É um acacianismo a afirmação de Álvaro Dias de que o presidente FHC deixará o diretório regional do Paraná à vontade em relação à sucessão estadual. Não haveria o menor sentido, a não ser que o presidente tivesse pendor ditatorial, para colocar o contrário.
Acacianismo é o óbvio, o lugar comum como o de dizer que Requião não tem contenção verbal, que FHC é vaidoso, que Lerner é reticente, que Álvaro Dias é superficial, que Sérgio Motta é truculento e que Aníbal manda no Paraná. Mais do que as formalidades do ‘‘dizer publicamente’’ o que vai ditar o tipo de composição a ser feita no Paraná, na medida em que a eleição presidencial condiciona a regional, é o nível de credibilidade do presidente e o estado de acomodação entre as forças aliadas.
O conselheiro Acácio, personagem de Eça de Queiroz, tão agudo quanto a figura do Pacheco (o literário, não o Osni da Cotrans), é um dos tipos mais comuns nas empresas privadas e públicas: muito solícito em dizer com extrema solenidade, como se novidade fosse, o lugar comum. Foi da observação de fenômenos como esse que Nelson Rodrigues craneou o ‘‘óbvio ululante’’ que é a redundância, o pleonasmo.
Mas há burrice suficiente no Palácio, e especialmente nervosismo, para cair de quatro ou em convulsão por causa do óbvio: viu-se que não era fácil emplacar ministro paranaense e também que a própria renegociação do Banestado era mais complicada do que parecia em função das resistências tecnocráticas do Banco Central, sintonizadas na filosofia da privatização, o que é corretíssimo em tese. Essa ausência de coragem e determinação, que levou o Paraná às maiores humilhações para aprovar seus empréstimos no Senado, é uma constante e isso é doloroso quando jamais tivemos no Estado alguém com o potencial de Lerner como expressão nacional, energia que ele gasta com a mesma facilidade pródiga com que o Aldair ameaça fazer gol contra na defesa brasileira.
BIZARRICE Freitas Neto, grande figura do jornalismo, é um resistente aos estrangeirismos. Estava numa roda e, falando sobre Hollywood, observou que o prêmio deve ser pronunciado como o nome do craque de basquete, Oscar e não Óscar, como se costuma dizer. Aí o que contestou falou no nome do filme que levou mais prêmios era o Titânic. Freitas voltou à carga: se é para falar como inglês, pronuncia-se Taitânic.
Por falar em Titânic, o Ben-Hur, que arrebatou 11 prêmios nos anos 50, teve a seguinte titulação nos cartazes em Portugal ‘‘O charreteiro fantástico.’
Aliás, num belo dia, dois amigos muito queridos, que dizem ter ‘‘cara de cavalo’’, queriam me tirar à força de uma roda da Boca Maldita. Quando me vi puxado pelos dois, agarrei nos braços de ambos e disse em voz alta: ‘‘Eu sou o Ben Hur tocando uma biga romana.’
PESQUISA BONILHA Está aí: muito mais rápido do que se poderia esperar veio a pesquisa do Instituto Bonilha, anverso daquela do Alvorada. Lerner, 43%; Álvaro, 27%, e Requião 15%. A sondagem teria sido feita em 50 municípios (11 regiões) e ouviu 2.500 eleitores. Na espontânea, Lerner, 35%; Álvaro, 21%; Requião, 11%.
Para presidente daria FHC, 48%; Lula, 14%; Itamar, 11%, os demais 7%. E quanto às afinidades, a pesquisa destaca Lerner com 36% mais próximo de FHC e como defensor do Plano Real tem 31% contra 9% de Álvaro.
Quando haverá, afinal, uma pesquisa para saber se há credibilidade do público nesses institutos? Seria pedagógico.
Outro detalhe: para o Senado (o que tem até o jeito de sugestão), Álvaro Dias aparece com 24%, Emília com 11%. Greca está com os demais sugeridos, fazendo juntos 6%. Brancos, nulos e indecisos, 31%.
Dentro de alguns dias a liberação dessas pesquisas estará sujeita ao rigor das regras da Lei Eleitoral.
SPRAY A vida dos bancos estaduais é provisória: houve com o Banespa e haverá com o Banestado. Questão de tempo.- Mas como sempre vão tentar ideologizar o problema. Se hoje isso não cola com a Vale do Rio Doce, não haverá como fazê-lo com o banco de todos nós. E todos os nós como o da venda de títulos estaduais de Alagoas em governos anteriores e ‘‘micado’’, conforme decisão judicial em primeira instância.- E isso sem falar na detonada da Leasing e mais o da Reflorestadora, na qual o Banco Central não acolheu a valorização contábil adotada numa operação com o Fundo de Desenvolvimento.- A revista ‘‘Direção’’, super-prestigiada pelo governo, tão chapa-branca que é, continua a surpreender: instala sua sede no Shopping Champagnat e com o privilégio de contar com o heliporto na torre do edifício. Por essas e por outras é que o Renato Aragão se sente cada vez com maior complexo de inferioridade em relação aos nossos trapalhões espontâneos.- Para evitar a decapitação do deputado José Borba, seus colegas (e de vários partidos) ameaçam deitar e rolar em cima do assunto, entregando inclusive as senhas dos useiros e vezeiros em artes pianísticas. Não é musical, mas é de dar dó, já que a ré é a Câmara Federal.-
FOLCLORE O arquiteto Sola, de Cambé, hoje curitibanizado, conta uma cena de non sense na reconsulta a um clínico em Londrina. O médico, grave, lhe perguntou se havia tomado os remédios que indicara. Respondeu com um sonoro não. E o doutor, na maior tranquilidade, repicou: ‘‘ótimo!’
CROMO Vânia se habituou tanto ao rumor da megalópole em São Paulo que, ao tentar dormir em Curitiba, não conseguia fazê-lo por causa do ruído dos grilos. Com o tempo, os sons de Curitiba abafaram os grilos. E Vânia quase se transforma em Bela Adormecida com o sono tão profundo. Mas não precisou do beijo do príncipe, já que o despertador a chamou para o trabalho.

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