Luiz Geraldo Mazza
A olimpíada da pobreza
A despeito de o presidente FHC ter afirmado, com dados à mão, que houve uma queda estatística de 13 milhões de pobres só com o Plano Real, ainda seria, segundo a economista Sônia Rocha, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 30 milhões e 400 mil o registro da pobreza absoluta.
Quando da primeira publicação do mapa da fome do Betinho (o homem que tenta negociar a Olimpíada do Rio com a extinção da miséria, o que é demagógico ainda que dito por alguém com esse carisma semelhante ao de Madre Tereza de Calcutá) houve contestação dos números e a revista Exame , em matéria de desmistificação da nossa sinistrose, baixou os 32 milhões de miseráveis para l6,6 milhões, o que não é algo de que se possa orgulhar, mas bem inferior àquilo que tanto alimenta a compulsão brasileira pela baixa-estima.
Que o Betinho tem razão quando diz que atrelamos o nosso destino ao dado puramente econômico, desprezando o social, nem se pode contestar. Vivemos, neste momento, no Paraná uma prova disso: o governo, em euforia próxima da apoteose mental, comemora a chegada das montadoras, mas não tem um plano mínimo de diagnóstico sobre as sequelas sociais que advirão. É sabido que haverá a migração dos que estão mal no interior e enxergam as mensagens coloridas da cidade-paraíso (que está desmoralizada com as chuvas, mas que infelizmente suas águas barrentas são insuficientes para remover os institucionais do otimismo delirante) como um convite, com o que haverá mais invasões, menos preocupação com a política de usos de solos, demagogia intensa, sobrecarga nos serviços sociais, aumento da criminalidade etc.
Na verdade os números, no Brasil, são precários. Volta e meia FHC, no empenho de mostrar os efeitos multiplicadores do Plano Real, pisa na bola ao exagerá-los. Claro que se não dá para confiar em números de assentamentos de sem-terra enunciados pelo governo, também é extrema idiotice acreditar que os do MST sejam próximos da verdade.
A matemágica dos sem-terra, justificável na utopia que cultivam e semeiam, está exposta nesse caso da Giacomet-Marodin onde pedem não mais os 16,8 mil hectares e sim o total de 82 mil hectares. Isso para começo de conversa, o que tem um conteúdo forte de arrogância e de aposta no alternativo e não no institucional, direção visada pelo governo com a tributação progressiva do ITR e o rito sumário para a desapropriação. Agora o governo decidiu empreender uma operação desarmamento, obviamente em direção aos fazendeiros e seus rangers, já que os sem-terra têm o seu maior poder bélico no agir desarmado, com o que mantêm empatia com o público, ajudados, aliás, pela Globo e O Rei do Gado.
BIZARRICEObservação do Décio Macedo, vendedor de turismo e ilusões, sobre o Mercosul: Até agora, de concreto, o Mercosul só nos deu esses conjuntos de bolivianos que tocam flautas e bumbos na rua e a variedade de sacoleiros.
SPRAYChuvas estão demolindo a Curitiba-modelo: enchentes em diversos pontos da cidade, o Pinheirinho um deles, crateras engolindo automóveis, como se deu ontem na esquina da Vicente Machado e Euclides da Cunha. - A precipitação atingiu a BR 376, obrigando ao uso de meia pista. - Álvaro Dias, que não dorme no ponto, está em ofensiva para ampliar os quadros do PSDB: além de Yensen, Renato Johnsson, Basílio Vilani e, possivelmente, Max Rosenmann, enfim tudo lembrando a Arena, o maior partido do Ocidente. - O papo da cobrança de fidelidade ideológica ou doutrinária é de um ridículo a toda prova: há políticos que não sabem viver fora do governo, vide o PFL, observe-se o drama do PMDB que depois de provar o situacionismo ficou viciado. - Escândalo do Hospital Universitário de Maringá obrigaria normalmente qualquer governo com um mínimo senso de responsabilidade a dar respostas imediatas ao caso. É por aí que se vê o mal causado ao conjunto da sociedade pelo excesso de propaganda e manipulação que induz, como tenho dito, ao conformismo. O fato em sí é comum no Brasil da hemodiálise de Caruaru, da clínica Santa Genoveva, a mortalidade de crianças em hospital em Roraima e apenas desnuda o abandono do social por um governo que aposta todas as fichas no econômico, a velha e hedionda deformação do capitalismo, ainda mais quando tardio como o nosso. - Em 95, a arrecadação no Paraná subiu 33% e em 96 mais 16%. A má vontade com Miguel Salomão vem exatamente daí (mais o caso das quadrilhas que contavam com apoios e cobertura da elite) e não de interessados em fazer crescer a receita. Como não é político vira alvo dos assistencialistas e demagogos, saudosos do tempo em que rosetavam no Banestado. - Novos cursos do Senac: processo administrativo fiscal, de 27 a 31 deste mês, das 19 às 22 horas; descoberta de fraudes, de 27 a 29, das 19 às 22 horas; logística de materiais, de 27 a 30, das 19 às 22h30; fundamentos de auditoria e controle, de 27 a 31, das 19 às 22 horas. - A rua Issac Ferreira da Cruz desapareceu com o afundamento de uma galeria lá no Pinheirinho. Êta chuva desmistificadora. -
FOLCLORENo passado o dia do fico era aquele do D. Pedro, como se fosse o FHC diante das câmeras dizendo se é para o bem do povo e a felicidade geral da nação diga ao povo que eu fico. Hoje, quando um dos meus netos está com uma garota e pergunto se é namorada, a resposta é estou ficando.
CROMOPinheiro me dá uma pinha// pinha me dá um pinhão// menina me dê teus olhos// que te dou meu coração// Dentro em pouco, o pinheiro e o pinhão só vão existir em pinturas acadêmicas e no folclore, pois as últimas gralhas azuis os marquetólogos prenderam em gaiolas do Banestado nos anos 70.





