Luiz Geraldo Mazza
Luiz Geraldo Mazza
Geléia no ventilador
Adverti, no devido tempo, que a baixa exploração política e emocional da privatização do Banestado seria uma batalha de babuínos, símios que lutam com as próprias fezes. Além de desvalorizar o estabelecimento na perspectiva do futuro comprador, a politização dessa terapia indispensável para o bem do País e do Paraná (e desespero de mal intencionados que parasitam o sistema e não pagam a conta) tornaria impossível o conhecimento real da situação.
Como teremos daqui até terça-feira uma folga, já que comemoramos Tiradentes enforcando o expediente, é possível que com a esteada os agentes da batalha esfriem a cuca e revejam as táticas. A cada momento aparece um aleijão do banco: dois secretários de Estado, pelo menos entre os casos até agora conhecidos, pois é possível que haja mais gente, estão entre os causadores de furos espetaculares, numa operação ruinosa que destruiu uma indústria de tradição e cujo mico ficou para o banco de todos nós e outro por sua passagem tumultuária na Leasing, o da pasta do Esporte, Osvaldo Santos.
E é justamente aí que cresce o papel de Neco Garcia: como não é ligado às tibiezas da metrópole e aos arranjos da falsa elite, chutou o pau da barraca quando falou dos deputados. Exagerou tanto na generalização, quanto no fato de haver atingido os funcionários do banco que estão pagando direitinho, e isso nas consignações em folha de pagamento, e não têm como escapar, o que não se dá com os demais. Deputados reagiram e começaram a relatar absurdos como o de investimentos culturais em cima do filme O que é isso, companheiro? e também aqueles para atender à gula insaciável dos Jogos da Natureza. Enfim, está detonado um psicodrama que a essa altura precisa fluir.
Se houver breque, ele será do governo, ainda que se tente atribuí-lo, em termos de aparência ritual, a Aníbal Khury. A aventura da Leasing soltando milhões de reais sem garantia e até em capital fixo e de giro, o que não é da competência do setor, atinge em cheio Lerner que entronizou o acusado no primeiro escalão de governo. Apesar das 25 notícias-crime (deve-se isso em grande parte a Garcia, que chegou a declarar que a Osvaldo Santos não havia outra saída se não a de deixar o secretariado para não comprometer o governo), tenta-se desesperadamente esconder os fatos. Há ainda a ação temerária da Corretora negociando títulos podres de Santa Catarina e Alagoas.
Os deputados que desejam a devassa geral estão certos. Resta saber se não o fazem com a certeza prévia de que a pizza já está no forno.PARADOXO
Descobrem a pílula da impotência e vem o médico e avisa que a droga é boa, mas na hora agá pode provocar disenteria. Não há potência que o suporte.
MEMÓRIASeria um absurdo que nas comemorações do massacre de Eldorado de Carajás, os sem-terra, em suas manifestações em Curitiba, não se lembrassem do sacrifício de Teixeirinha em Campo Bonito. Foram ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público pedir agilização no processo e na liberação do último preso sem-terra, Nelson Bueno, em Campina da Lagoa.
Quanto ao caso Teixeirinha, a viúva Lúcia Mainko da Silva esteve presente e vai acionar o governo pedindo indenização, alegando que a PM o executou quando se entregou . O processo corre na Comarca de Guaraniaçu, aos cuidados do delegado Júlio César dos Reis. A Justiça Militar havia arquivado o caso, embora o saldo de quatro mortos, dentre eles três PMs, da P-2. Em decorrência desse episódio há outros processos em que Requião tenta enquadrar Joni Varisco, que o acusou de dar ordens para a execução do líder sem-terra.
AXIOMANa cidade, o pavor do motorista é no semáforo, com medo do assalto. Na estrada vai ser a mesma coisa, no posto do pedágio. Do primeiro pelo menos há uma chance em mil de fugir.
BIZARRICEJoão Saldanha está em missão no exterior, em cadeira de rodas, e no aeroporto de Roma é saudado pelo coleguinha Juca Kfouri, que lhe diz sorridente Tudo bem?. João responde tudo bem e, apontando para a cadeira de rodas: Isso aqui é apenas sacanagem.
SPRAYO déficit do governo é de R$ 780 milhões, conforme o documento enviado por Gionédis à Assembléia. Osmar Dias já havia furado a informação. Mas o secretário da Fazenda acha que dá pra acertar com um mês de arrecadação.- Até hoje o secretário não conseguiu aumentar a receita, embora tenha baixado a despesa: pessoal já chegou a 80% da folha e hoje está em 72,4%. Ajusta-se à lei Rita Camata no outro milênio.- Chegaram, ontem, no Tribunal de Justiça, as decisões do Tribunal Regional de Porto Alegre (Justiça Federal) não acatando os recursos extraordinário e especial de Requião e determinando a competência da Justiça Estadual para apreciar o choque entre ele e o ex-prefeito Rafael Greca. Aquele caso de acusação de prostituição masculina feito pelo senador e que Greca contesta, alegando-se injuriado e caluniado, processando-o.- A juíza Anésia Edith Kowalski, que como titular da Comarca de Guaratuba deu início ao processo das bruxas hoje em julgamento no júri, viaja semana que vem para a Itália, onde fará mestrado em Bologna. Está na Comarca de Colombo (cível).-MÁXIMA
Em reforma agrária quem fala com maior propriedade é o latifundiário.
FOLCLOREQuando começou a ventania na madrugada de ontem dizem que Lerner acordou, sobressaltado, gritando Requião voltou!
GLOSAQual a sintonia entre salário mínimo e salafrário máximo?
AFORÍSTICOComo pode o oficial de justiça de Foz do Iguaçu declarar-se mitômano (o mentiroso sofisticado) se a sua palavra tem fé pública: ela vale sempre ou de vez em quando?
CROMOCoelho Júnior, jornalista e topógrafo, pescava nos tempos pioneiros num dos rios do Oeste paranaense e contava que ferrou um dourado e que, quando este saltou da água, isso aconteceu num trecho em que a lua estava refletida: na corrente, a cena de choque e o corte no satélite virtual.





