Luiz Geraldo Mazza
Teoricamente Jaime Lerner é hoje mais conhecido no Brasil do que o foram Ney Braga e o próprio Munhoz da Rocha em suas respectivas épocas. Convenhamos, também, que tem mais potencial para vir a desempenhar um papel nacional, embora não detenha nem 10% da energia e determinação de Ney e um milésimo da cultura e do brilho de Munhoz.
A troco de quê a comparação? Simples: a omissão e fragilidade de Lerner mostraram que o Paraná é menos importante do que o Piauí que forçou FHC a dar um ministério para atender demanda provincial. O Paraná moderno, mais considerado do que o Brasil do atraso. É que lá o PFL deve ter brio, aqui é um dependente de Lerner e nada mais, tendo perdido qualquer capacidade de atuação autônoma.
Enquanto Cassio Taniguchi estava no governo era possível um mínimo objetivo de coordenação política. Ele faz falta nas decisões técnicas e políticas. O ingresso de Cândido Martins de Oliveira, aguardado com expectativa, não deu, ao menos até agora, os efeitos imaginados.
Lerner é politicamente desastrado. O pior é que tenta empurrar tudo com a barriga, fugindo da clareza dos compromissos, razão pela qual levou um baile anteontem do José Janene nas conversações com Maluf, como de resto se dá com o PTB no qual ele acreditou mais no áulico Nelson Justus do que no presidente da organização em termos nacionais, José Eduardo Vieira, que tratou com extrema deslealdade.
A impressão que se tem é que, diante da partilha prévia de espaços para a sua turma, independentemente de partidos políticos, não há mesmo o que oferecer: nem recursos, aqui e agora, pois o governo faliu, e muito menos vagas no poder porque só num estágio seguinte estarão, como se dá com alguns, como capatazes de multinacionais, pois essa é a instância máxima que poderá dentro em breve ser desfrutada por brasileiros, da mesma forma que se concedia ao retirante nordestino os sete palmos de terra como a parte que lhe cabia no latifúndio.
BIZARRICE Gil Canto, no Você Decide, foi condenado por causa do assédio sexual. Mas o prefeito de Ponta Grossa, Jocelito Canto, fica de fora com a decisão da Silvana de fugir da raia. Em Ponta Grossa, um murmúrio: se fosse o Francisco Cuoco - o personagem - o autor do assédio, o que aconteceria? No mínimo distribuiria autógrafos.
SPRAY Entre as cartas na manga para decisões políticas próximas está, conforme os tucanos alvaristas, uma pesquisa que vai liquidar a parada. Ocorre que Lerner também tem as favoráveis.- O quadro geral não é bom para o PSDB: que no Paraná está melhor do que em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas ainda com escassas chances.- Há quem aconselhe Álvaro Dias, como puxador de votos, a sair para deputado federal, carregando uma bancada, o que seria contribuição maior do que a do Senado, onde afinal substituiria um aliado de FHC apenas.- Já o sonho de ser presidente da Câmara Federal esbarra no que chamo de nanismo paranaense e a nossa escassa área de manobra em luta de cachorro grande.- Se Álvaro sair da disputa governamental, escolhe o posto que bem entender: leva o Senado fácil e sai à frente como deputado federal também. Não esquecer fatos precedentes da história, como o de Lacerda e Brizola, quando saíram a federal para mostrar densidade presidencial.- Afunilada a disputa com Requião, este poderia, se as pesquisas continuassem negativas, tirar o time. Aí o pleito perderia a graça.- Única arma que a oposição detém hoje é a capacidade de Jaime Lerner criar fatos negativos.- É possível que a Câmara Municipal de Curitiba crie a Comissão Especial para investigar o que houve com o bonde cedido pela família Slaviero e que é mantido, em frangalhos, numa oficina em Araucária.- Mais um chuncho municipal: assinaturas falsificadas autorizando o funcionamento de edifício no Bosque do Papa e que favorece amigos do sistema.-
Deputados do Paraná estão sendo chamados em Brasília de dedos duros por causa da história dos pianistas. À ausência de outros talentos...- Grupo RBS já está operando em Curitiba: lança os fundamentos de emissora de TV para atender a Região Metropolitana.- E o processo da gangue do ICMS vai ou não atingir os empresários que se beneficiaram com as operações? Ninguém crê em tal hipótese, mas que seria pedagógico nem se discute. Mesmo que fosse para assustar, apenas.- Diário Oficial de 1º de Abril está um primor: planilhas de serviço do DECOM estão brancas como a página de Mallarmé: quatro páginas sem nada, sem referência a serviço ou empreendimento. Isso é metalinguagem pura. O governo que não faz acontecer e nem no Diário Oficial.- Inadimplentes chiam em todos os fronts: seja contra a privatização do Banestado ou diante da cobrança do pedágio. Paguem a conta antes, que fica melhor. Ou será que contas não pagas não afundam banco e custos de produção?- Apagões em Curitiba também e a Copel não se obriga a esclarecer coisa alguma. Até Pronto Socorro dançou.
FOLCLORE Em 64, na noite chave, no Palácio Iguaçu, Ney Braga, nervoso porque precisava, além das ações militares, fazer um manifesto, vê o jornalista José Cury, da revista Panorama, aproximar-se sobraçando grande quantidade de papel. Crendo que fosse algum esboço do Samuel Guimarães da Costa, principal texto da revista e pessoa indispensável nessas horas, fez um ar interrogativo ao Zé Cury e obteve a resposta: Quando é que pa-pagam mi-minha fa-fa-fa-tura, afi-final? Hoje há dezenas de pessoas, como se fantasmas shakespeareanos fossem, ruminando pelos cantos palacianos: e a fa-fatura, quando pagam?
CROMO Como o mimetismo oculta a perereca, quem acaba cantando é a árvore.
AFORÍSTICO Em Rouen, distante do Greca, mas o Carvalhinho vai aparecer.





