica a sugestão, primária e imbecil, de que Lerner estaria fazendo cortesia com o chapéu alheio ao presidir o ato de instalação da Globaltelecom. O curioso é que normalmente a oposição despudorada, a cada feito da Inepar sugere que o governador está comprometido com a empresa e que até pretenderia engolir a Copel, quando ela deve ser parceira na exploração da Banda B.
O relevante, porém, está acima das questiúnculas: o reconhecimento de Londrina como pólo regional e agora num nicho de mercado de sintonia fina, o que pode ter efeitos multiplicadores ainda não devidamente avaliados. Da mesma forma que a Inepar escolheu como seu centro de excelência (fatores interativos nos complexos industriais eletro-eletrônico e metal-mecânico) a cidade paulista de Araraquara (o que despertou uma tola provocação, sugerindo que a empresa se afastava politicamente do governo estadual, quando se tratava de uma decisão eminentemente técnica e logística) também o fez agora com Londrina.
Políticos são especialistas em duas artes - a de pescar em águas turvas e a de descobrir chifre em cabeça de cavalo. O próprio Lerner pretendia que a Inepar negociasse com o grupo espanhol, ferroviário, a montagem de fábrica de vagões em Cascavel quando há no Brasil pelo menos cinco indústrias do gênero ociosas como a Cobrasma, a estatal Mafersa depois privatizada, e tantas outras de igual porte. Nem tudo que a imaginação dos políticos, ansiosos para cumprir o papel de corretores da esperança, é filtrável no campo da racionalidade.AXIOMA
Em Os Miseráveis, de Victor Hugo, o pobre Jean Valjean é perseguido pelo Inspetor Javert, de forma implacável, porque roubou um pão. Aqui nem o cara que afana uma padaria sofre perseguição tão tenaz.AFORÍSTICO
Agora está certo: findo o feriado, Lerner assume o governo. Antes já do que só no próximo mandato.
GINCANA Estudantes secundaristas, agindo no melhor espírito de gangue, estão pulando as catracas das estações-tubo de Curitiba para não pagar a passagem. A URBS, muito educada e diplomática, vai primeiro se dirigir aos colégios, depois chamar a polícia ou a guarda municipal.
Não deixa de ser divertido, mas quem vai acabar pagando o prejuízo é o conjunto da população, tanto neste caso como no quebra-quebra do futebol. Num país em que se legitima a invasão de terra produtiva não assusta que os jovens se sintam estimulados a fazer o folguedo com o transporte. Vandalismo é caso policial. E não pode comportar colher de chá aos liberticidas.
BIZARRICE Cecílio Rego Almeida aprontou em cima do consórcio Tess e ainda denunciou que o grupo que comprou a sua participação é um monopólio. Tirando o caso de Álvaro Dias, em que o empresário não levou a melhor (a hidrelétrica de Segredo), só é conhecido um evento em que perdeu: foi quando pretendeu fazer paisagismo na praia de Guaratuba e pegou pela frente o jornalista Cândido Gomes Chagas, que o acusou de estar privatizando a orla e o suplantou na Justiça. Em briga de campanário as coisas parecem mais difíceis do que nas situações cosmopolitas. Parecem, mas podem não ser.
SPRAY A União Paranaense dos Estudantes está conseguindo recursos federais para a restauração da sede que lhes foi cedida em Curitiba por José Richa, ex-presidente da entidade, quando governador.- Indispensável que saibam zelar pelas instalações, o que não aconteceu anteriormente, quando permitiram a degradação do edifício. Também a UPES e a UCES, que ganharam sede no Juvevê, permitiram que as instalações se transformassem em pardieiro. Precisam ser severamente cobrados, já que isso inexiste entre eles, o que acontecia no passado. Lembro que nos congressos estudantis a cobrança da oposição era em cima da comida do Restaurante Universitário, a condição de funcionamento da Granja Universitária, enfim, coisas concretas para tempero das outras, mais genéricas, de fundo ideológico, alegria de todos nós na guerra fria.- Idéias e acontecimentos do ano de 1968, que conforme Zuenir Ventura não acabou, vão ser enfocados em promoção do governo e entidades estudantís envolvendo mostra de fotografias e foto-jornalismo, exibição de filmes, lançamento de livros, leitura de peças teatrais, depoimentos e palestras de 4 a 9 de maio.- Uma sugestão: que tal convidar o Alcidino Pereira, que estava no olho do furacão nas passeatas intermináveis de Paris? Um curitibano nas barricadas que De Gaulle demoliu, depois de aparentemente derrotado, com uma arma primária: um discurso anticomunista.-
FOLCLORE Ratinho no programa da Marília Gabriela é perguntado sobre sua base de apoio na produção e ele olha para os lados e vê o Furiatti que o ajuda, citando-lhe o nome. Bastou isso acontecer para que o Furiatti mais conhecido, o Paulo, irmão do seu assistente, recebesse telefonemas do Brasil inteiro pedindo cadeira de rodas, encaminhando teratologias, narrando desavenças conjugais. Furiatti teve que trocar o número do telefone e esconder-se.
CROMO Almofadas de veludo o céu parece/ as estrelas alfinetes prateados. Lembro do rebuscamento da Serenata ao luar/ cantada nos anos quarenta.





