Enfim o governador, depois de tratar da rolagem da dívida do Paraná, mantém hoje contato com o presidente FHC. Como há mistério em torno da conversação de Álvaro Dias com o mesmo protagonista, não se sabe o que haverá no cenário sucessório. Muita especulação, pesquisas de opinião discutíveis, fazem parte do enredo. Tudo se tornará mais claro após o contato de hoje entre Lerner e FHC. Cada grupo dá a interpretação que lhe convém, como também contam com pesquisas que servem aos seus respectivos interesses, para esses encontros.
O quadro nacional não permite ao presidente da República aquela folga da eleição passada quando não precisava ‘‘costurar’’ alianças regionais com a visão do processo maior. Tanto que aqui no Paraná, Lerner, mesmo no PDT, foi o fator de alavancagem para a vitória tucana, pois Álvaro Dias, pela votação que teve, mostrou que transferiu pouco ao vencedor nacional. Esse argumento vai ser usado novamente, pois há uma pesquisa Bonilha (que nada tem a perder em relação à Alvorada) que mostra claramente que a dupla Lerner-FHC dá três vezes mais votos do que a simulada com Álvaro. E, convenhamos, a coisa é mais ou menos por aí.
Se houver o registro de três candidaturas, a única a postar-se abertamente contra o presidente seria a de Roberto Requião, o que lhe daria esse charme diferencial, ainda que cobrado internamente no PMDB, uma vez que tudo indica que a convenção ratificará o que foi decidido no apoio à reeleição. Insiste-se em querer separar o pleito nacional do regional como se tivéssemos aqui razões como as arguidas na Bahia, onde a causa tumultuária está em ACM, o dono do feudo e aliado mor de FHC. Tanto que o PSDB baiano votou em Lula e o PFL ficou eriçadíssimo quando o tucanato acolheu o arqui-inimigo Nilo Coelho.
Um argumento, no entanto, favorece Álvaro Dias: a decisão de fortalecer o PSDB como se viu na reforma ministerial e que se completaria no empenho em fazer um grande número de governadores para respaldar o partido do presidente com o olho no pleito nacional de 2.002. A designação de José Serra para a Saúde levou o PFL e o PPB ao estado convulsivo: percebeu-se que o governo deixou de lado a sua cumplicidade com aliados e passou a jogar pesado em favor dos seus correligionários.
Lerner, no entanto, tem larga vantagem sobre Álvaro Dias: é nome nacional, o que não se dá no caso do presidente da Telepar, e em pesquisas nacionais apareceu batendo FHC em Curitiba, com 43% contra 24% do presidente, e perdendo de 30% a 29% no Paraná, o que é um empate técnico. Nesse DataFolha de junho do ano passado, em Santa Catarina Lerner fazia 8 pontos, 3 no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, 2 em São Paulo e no Distrito Federal. É na verificação desses dados que o pessoal do PSDB, os de fora e não os do campanário, deve agora considerar uma tremenda mancada o bloqueio ao ingresso de Lerner no partido. É que este representaria muito mais em termos de densidade eleitoral e de articulações nacionais, além de constituir-se em alternativa sucessória.
BIZARRICE Em conversa boêmia, viajar na maionese é preciso. O Zé Fernando aqui da Folha contava num boteco que mulher de zona hoje nada tem a ver com as decaídas do passado e que há algumas tão apresentáveis que dá para sair com elas em público. Aí o Wanderley Rebello, que é dado a exageros, argumentou: ‘‘Melhorou tanto o padrão das meretrizes que sair com uma delas hoje há o risco de o cidadão ser investigado pela Receita Federal por sinal exterior de riqueza.’
IDEOLOGIA Como se aproxima o registro dos 305 anos de Curitiba, a máquina de ideologia (cidade-modelo, cidade-padrão e outras utopias furadas) volta a operar com toda a força nos vídeos e reportagens. Sai uma na ‘‘Seleções’’ do Reader‘s Digest em abril com o mesmo papo de sempre, esquecendo inteiramente que o ex-prefeito Jaime Lerner hoje é governador. Coisa, aliás, que muita gente do Palácio Iguaçu parece ignorar. Às vezes o próprio Lerner.
SPRAY Ao deputado Hermas Brandão o interessante é que coloquem todas denúncias dos convênios nos municípios de uma vez. É que saindo em conta-gotas, cada hora o desgaste é numa região.- A de Ivaiporã, denunciada antes da de Jardim Alegre, já foi considerada regular pelo Tribunal de Contas, conforme contesta o acusado.- A pressa é inimiga da perfeição: se uma comissão parlamentar séria e empenhada em esclarecer operasse, porque tempo houve, fazendo a análise de todos os convênios, não haveria espaço para outras especulações.- Auditorias do TC aceitaram as licitações feitas pelas prefeituras. Caso de Jardim Alegre só aguarda o parecer conclusivo.- Na campanha eleitoral volta a documentação com toda a força, não apenas para atingir o deputado como também o governador.- Essas questões devem ser corrigidas como se afasta um tumor, cortando até as raízes. Se deixarem suspeitas, há recidiva. O açodamento do legislativo é uma das causas da manutenção do clima de suspeita.- Finalmente pegaram em cheio uma das irregularidades de rotina de governo: a questão das locações de veículos em favor de duas empresas. A diferença de preços entre o acordado pela Secretaria de Segurança e a Sanepar é de lascar e não se justifica. É que cada vez que o assunto é suscitado, segue-se a política de panos quentes.- Na Câmara Municipal é assim e tudo continua na mesma com cada vereador curtindo dois carros, inclusive moralistas do PT, cada vez mais iguais aos demais.-
FOLCLORE Jogar no frio, como se viu ontem, é um risco. Numa excursão do Santos na Europa aqueceram o jogador Pitico, que morria de frio, à base de conhaque. Tantas vezes acenaram para a sua entrada foram tantas doses. Quando entrou estava completamente torrado.

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