Luiz Geraldo Mazza
Segunda-feira, 10 da manhã, plenarinho da Assembléia, mais uma daquelas reuniões pela manutenção do Banestado, apoiada com enorme entusiasmo por alguns dos seus velhos inadimplentes. Ainda que o banco do Paraná seja o mais redondo, como se costuma dizer, dentre os estaduais até por isso mesmo dá a idéia de que se trata de organismo fora de qualquer perspectiva de controle. E isso abrange todos os governos, incluindo o atual com os casos de polícia da Leasing, em que se percebe claramente que Lerner é e continua sendo refém do ex-dirigente Osvaldo Santos, que bagunçou como ninguém a organização, o que já rendeu mais de 25 representações criminais sem afetar a figura olímpica do gestor que a ocupava em meio ao descalabro.
A luta deste governo para esconder os escândalos da Leasing lembra em tudo o empenho daquele IPM, todo ajeitado, para explicar as mortes dos milicos do DOI-CODI no atentado do Riocentro. É claro que o governo pode argumentar que, tanto neste caso como no da gangue do ICMS, tomou todas as providências, o que é apenas meia verdade, de valor menor, às vezes, do que a mentira inteira.
O argumento de que o Banestado não é um Titânic do tipo Banespa e que é barco furado que pode ser salvo com simples calafetação não é bem assim. Os bancos estaduais são, antes de tudo, produtores de moeda. Auditores internacionais e brasileiros identificam neles o grande fator de realimentação das dívidas dos estados-membros e esse é o ponto de estrangulamento da hora, já que a União, de certa forma, cumpriu, ao menos em parte, os deveres de casa. Há uma filosofia de ordem geral, doutrina assentada, no sentido de que a privatização é o caminho. Isso não anula a legitimidade de um movimento que evite mais rombo ao patrimônio público e também dos seus agentes, funcionários gerais do governo, clientela cativa à força, e dos seus trabalhadores e correntistas. Mas se for feita uma pesquisa junto a essa clientela, teremos por certo esmagadora preferência pela via privatizante: ninguém suporta mais ver a classe política usando o banco como se este fosse de sua propriedade e dando cobertura aos amigos e correligionários inadimplentes.
Esclareça-se que não há um só governo que não tenha parte de culpa nessa degradação e não é justo que apenas se sintam impotentes os que garantem o funcionamento da organização como seus trabalhadores e aposentados, que devem brigar por sua participação, que não é pequena, e mais a clientela não beneficiada por favorecimentos e juros privilegiados. Se tentarem usar o Banestado como bandeira eleitoral estarão lascados porque haverá troca de acusações envolvendo todo o mundo, tal qual numa briga de babuínos que fazem guerra com as próprias fezes.
BIZARRICE O velho Fogiatto, pai do Miló, ambos fotógrafos, marcou época em nosso jornalismo. Como era fotógrafo do serviço público estava um dia registrando as jazidas de xisto de São Mateus do Sul quando, para obter melhor ângulo, foi recuando para captar as autoridades, sempre mais importantes do que o próprio acontecimento, até cair num enorme buraco.
SPRAY O que irrita no governo Lerner não é a inadimplência, mas o fato de atender uns e ser caloteiro com a maioria. Para os mais íntimos tudo, para os demais a fila de espera.- Esperança de que o quadro mude com a bufunfa do financiamento eleitoral pode ser uma ilusão.- Banestado limpou a barra de um dos inadimplentes da Leasing (Habitacional Construções, do ex-governador de Sergipe, João Alves) pedindo que o excluísse de processo na Procuradoria Geral da República. Só que bateu na trave, pois a denúncia foi mantida.- Em outubro de 97, a diretoria jurídica do Banestado protocolou nove pedidos de inquérito contra Osvaldo Santos e empresas fantasmas que levaram grana que na maioria dos casos não será recuperada.- Um papel timbrado do governo está convocando líderes comunitários para reunião dia 30, 8 e meia da matina, no Gamboa Hotel, Paranaguá. Vale tudo.- Governo estadual vai endurecer a batalha com funcionários e professores recorrendo contra a liminar concedida para que se obrigue os descontos sindicais em contra-cheques. Está consciente de que se afrouxar será pior, pois não pode contar com votos do funcionalismo que sempre é contra o governo.- O pedágio vai ser exaustivamente analisado em encontro da Associação dos Jornalistas de Economia e Finanças do Paraná no dia 30, a partir das 9h30, no Hotel Rayon. A tese da privatização das rodovias e da adoção do pedágio parece irreversível, mas discute-se a questão dos parâmetros adotados para a cobrança. Quem sair de Foz do Iguaçu a Paranaguá paga R$ 26,50 em carro de passeio e R$ 132,50 em caminhão de reboque. Há ainda outra distorção no caso de mais de um posto de cobrança em trajetos com 100 quilômetros.-
FOLCLORE Apareço num clip institucional na TV sobre Curitiba, em que afirmo que ela decifra quem tenta devorá-la. Isso vale para os que lhe declaram amor e a exploram e aqueles que tomam vinagre no desjejum. É o anverso da ameaça da Esfinge. Quem merece homenagem nos 305 anos da cidade é a Maria do Cavaquinho, hoje num asilo na Lapa, tipo popular dos anos 50, e que fechava a Rua XV, aquele tempo com dois sentidos de trânsito, ao deitar-se no asfalto e bloqueando a circulação. Ela saiu na frente de Lerner em quase duas décadas.
CROMO Nem a sabedoria do joão-de-barro, em sua precisa engenharia, suportou o El Ni¤o: aqui na frente do jornal está um pinheiro, cheio de pinhas, mas sem a casinha do passarinho plagiada pelo Le Corbusier.
AFORÍSTICO Você vê tudo e ainda lhe dizem, os canalhas, que somos democracia.





