Ganhamos ontem uma batalha na globalização: a Inepar integra o consórcio vencedor da Banda B da telefonia celular no Sul do País. Perdemos outra: também ontem, a formalização da perda da Batavo para a Parmalat. Tudo como no girar de uma roleta.
Num e noutro caso as coisas não surgiram por geração espontânea. A Inepar é a mais flexível das empresas paranaenses a atuar em parcerias internacionais sem cultivar preconceitos, como é comum hoje em dia, relativamente à empresa pública. Tanto que em numerosos ‘‘fronts’’ opera em associação com empresas como a Copel, a Celesc, Furnas, Eletrobrás etc, e igualmente com estrangeiras de caráter estatal.
Se alguns dos socorros da ação estatal em favor das cooperativas, o Recop, tivessem saído a tempo, talvez não fosse necessária a transferência desse patrimônio regional, a Batavo, à multinacional. É mais uma de nossas marcas que passam para domínio externo.
Nada autoriza a sugerir que a eficiência da Inepar constitua prova de que é possível enfrentar a competição, ainda que se considere que a sua área de atuação é de alta tecnologia. Mas com o Estado brasileiro, enfraquecido como está, torna-se inimaginável a sua intervenção nos acontecimentos, ainda mais na conjuntura atual. E o governo paranaense, que está em frangalhos, pior do que a União, teria ainda menores condições de agir.
Ocorre que esse imobilismo do governo contrasta com a sua flexibilidade em atrair capitais externos, especialmente o chamado grande empreendimento, via estímulos fiscais, doações, subsídios de variadíssima natureza. E isso vai ser cobrado politicamente, mesmo que de forma pouco honesta e demagógica, durante a campanha eleitoral.
Não é possível que não haja salvaguardas para preservar, pelo menos em parte, não apenas o interesse nacional como, de certa forma, o regional. E ninguém se mexe nesse sentido com alguns idiotas, acreditando-se iluminados, saudando a globalização e o cosmopolitismo como se traduzissem uma espécie de maná bíblico. Se é verdade que essa tendência é universal, nem todos a encaram da mesma forma e isso já é uma prova de vitalidade e, mais do que isso, de diversidade, às vezes traduzida na diferença de escala e numa retomada, é claro que cautelosa, da noção de que o pequeno pode ser belo.
Outro detalhe: irrita-me, sobretudo, esse confessionalismo, essa cultura do mito da exatidão quando a aventura humana não se ajusta a isso por estar, como na observação de Sartre, condenada à liberdade. Era mais ou menos isso que se respirava no mundo do ‘‘socialismo real’’, a mentira da nomenklatura e da nova classe num Estado policial. E hoje tudo se repete com chavões neoliberais.
TELELONDRINASob o ponto de vista geopolítico há um detalhe fabuloso nas ações da Inepar relativamente não apenas à Banda B como ao projeto Iridium: Londrina é o grande pólo regional das duas iniciativas. Isso não serve apenas para a autoestima do segundo maior centro urbano do Paraná. Aquilo que o governo não faz - ou pelo menos opera de forma acanhada - a iniciativa privada consegue, dando um senso de aguda desconcentração e sem apelar para qualquer tipo de incentivos, com cuja política Atilano Oms, da Inepar, não concorda.
BIZARRICEAnos cinquenta: fervilhava a Confeitaria Guairacá. O jornalista Aramis Milarch chegava cedo e punha na sua mesa umas três caipirinhas porque depois das oito horas elas não eram mais fornecidas. Angustiado, quando chegavam os outros, Aramis protegia seu estoque com as duas mãos, como a mãe que defende o filho de colo. Em mesa distante, outro jornalista, o Ali Bark, proibido de abusar da comida por causa da diabetes, tinha prazer em fornecer empadinhas aos outros para vê-los se deleitando com salgadinhos. O cenário e os dois personagens estão há muito ‘‘encantados’’ para nossa saudade.
SPRAYDois dias seguidos de recesso no Legislativo: anteontem a sessão levou dez minutos e a de ontem não chegou sequer a ser aberta. Pela grana que ganham, os nossos deputados são muito folgados. Felizmente há esperança de renovação.- Badep (que está encontrando extremas dificuldades em cobrar o que lhe devem) contratou o escritório Ávila de Bessa Advocacia, em Brasília, para cuidar dos casos em segunda instância. Curioso é o contrato: ‘‘pro-labore’’ inicial de R$ 50 mil a serem abatidos do valor dos honorários no caso de êxito do pleito. Honorários serão de 5% do efetivo ganho financeiro e devidos após o trânsito em julgado da decisão final.- Quem conseguir tirar dinheiro ou haveres de um Atalla vai para o livro dos recordes. O homem do açúcar dá mais drible que o Garrincha e a cada vez em que é acuado faz o discurso ‘‘social’’: mais de 10 mil perdem emprego.- Lembremos aqui do liberal Galbraith (aquele que recomendou ao Brasil que não pagasse a dívida externa) que desmistificava, tal qual Adam Smith, a ‘‘generosidade’’ capitalista. Galbraith mostrava que quando surgia um empreendimento, o capitalista jamais iria atrás de lucros, mas sim para oferecer empregos. Hoje eles nem dissimulam.- Olympio de Sá Sotto Maior Neto, Procurador Geral de Justiça (a ser substituído hoje), deve receber o título de ‘‘Cidadão Benemérito’’ do Paraná, projeto do deputado Trevisan.
FOLCLOREPara não assumir o governo e criar incompatibilidade, o que aliás pode acontecer com a candidatura do filho, Emília Belinati se exilou no Paraguai. Ela no Paraguai, Lerner em Rouen, êta governo do faz-de-conta.
CROMOSe Capitu traiu Bentinho é mistério, isso não se dá com a macaca.
AFORÍSTICOO que irrita na sucessão estadual é a mesmice, o repeteco.

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