Com a proclamação de ontem em defesa da manutenção do Banestado, para que o governo estadual continue fabricando moeda e acumulando débitos que jamais serão honrados na rubrica de créditos em liquidação, ficou evidenciada a absoluta incompetência da oposição para o mundo moderno e o seu apego ao que há de mais rasteiro em nosso arcaísmo ibérico e patrimonialista. Essa é uma das bandeiras e a outra, que a oposição acredita que vingará, é o retorno ao modelo agrícola como se fosse possível recuar no tempo e exaltar aquilo que Marx abominava, ‘‘a felicidade rural’’, para opor-se à industrialização moderna e que vai fazer do Paraná, em curto prazo, a terceira ou quarta potência do País no chamado setor secundário da economia.
Matéria prima para a guerra dos babuínos - aqueles que se hostilizam com as próprias fezes - não falta. O histórico de escândalos, que se deve à classe política, a que mais abusou, associada ou não aos empresários, é uma cloaca e que pega tanto o governo atual (negociação com títulos estaduais e os chunchos inomináveis da Leasing) como os seus antecessores, todos com pesada culpa no cartório. Prova, também, de que não temos meios de comunicação com aquele mínimo de isenção e espírito investigativo. Diga-se a propósito que é uma das fontes mais pródigas de recursos para sustentar a imprensa acrítica.
Os políticos, além de abusarem do banco, ainda o empregam para suas sortidas eleitorais, como Álvaro Dias fez quando atacou o braço paraguaio, Del Paraná, para atingir Richa, e que deu em nada, e que cometia a estranha pulsão sadoma-soquista de sugerir a venda da organização num momento em que a agredia. Ora, essa é a forma singela de baixar o valor do que se pretende vender. Depois na gestão de Mário Pereira houve a denúncia de que no governo anterior havia um vendedor de cachorro quente de Ponta Porã, em cujo nome se faziam operações de US$ 1 milhão diários no Banco del Paraná. Mas isso vem de muito tempo e quando Paulo Pimentel era governador a diretoria em peso renunciou, presidida por Jaime Canet Júnior, sob a acusação de que pretendiam, com recursos estaduais e do banco estadual, atender interesses agroindustriais familiares.
Quando mudava governo era comum o que entrava sugerir que o antecessor havia ‘‘quebrado’’ a organização. Já fiz referência, inúmeras vezes, a uma reunião de que participei em que o secretário da Fazenda do segundo governo Lupion, o industrial Ivo Leão, dizia claramente que o banco estava falido. Ao saber da minha presença e do Gauchinho, Carlos Alberto Marques, de Londrina, como jornalistas, apressou-se em pedir sigilo em função do que afirmava.
Argumentava-se que os políticos passavam, por causa dos mandatos temporários, e o banco, insituição permanente, ficava. Ocorre que o País empurrava com a barriga essas patologias e agora chegamos ao fundo do poço: se o mega Banespa foi para o saco, a troco de que sobreviveria, já que não temos a décima parte da expressão política de São Paulo, o banco de nossa terra? São Paulo foi ágil e conseguiu salvar o ‘‘Nossa Caixa, Nosso Banco’’. O Paraná vai no máximo obter uma carteira de fomento. Minas vai perder dois de uma pancada só e não dá pra comparar a representatividade mineira com a nossa.
Se os políticos, que tanto fizeram mal ao banco, ontem e hoje, partirem para a guerra dos babuínos, estarão dando continuidade à obra desagregadora que mantinham oculta com os recursos da maquiagem contábil, e botando a pá de cal no estabelecimento, ou daquela outra matéria prima de agrado dos quadrúmanos.
BIZARRICESegundo o Jorge Sade, a característica marcante do curitibano é o desamor pela memória substituída por cacarecos modernosos e merdosos, como diz Dalton Trevisan. ‘‘O IPTU que seria para obras básicas de saneamento garantiu a prefeitura festeira&fogueteira de GrecaxMargarita.’’
SPRAYPesquisa Brasmarket que dá Lerner disparado (41,2% contra 16,1% de Álvaro e 12,6% de Requião) teve impacto em Brasília.- Sondagens do início de março da Vox Populi dava 44% a 19% (Requião e Álvaro) e a do Bonilha marcava 43% a 21% para Álvaro e 16% para Requião. Orquestração aparentemente coerente, mas que não merece lá muitos créditos.- Saída do delegado Leonil Cunha Pinto, de Maringá, teve repercussão negativa na cidade. Seu substituto, o Patão, Aprígio Cardoso, é bom profissional, mas Leonil estava enraizado na vida comunitária.- Critérios de movimentação de delegados são políticos e é indispensável que a Secretaria de Segurança volte para o Executivo e deixe de ser um apêndice da Assembléia.- Há delegados sem função como Silvan Pereira, que armou o esquema anti-terror das depredações depois dos jogos de futebol e teve passagem frutuosa na Ordem Social e na Divisão da Capital.- A corporação (delegados de carreira) anda muito acomodada com o fatalismo dessa distorção, o que não a credencia. Pode-se dizer o mesmo do sindicato.- Por falar em segurança, o seu titular, delegado PF, Rubens Tanure, será homenageado quinta-feira no Clube Sírio Libanês.- Produtiva a reunião da Associação de Jornalistas de Economia e Finanças sobre o pedágio que todos acham indispensável. Ponto alto, porém, foi a fala de Luis Paulo Rosemberg, que condenou o maniqueísmo mostrando que essa lenda de que a iniciativa privada é mais eficiente que o governo é um mito, posto que condenasse os defeitos do Estado patrimonialista.-
FOLCLORENa futura ordem que vem aí o povo não poderá mais queixar-se do governo, que estará fora de praticamente tudo. Dirigir-se-á para reclamações à privada. Aliás se o Brasil-público tem déficit justamente de privadas.

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