À oposição não há muita alternativa também no campo regional se não a de negar importância ao processo de desenvolvimento (os R$ 14 bilhões a R$ 16 bilhões de investimentos, volume jamais registrado em nossa história econômica) e a de acentuar o lado negativo de iniciativas como a de construir o Anel de Integração via cobrança de pedágio. Tanto num como no outro caso vão explorar a temática emocionalmente. No caso dos investimentos dirão que teríamos mais gente empregada se o governo atendesse médios e pequenos empresários. Enfim, uma quase retomada daquele discurso de ‘‘o pequeno é belo’’ e que na verdade mal se ajusta à chamada economia de escala. No do pedágio questionarão o sistema e não apenas as planilhas que os orientaram, bem como o valor cobrado.
O fato, por exemplo, de a operação ‘‘tapa-buracos’’ da BR-277 ter servido por causa do tráfego intenso da temporada de praia revelar-se agora, no momento em que as exportações buscam aquele corredor, absolutamente cheia de desníveis e crateras, é um exemplo forte de como uma deficiência dessas de operação venha a ter efeitos políticos desastrosos. Sábado passado, na BR-116, uns 300 metros depois do Parque Verde, no município de Fazenda Rio Grande, em menos de dois minutos vi três carros fora de combate por causa de um enorme buraco na pista de rolamento. Cito o exemplo porque isso também pode acontecer na BR-277 e é indispensável que a concessionária responda pela integridade da estrada, a não ser que ela só pretenda os bônus e não os ônus do seu negócio. Que implica, no meu entender, inclusive a previsão de ocorrências ligadas a deslizamentos, enfim a tudo o que diga respeito à rodovia, para que não se alegue a saída do caso fortuito.
O governo tem que fixar bem essas responsabilidades em contrato para não dar um espaço fácil de ataques da oposição. De um dos aspectos do problema, o seu custo e remuneração das empreiteiras, já há falha que deve ser partilhada com associações e sindicatos de transportadores que deveriam previamente examinar as planilhas e contestá-las através de cálculos atuariais. A tese da entrega do sistema aos particulares é correta porque o Estado brasileiro faliu em todos os seus níveis. Mas é justo que prevaleça a regulação e a mediação, o que implica num forte esquema de fiscalização, sabendo-se que boa parte das empreiteiras é useira e vezeira em burlas de toda a ordem com a garantia da cobertura política. Tanto que a CPI das Empreiteiras ficou na ameaça, o que foi suficiente para mostrar o quanto são protegidas. Não apenas porque ajudam a financiar campanhas como também há parlamentares engajados no setor.
BIZARRICE O fidalgo Aristides Mehry promove uma festa em sua casa aos seus companheiros do jornal ‘‘O Estado do Paranᒒ. Quando serviam champanhe e da legítima Veuve Clicquot, o gerente (um gozador tempo integral) João Baptista Moraes disse preferir uísque, sob o incrível argumento de que admirava aquela bebida no tempo em que a herdeira não era viúva, mas vivia em plena harmonia com o marido.
SPRAY Haja desperdício: Matinhos comemorou a chegada das embarcações e draga que farão o ‘‘engordamento’’ da praia. No Paraná não há lugar para discutir um assunto desses, embora a área técnica tenha lembrado que isso vai ser um sumidouro de dinheiro inútil. Parece que estamos sob o regime militar.- Aliás, todas as soluções de reparos na orla são ineficientes, seja o engordamento ou a colocação dos gabiões que transferem o problema e a patologia para outros pontos, como se viu nas praias entre Matinhos e Gaivotas.- Não houve até hoje um estudo sistemático, abrangente, sobre o Litoral Sul do Brasil, pois em Santa Catarina está ocorrendo o mesmo nas praias que vão de Piçarras até a Barra do Sul. Barra Velha é um exemplo de como o corsarismo imobiliário, ao desrespeitar manguezais e os espaços arenosos, cria situações de abalo, de traço catastrófico.- De forma empírica moradores antigos costumam atribuir, no caso catarinense, grande parte dos problemas ao entulhamento do ‘‘Linguado’’ que juntou, através de uma ponte, a ilha de São Francisco do Sul ao continente bloqueando a circulação das marés na baía de Babitonga.- Ninguém até hoje fez um estudo do custo-benefício dessas obras inúteis em Matinhos e Caiobá e que roeram o erário público para atender uma minoria. Há quem recomende a medida heróica de desapropriações radicais, inclusive da artificiosa infraestrutura urbana de Caiobá.- Outra coisa: o Conselho do Litoral não se reúne e prevalece a vontade de prefeitos primários que trocam as vantagens emergentes de alvarás pela insegurança com a permissão de construção de edifícios em encostas, como se a orla já não estivesse suficientemente comprometida.- Lá é preciso que se dê uma tragédia como a do Edifício Atlântico, em Guaratuba, ou a do teleférico de Matinhos, para que haja alguma providência. E vai ter mais, é claro.- E o solapamento da Vila de Guaratuba, com a cratera viva, foi estudado? Não foi, como também não será a divisão da Ilha do Mel na Ponta da Galheta.-
FOLCLORE Renato Aragão está com um tal sentimento de inferioridade que precisa procurar analista. Viu as coisas que a bancada federal apronta e mais as da equipe próxima de Lerner (caso da publicação que acaba ratificando a injúria contra Rafael Greca e o dos fax fantasmas a Mari Tortato) e chegou à conclusão de que como ‘‘trapalhão’’ está inteiramente superado.
CROMO Como diz o Jorge Carlos Sade, ex-galerista, ‘‘é marçoutono, o perfume amadeirado das ameixeiras em flor é a certeza de que estamos na estação-paixão.’ À poesia soa prosaico ‘‘El Ni¤o’’.
AFORÍSTICO Ratinho tira o glamour da vida real na marginália e faz novela.

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