Luiz Geraldo Mazza
Era indispensável que alguém, o quanto antes, fizesse um ensaio sobre o paranaense e a sua fragilidade política, expressa em tantos episódios, entre os quais o da reforma ministerial; fizesse um ensaio no nível daquele de José Ingenieros em torno do homem medíocre para referir-se à nossa unidade federativa. Este Paraná da mediania, incapaz de sair desse limite, cansa o nível de tolerância de qualquer um. Imaginaram um Ney Braga delegando a um deputado, Aníbal Khury, por exemplo, as tarefas de recompor alianças ou tentar fazê-lo com o PTB e o PPB? E mais do que ele como, pela abstração, supor que um estadista do porte de Munhoz da Rocha o fizesse?
Pela equipe que Lerner tem, no campo da política, não impressiona que isso ocorra. Nomeou o Cândido Martins de Oliveira à Segurança porque abriu espaço para o cunhado Henrique, aliás com méritos inegáveis, pegar uma boca de conselheiro no Tribunal de Contas, onde obviamente, como sempre acontece, vai defender interesses daquilo que os romanos chamavam da sacra privata. E, cá entre nós, sempre foi assim.
Num momento em que se toma uma decisão como a de privatizar o Banestado, um organismo tradicional do Paraná, Lerner se mostra incapaz de comunicar, de forma clara e transparente, o que houve e o que vai acontecer. É a sacanagem por método, a mesma da Leasing Banestado, dos Jogos da Natureza e agora, vejam a imaginação dos criativos, os Jogos Indígenas. Pena que o Raoni não esteja por aí para uma nova pajelança. Para quem mobilizou um bruxo para garantir a reeleição diante do Palácio Iguaçu isso é fichinha. Aliás, já que estão dando dinheiro para quem teria sofrido agressões do regime militar, conforme a lei Beto Richa, por que não dar uma indenização à família do Ângelo Cretan, morto no Sudoeste em circunstâncias mal explicadas, ao invés de botar índio pra jogar voleibol e fingir que está numa boa?
Mediania, mediocridade, ausência de punch, falta de energia e também de personalidade, que condição trágica essa do Paraná!
BIZARRICE Aqui no Paraná empreiteiras vão capinar estradas, tapar buracos, refazer trechos e, é claro, prioridade máxima, montar os postos de cobrança de pedágio. A tarifa veio de cima pra baixo, imposta, não foi discutida. Em São Paulo, a concessão das rodovias (não dá pra comparar com as nossas de quinta categoria) Raposo Tavares, Castelo Branco e Senador José Ermírio de Moraes, à Viaoeste, formada por seis empreiteiras, investirá US$ 750 milhões em 20 anos e repassará ao governo R$ 385 milhões em 240 parcelas. Comparem e vejam que não dá para viver com uma oposição mais incompetente do que o governo.
SPRAY Várias mortes ocorreram à margem do processo das bruxas de Guaratuba: além das supostas vítimas infantís, houve a do promotor Paulo Bueno, que cuidava do caso, e agora do médico-legista Raul Moura Rezende Filho, arrolado como informante pela acusação. Tantan-tantan.- Outra morte foi a do Aldo Abagge, o prefeito, e outra a do pai da Celina. É mistério demais. Só falta agora uma cena grandiloquente no júri.- Hoje, na Reitoria, anfiteatro, PSTU faz a comemoração dos 150 anos do Manifesto Comunista. Enquanto isso, como diz o anarquista Elísio Marques, o PCB profiterola com Requião e o PCdoB faz festinha de embalo no Café Curaçao.- Por falar em comunismo, que paulada aquela foto colorida das crianças russas comendo um bolo com a imagem da múmia do Lenin. Não deixa de ser uma contraposição dialética: dizia-se que ele, o Lenin, como os comunistas, comia criancinhas e agora elas o devoram. Ah,ah!.- O jornalista Ricardo Prefeito sugere que os russos deveriam vender a múmia para a Disneylândia.- Um jornalista metropolitano tem Ibopes que nem o próprio instituto conhece e ele passa a informação para os coleguinhas a fim de provocar urticária no governo frouxo que nós temos e este imediatamente, com aquela fragilidade de sensitiva, pede que haja o desmentido. O pior é que há o desmentido. Ora, se a pesquisa houve, era contra o governo e não foi divulgada é por que não existiu. O sábio Campana, por exemplo, jamais cairia numa dessas.- TJ, Associação dos Magistrados e Itaipu Binacional (alguém dessa empresa andou entregando a ficha do Renato Follador Júnior em sua passagem pelo fundo de pensão, por onde andou também o André Zacharow) bancam seminário luso-brasileiro de Direito Civil.- Dentro em pouco viveremos no Banestado a angústia dos que irão para a guilhotina. Imaginem a exploração demagógica e emocional que esse prato do governo vai dar à oposição. O Marquês de Sade deve incorporar na diretoria da empresa e no governo.-
FOLCLORE 1 Anarquistas da linha hard já decidiram que vão votar para senador pelo Jacaré do Parque Barigui. O candidato Toni Garcia também é morador das redondezas, tal qual o réptil.
FOLCLORE 2 Ontem, no jogo Real Madri e Borússia, quebraram a trave. Lá pelos anos 70, o Coritiba jogava em Ponta Grossa contra a então Pontagrossense, quando um chute no travessão superior quebrou o aparato. Aí um polaco, que ia cuidar do reparo, falou na rádio eu arumo o sarafo e tudo bem. O Albenir Amatuzzi, da Tribuna, quase caiu da cadeira, gritando que aquela fala com sotaque e tudo seria a manchete. Se pusesse um lambrequim no lugar da trave superior seria melhor. Jaime Lerner, por exemplo, adoraria.
CROMO Descobri, outro dia, na minha foto aqui no jornal aquilo que normalmente não percebo por estar habituado ao convívio com os iguais: como envelheci! Dá para compreender porque personagens de Sartre em O inferno entre quatro paredes se desesperavam, confinados, com a idéia de ver-se num espelho. Este ao mesmo tempo que acentua, acaba anulando a subjetividade.





