Luiz Geraldo Mazza

O rugido do leão
A anedota é velha: um caçador, despojado de suas armas, se vê de repente cercado por um grupo de leões e, à falta de outro recurso, vale-se de uma flauta com a qual distrai os felinos tocando música marcial ianque. Eletrizados, os leões observam até que chega um mais velho e impaciente e dá uma patada fatal no flautista. Os enlevados pela arte protestam, mas tudo é inútil, pois com gestos claros o leão velho explica que é surdo e não estava nem aí com o som.
Quem rugiu, ontem, no Palácio Iguaçu foi o governador: sintonizado com a bronca da população diante do bloqueio nas estradas na volta do feriadão, chegou ao ponto de ameaçar a ruptura dos contratos, pois neles havia previsão para a liberação das pistas nos feriadões. Já quanto às chantagens que sofre de partidos que tentam jogá-lo na parede, não foi tão claro, pois afinal quem tem juba também tem medo. Do rugido ao miado, relativo à prensa do PPB e PTB, percebeu-se também que os visados, como o leão aposentado, não escutam, estão surdinhos há bastante tempo. O melhor surdo é aquele que não quer ouvir.
Se o governador insistir em manter como estão as permissões rodoviárias com as taxas expoliativas do pedágio, vai ter um purgatório na campanha. Motorista de caminhão é como o seu colega taxista, um cabo eleitoral inevitável, que se angustia com aquilo que está à sua frente: o tráfego e os custos da rodovia. Se fizer uma pesquisa sobre o assunto, o governador desiste da aplicação do pedágio como está e, se insistir, caminha para o suicídio político, dando uma arma para uma oposição que não tinha uma só bandeira de mobilização e acaba de ganhar uma de ‘‘mão beijada’’.AXIOMA
‘‘Se é verdade que o mineiro só é solidário no câncer, o paranaense só o é em linchamento’’. Essa é do anarco-frasista Elísio Marques.
BIZARRICE Uma professora no seminário luso-brasileiro de Direito Civil teria dito que ‘‘o casamento não é uma panáceia’’. Não se sabe se quis dizer que não era uma panacéia ou uma falácia. Certa vez o ex-senador Enéas Faria quis referir-se ao Ato 5 e em lugar de putrefato, disse ‘‘putréfato’’.
PARADOXO Há uma piada, maldosa é claro, segundo a qual Lerner estava no avião quando a aeromoça perguntou se desejava Coca ou Pepsi e ele, irado, reagiu: Será que até nisso eu tenho que decidir? Pois acrescentaram a essa caricatura, é claro, não correspondente simetricamente à realidade, uma outra: a de que teria o maior dos sofrimentos se o convidassem para o ‘‘Você Decide’’.
DOUCE FRANCE Uma comitiva de dirigentes do Porto de Paranaguá vai curtir agora os encantos da França. Claro que isso só pode estar ligado à Renault, liberação de pátios para automóveis importados, etc. - Por que Paranaguá, em sua área portuária, é um lixo, enquanto em Itajaí você vê no local até mansões? Já que estão privatizando, por que não refazem, sob o ponto de vista urbanístico, tudo aquilo ou o Lerner perdeu o gosto por essas artes e as substituiu por outras?
MEMÓRIA Em 1985, Roberto Requião e Germinal Pocá, este de ‘‘trainning’’, atravessaram a cidade conduzindo um pneu para contestar os dados da planilha do transporte coletivo. O pneu levou Requião à prefeitura. O pedágio, nas condições em que foi proposto, pode ser o estepe que vai faltar a Lerner.
SPRAY Que grupos estão por trás das privatizações, das montadoras e satélites? - Salomão Soiffer, o do Shopping Mueller de Curitiba, está em várias, inclusive na bica da vistoria eletrônica de veículos. É só relacionar o time e mostrar quem está privatizando o que é público. - Uma CPI é impensável, mas um bom dossiê com divulgação pública, inclusive na campanha, pode render. - Já estocadas como essas para defender o Banestado não ‘‘colam’’: o presidente do banco tem razão quando diz que tanto deputados, seus aliados empresários, como também os funcionários, deveriam, antes de tudo, para mostrar amor ao Banestado, pagar o que devem. - Ele citou a cifra de R$ 11 milhões de débitos nessa linha. Não devem estar incluídos os da Leasing, que usou duas páginas geminadas de jornal (‘Gazeta do Povo’ de domingo) expondo a defesa do banco na disputa com o pessoal do Clubcar, do grupo Pisani. - Uma questão que está em juízo se sai dos autos para as páginas de jornais é porque não há muita convicção na defesa e precisa de reforço. É que o grupo mudou o nome para Desafio Locadora de Veículos, não pagou a conta (500 carros) e quis fazê-lo com precatórios, o que foi admitido pela Vara da Fazenda Pública em liminar. - Campo Mourão surpreende com sua atividade cultural: amanhã Zé Ramalho abre a temporada no Teatro Municipal. Seguem apresentações de dança, teatro, humor (Ari Toledo dá o show domingo), música latino-americana (‘‘Viento Sur’’, que está nas ruas todos os dias em Curitiba) e encerra dia 30 com o Ballet do Guaíra. - Relatório do interventor na Federação de Futebol mostrou que só há um caminho para a assembléia do dia 23: a destituição de Onaireves Moura e responsabilização dos diretores e inclusive do Conselho Fiscal que aprovou contas de 95, 96 e 97, quando desde agosto de 95 havia pedido de intervenção. - Seriedade do PT da terra se mede pelas suas prévias. Estepe de Requião. Só.
FOLCLORE No melhor estilo da Arena, sem qualquer criatividade, o governador reuniu os DAS estaduais para lembrá-los do dever de participação eleitoral. ‘‘Ou dá ou desce’’ mudou para ou dá ou DAS.CROMO
A sabiá albina pousou no jardim e a crente se benzeu achando que estava diante de uma graça do Espírito Santo e do próprio.

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