Luiz Geraldo Mazza
Carpideiras já preparam o choro das exéquias do Banestado. O curioso é que dentre elas há alguns que deram contribuição para que o banco chegasse no ponto em que está, com um prejuízo - como diz Aníbal Khury -, da ordem de R$ 50 milhões mensais.
Quando mais se atacava o Bamerindus, de onde partiam as agressões? Vamos puxar pela memória: era justamente aqui no Paraná. Novamente entre os que batiam e com maior veemência estavam algumas das carpideiras que iriam chorar com maior força ritualística quando se consumou o ato do Banco Central.
Não nos emendamos: o episódio dos pianistas no Congresso Nacional mostra que os que mais acusam são justamente gente da nossa bancada. Agora um deles está dizendo que o hábito vem de longe. Parece que aquela anedota, rotineira entre o pessoal de órgãos de informação (SNI, DOPS, PF, CENIMAR, DOI-CODI), de que o paranaense era tão disposto à delação que dispensava aqueles serviços, já que ameaçava a todos de desemprego, tem inteira procedência.
No caso do Banestado teremos, agora, a exploração melodramática e política de um fato irreversível em acordo com a doutrina e estratégia da ordem vigente, que é a privatização. E como o estabelecimento vai, nessa etapa de transição, fortalecer sua capacidade de captação, vitaminado com recursos federais, só falta precisamente a politização do tema para enfeiar ainda mais a imagem da organização. É claro que os salvadores, dentre eles alguns contumazes inadimplentes, dramatizarão tudo para tentarem passar ao público que são os mocinhos em confronto com os vilões. Quando se derem situações como a havida entre o deputado Durval Amaral e o seu colega, Orlando Pessuti, com troca de acusações, perceberemos a agudeza do desgaste. Somos PHD em autofagia. O pior é que o governo não deixa as coisas claras como se tudo no banco fosse como a vergonheira da Leasing, que insiste em esconder e não punir.
BIZARRICE Deturpação da Páscoa é a daquele comerciante que para justificar a venda de chocolate do estoque passado diz ovinho, quanto mais velho melhor.
GLOSA Para os acomodados e otimistas sempre há argumento. Um deles dizia que é melhor que o Banestado passe para o Banco de Boston do que para um de b...
SPRAY Oposição vai recorrer a cálculos atuariais para contestar planilhas da cobrança de pedágio. Governo baixa os resultados negativos no custo do serviço e a oposição aumenta. É a gangorra da conveniência.- Cálculo de produtores sugere aumento de 18% nos fretes e de 7% no transporte de passageiros. Como obter competitividade desse jeito?- Aspectos inesperados: oferta do cimento pela Itambé como solução barata em função da durabilidade (20 anos no mínimo) para o pavimento, e agressividade da empresa ferroviária (Sul Atlântico) que está procurando diretamente, agredindo portanto o mercado, os produtores e ofertando o transporte a 15% mais barato, sem computar ainda o ônus do pedágio.- Receita Federal em Curitiba com um problema: o contribuinte entra na fila para pegar a senha e depois em outra para ser atendido. O limite de uma centena de atendimentos está levando o pessoal à perplexidade, com muita perda de tempo.- Novela do Conselho de Justificação do Exército que reformou o tenente Jorge Carlos Sade cada vez mais cheia de mistérios: a 5ª Região Militar informa que nenhum registro foi encontrado. Se há coisas de 64 que não acham nem a pau, imagine-se uma de 1954, dez anos antes. Vários assentamentos da folha de alterações mostram o andamento do tal Conselho de Justificação que a autoridade militar diz não existir. Ele existiu ou foi uma farsa é o que diz a vítima, que desde aquela época tenta reparar o ato que o prejudicou.- A cidade está caminhando em direção à paranóia por falta de segurança. Em todas as pesquisas, quando há o detalhamento, ela aparece mais forte do que o desemprego. Inclusive numa que o governo escondeu, talvez por insegurança, mais por causa de resultados político-eleitorais desastrosos.- Reunião de bispos em Cornélio Procópio baixou proclamação contra a participação de presbíteros em eleições. Mas há padres e falsos padres.- Ponta Grossa bateu ontem todos os recordes de audiência do Você Decide por causa da dramatização do caso do prefeito da cidade e a secretária. Serviu para realimentar a onda que baixara com o fato de a suposta vítima, sob o fundamento de foro íntimo, ter desistido das ações movidas contra o governador da cidade.- Porque Álvaro Dias estava combatendo o pedágio nas rodovias e o governo estadual perguntou se a cobrança do serviço de informações da Telepar não era algo parecido, a empresa passou a dispensar a tarifa.- Campo Mourão continua brilhando: projetos da prefeitura (áreas de educação, meio ambiente, saúde, cultura e da formação profissional do menor carente aparecem nos Cadernos Gestão Pública e Cidadania editados pela Fundação Getúlio Vargas e Fundação Ford.-
FOLCLORE 1Muito espirituosa, a cidade de Campo Mourão promoveu o concurso Pinocchio para destacar o maior mentiroso da paróquia. O regulamento teria que proibir a participação de políticos, de forma abrangente, como fora de concurso. É que ninguém os supera.
FOLCLORE 2O encontro de Lerner com o PPB só poderia dar no que deu: deputados federais o boicotaram. Enquanto Renato Aragão se aprofunda em sessões de análise transacional: cada vez que sabe de um feito de Lerner e seus adeptos amestrados em matéria de sorvete na testa fica mais deprimido.
AFORÍSTICO Quando tudo perde a graça é que se sente saudades do palhaço.





