Luiz Geraldo Mazza
Não é normal a fidelidade em política no Paraná nos tempos atuais: Lerner era do PDT e não teve o menor constrangimento em trocar Brizola por FHC; Requião não deu apoio a Álvaro Dias para o governo estadual e também se esquivou de fazê-lo em relação a Quércia como candidato do partido: da mesma forma, Álvaro Dias, que disputara acirrada convenção do PMDB com claque afinadíssima, ficou em último lugar e se recusou em apoiar o vencedor Ulysses Guimarães, que tinha na vice o segundo lugar das prévias, Valdir Pires.
Essa simples amostragem revela o caráter dos nossos políticos e não há como contestar essa verdade que já faz parte da nossa rotina. Atribui-se isso ao fato de não termos consistência política. O maior eleitor do PT, nosso partido com melhor configuração e densidade doutrinária, é, no Paraná, Luis Eduardo Cheida. Pois em Londrina recusou-se a dar apoio ao vencedor da convenção, Paulo Bernardo, melhor parlamentar paranaense. O partido fez uma encenação, igual à das agremiações burguesas, e não examinou o fato na perspectiva mais profunda, a de caráter ético. Aliás, no episódio recente do compadre de Lula, o PT deu outro vexame, absolvendo o acusado e expulsando o denunciante.
OPORTUNISMO Um escorregão sensacional de Álvaro Dias, apropriado ao oportunismo, foi o de combater o pedágio das estradas. Quem gerou esse clima não só neste caso, mas ainda no da atração de investimentos externos (que Álvaro e Osmar combatem em trio com Requião) foi justamente FHC, a quem o ex-governador diz estar aliado.
Se atacasse o pedágio pelo lado mais safado, que é a falta de transparência, isso é ditado verticalmente sem audiência de ninguém, ou ainda pelo peso das tarifas e ausência de conhecimento de cálculos atuariais que o justificariam, seria aceitável. Fazê-lo, porém, daquela forma como apareceu nos programetes de TV da campanha do PSDB é certamente desonesto.
Essas estradas pedagiadas são as que o governo federal abandonou e não oferece esperança de recuperá-las ainda neste século. E isso é outra responsabilidade do PSDB que fala numa proposta de Paraná por inteiro, uma cafonice, quando percebemos que nacionalmente os tucanos não cuidam do Brasil por inteiro, aí sim, como se constata no dia-a-dia.
TRÂNSFUGAS Quem pula de um partido para outro como perereca, uma das mais miméticas criaturas ao lado do camaleão e da salamandra, está longe de poder fazer cobranças de lealdade e coerência. Mas isso pega também Lerner, que pulou da Arena para o PDS e deste para o PDT e daí tentou o PSDB e retornou à origem no PFL, o PDS encabulado. E o próprio Requião, que sempre ficou no PMDB, posto que nunca tenha pertencido ao MDB, velho de guerra, é alguém que coloca também sua visão particularíssima do que seja o coletivo e que passa sempre por seu filtro inspirado. Como se viu no distanciamento da campanha de Álvaro Dias e no da campanha presidencial, tanto de Quércia quanto na de Ulysses.
A inexistência de partidos com visão de processo e de permanência (como os norte-americanos e europeus, por exemplo) é que torna impossível o ajuste equilibrado entre o líder e as agremiações. Isso se dava com Vargas, que detinha dois, o PSD e o PTB, e se deu com Jânio, que ficava acima de qualquer sigla ou composição.
Como há, porém, quem diga que o povo é a causa de tudo, apesar da evidência de que ele é melhor do que os seus representantes e as instituições, pode-se adotar o caminho singelo: o de revogá-lo. Revogue-se o povo. Que, aliás, já está revogado, tal o empenho com que o manipulam e o depreciam.
BIZARRICENuma encenação da Paixão de Cristo, o atual presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Pretextato Taborda, que aparecia como um dos apóstolos no teatro do Colégio Santa Maria (numa delas o Cristo foi Fernando Fontana), estava ao lado dos seus companheiros vendo a passagem do traidor Judas. Ele não tinha fala, mas como o chamavam de traidor e mau caráter, Tatinho tascou contrabandista!. Seria pior, e daria mais confusão no público, se o chamassem de coxa-branca ou atleticano. Ou nos tempos da Revolução Federalista de pica-paus e maragatos.
SPRAYConflito nesta semana sobre abertura de supermercados deveria ter uma orientação geral da justiça e não ficar mais ao sabor de interpretações de caráter ocasional.- Objetivamente, se os direitos trabalhistas forem observados não haverá nada a contestar. Ao contrário quanto mais funcionarem e ampliarem os seus horários de funcionamento, mais empregos. E se isso não interessar ao sindicato de trabalhadores é porque a lógica sumiu do pedaço.- Outra coisa: o comércio é um serviço ao público e o interesse da clientela, majoritário, está acima de considerações primárias. Havendo respeito à lei, pagamento de horas extras, adicional noturno, não há o que contestar. A não ser que o sindicato, por não poder exercer bem o seu papel de fiscalizador e denunciador, prefira a comodidade da proibição pura e simples.- Pássaros albinos são comuns. O ex-deputado José Domingos Scarpelini ficou deslumbrado com uma sabiá branca que até então não tinha visto. Elas aparecem com frequência nas imediações das Mercês e da Praça 29 de Março (Galícia).- No colégio Júlia Wanderley, também em Curitiba, foi encontrado um pardal albino.-
FOLCLOREProfessor de Direito Penal examina, na prova oral, o Tramujas, tremendo gozador do Ministério Público. O catedrático, irritado, vira para o bedel e pede que traga alfafa. Tramujas intervém: pra mim, um cafezinho!





