Tenho, como o deputado Paulo Bernardo, restrições à forma como se dá o processo de privatizações no Brasil. O receio de que substituamos monopólios estatais por privados é um deles; outro o de que as famosas agências de controle acabem não funcionando, como no caso específico da ANAEL, a que cuida de energia elétrica em sua passividade diante da ineficiência da Light, tão só empenhada em preservar seus lucros como nos tempos históricos.
Todos os países, apesar de uma tendência a afrouxar regras de controle, o que nos coloca na sociedade planetária diante da velharia do ‘‘laissez faire, laissez passer’’ dos fisiocratas de Quesnay, detêm algum instrumento para controlar os monopólios. No Brasil urge revitalizar o CADE, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, produto da lei anti-truste bolada pelo grande liberal dos anos 40, Agamenon Magalhães.
Na quase totalidade das estatais que passaram ao domínio particular, como se dá ainda com as sobreviventes, havia rigorosamente a imposição política e moral da desprivatização do Estado. É que a rigor o elefante estatal apenas acoberta e garante o funcionamento das empresas que gravitam ao seu redor. E é o caso do Banestado, aqui no Paraná, bastando perceber que sempre foi um meio de manipulação da classe política para atender a sí própria e as clientelas.
Assim, pois, os empregados do Banestado se iludem quando fazem crer que o mantendo estatal sua situação estaria garantida. Apesar da coragem e determinação de sindicalistas, que não viram outra saída para conter a audácia dos que parasitam o banco se não a de denunciar, ainda que rompendo a regra do sigilo a que todos se subordinam pela natureza da própria instituição, as patologias continuavam e continuarão, ainda que sempre se acene com a famosa gestão profissional. A nomeação de diretores funcionários em lugar de garantir um maior controle evidenciou que eles eram reféns do sistema e das decisões políticas. Enfim, normalmente se buscava politicamente a cooptação dos quadros gerenciais, para ‘‘posar de democratas e participativos’’, quando o que se visava estava muito distanciado da cogestão, desejada pela maioria funcional.
Privatizar o Banestado, o quanto antes, é uma segurança para a maioria dos que o sustentam: seus trabalhadores e aposentados, a massa de funcionários estaduais obrigada a operar com o estabelecimento, clientes cativos da faixa dos prestadores de serviços, empreiteiros, fornecedores públicos e, sobretudo, acionistas. Paradoxalmente é desprivatizá-lo, livrando-o também de ser um refém de políticos mal intencionados e de inadimplentes contumazes.
BIZARRICE Meu tio, Alfredo Mazza, foi preso já no 1º de abril de 64 e levado ao presídio do Ahú. Estava em Ponta Grossa e foi à casa de Felipe Chede para trocar dinheiro por um cheque, por causa do feriado bancário, quando a polícia veio pegar o líder esquerdista e o levou também. Comunista intuitivo, com um assento mais para o lado do anarquismo, ele estranhou na cadeia a fragilidade de algumas pessoas que, angustiadas, choravam. Aproximou-se de um deles, o mais desesperado, e aconselhou-o: ‘‘Faça como eu, finja que é homem.’
SPRAY Amanhã é dia de malhar Judas, mas para o PPB as coisas começam hoje com os programetes de tevê que vão atingir Lerner no caso do pedágio.- Se Lerner levar pancadas e depois acertar repetirá o modelo de como agiu com o jornal que o atacava até em sua vida particular, e depois passou a receber anúncios.- Se não der bola nem para o PPB e muito menos para a suposta esquerda ou os arreganhos dos tucanos que desejam revanche, descobrirá a obviedade que são mais frágeis do que os ‘‘tigres de papel’’ a que Mao Tse Tung se referia.- Por falar em Judas, é quase certo que se repete amanhã o ritual de caricaturar políticos na hora de malhá-los. Vai dar mais FHC do que Lerner e mais este do Cassio Taniguchi em Curitiba.- Eu estava num táxi quando ouvi a comunicação pelo rádio de um colega daquele que me conduzia desesperado porque havia sofrido uma trombada provocada por um policial bêbado. Quis saber de detalhes e a vítima, apavorada, mesmo com toda a razão, não me deu informações com medo de sofrer represálias. Lerner: é por aí que o seu governo vai ladeira abaixo. Aí, na Leasing Banestado e em outros mais.- Decisão do STJ, em sua sexta turma, que absolveu Joel Malucelli de condenação pelo Tribunal Regional da 4ª Região, foi por unanimidade. Ela se deu a 2 do corrente.- Um jornal à época divulgou, de forma parcial, a condenação, não dando ao atingido o direito de resposta.-
A Telepar, depois que a envolveram em política, cometeu algo que rompe com a sua seriedade de tantos anos: resolveu não ‘‘tarifar’’ determinados códigos de utilidade pública. É que o governo tinha respondido a um provocação de Álvaro Dias sobre pedágio, lembrando que aqueles serviços eram bem assemelhados.
Depois ainda se discute se há ou não instrumentação de órgãos públicos. E as tarifas voltaram, em compensação a propaganda diminui.- O que houve afinal naquela cena de bang-bang no Departamento de Estradas de Rodagem? Por que o assassinato em cima de pessoas ligadas à hierarquia da DSTC?-
FOLCLORE Em Pernambuco há 50 apresentações da Paixão de Cristo, a maior delas em Nova Jerusalém, onde Fábio Assunção é Jesus Cristo, um ‘‘pão’’ no código dos jovens. Numa dessas apresentações o título é de lascar: nem ‘‘A Paixão de Cristo’’ e muito menos ‘‘O Rei dos Reis’’, mas simplesmente ‘‘O Ósculo do Traidor’’, forma pernóstica de referir-se ao beijo do discípulo que era o sinal da traição, aprendido pelo pessoal da Máfia ritualisticamente.

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