Luiz Geraldo Mazza
Já se sabe que teremos uma campanha eleitoral sórdida. Isso é nítido no nível dos entreveros por mais singelos que sejam. A oposição tem duas bandeiras: os efeitos negativos da transformação lerneriana (desnacionalização, pouco aproveitamento da nossa mão-de-obra, quebra de empresas locais, renúncia fiscal) e questões pontuais como a cobrança do pedágio. Mas tem contra si os sedimentos de campanhas: fantasmas do Ferreirinha, do Teixeirinha (este real) e a própria analogia entre o que se fez e o que está sendo feito. Essas em relação ao Requião, mas há também as que marcam Álvaro Dias, conquanto aquele massacre dos professores já não cole, como a lembrança do que foi o seu governo em aspectos nada construtivos.
É possível reexaminar uma gestão como a de Álvaro Dias quando todos se recordam que a seu tempo não havia oposição, pois os veículos de comunicação só mostravam o lado positivo, defeito antigo da praça. Dos atos afirmativos, o que realmente se destacou foi a batalha de Segredo, mais importante como atitude pela suposta resistência ao cartel barrageiro. Na parte financeira dá para lembrar que durante três anos, para fechar suas contas, o governo lançou mão do recurso da antecipação de receita orçamentária, isso sem falar que emitiu títulos, cuja rolagem é exatamente o tema novo da oposição.
Diz-se por aí que o Afrânio, o motorista que encenou o Ferreirinha, volta à cena. Por sinal que essa matéria ainda está em exame na instância superior, como de resto o recurso de diplomação do mandato senatorial, uma vez que o de impugnação, como se sabe, não foi acolhido.
Contra Lerner há numerosos procedimentos na Justiça, alguns deles também pedindo a inelegibilidade, tanto dele como de Greca e Taniguchi. É muito lento o processo eleitoral. Tanto que feitos da campanha de Álvaro Dias contra Lerner estão até hoje em andamento no âmbito da Justiça Federal. Tudo isso vai ser remexido, reavivado, como se fossem ratos e aranhas para serem lançados no tacho das bruxas de Macbeth. Haverá ainda invasão à vida privada e em tais proporções que o caso Clinton, este num país de instituições mais estáveis e bem mais sérias, parecerá brincadeira de criança.
BIZARRICE Na Confeitaria e Bar Stuart o bebum vai ao balcão e pede meia pinga. O Gino, proprietário, diz que não vende meia pinga. O bebum replica: então me dá uma inteira pelo preço de meia.
SPRAY Batalha do ex-galerista Jorge Carlos Sade contra o Exército e por seus direitos está agora num habeas-data, instituto criado pela Constituição de 1988.- Por ele qualquer pessoa obtém informações a seu respeito que estejam sob tutela oficial. É o caso do seu processo de incapacitação física, cujo exame médico e até assinatura do presidente Café Filho no decreto de reforma são falsos, segundo a vítima.- Nem a firmeza de Sobral Pinto, advogado histórico, foi suficiente para tirar o Exército da retranca que ainda assim se mantém há 44 anos, como se já não estivéssemos numa democracia.- É chocante que uma violência dessas não seja examinada num momento em que há tanta mobilização pelas vítimas das torturas, assassinatos e desaparecimentos. A instituição militar não pode legitimar uma farsa, ainda mais quando o peticionário acusa o Exército de haver forjado depoimentos contra ele na ameaça até de torturas.- A construção do hipermercado do Extra no Alto da Rua XV, Cristo Rei, é outra evidência de que a prefeitura age por método quando subordina a cidade a empreendimentos econômicos. Isso se deu com o Shopping Mueller, repetiu-se com os shoppings Curitiba e Crystal Plaza, dá-se com a liberação de áreas para educandários privados, tudo sem qualquer cautela que impeça o impacto sobre a circulação, a política de usos do solo, zoneamento.- Na Grande Curitiba vamos ter também numa área de 101 alqueires, no Atuba, já no município de Colombo, a nossa Alphaville, tal qual o empreendimento que está sendo mostrado em merchandising na novela Por Amor.- Lerner se achava de corpo fechado por ter entrado no PFL. O Kleinubing, que já o incomodou no caso dos empréstimos, voltou à carga na rolagem da dívida. É do PFL.- E se um auditor do Banestado pudesse contar a história dos deputados inadimplentes, que bom seria! Quantos casos iguais aos do Durval Amaral e do Orlando Pessuti iriam aparecer? - Aníbal Khury está irritado com Diretran porque enquadraram um parente muito próximo. Urge haver a idéia de que a lei é pra todos.
FOLCLORE O risco de cassação dos deputados federais José Borba e Valdomiro Meger advém de disputas de campanário, obra do deputado federal Odílio Balbinotti, que alertou o presidente da Câmara Federal. Brigas do gênero levaram Leon Perez aqui no Paraná à cassação indireta e nacionalmente Fernando Collor à renúncia, graças às denúncias do irmão Pedro. Dizia um agente da DOPS que o Paraná é uma terra de tantos delatores que dispensa um SNI.
GLOSA Pergunta-se: se o Lula dançar outra vez, voltará ao trabalho obreiro e consequentemente ao segundo torno ou estaria mais próximo do segundo turno?
CROMO A chuva condiciona tanto os que a sofrem que estes acabam não crendo no sol que ontem à tarde voltou para valer. Como canta Helena Kolody, para quem caminha em direção ao sol é sempre madrugada.
AFORÍSTICO Cada época tem o seu slogan: uma linha radical do PT, sabidamente sem votos, está anunciando como novidade um programa na linha oposta à lógica do capitalismo. Só que não explicita esses rumos, o que também é típico dos primários que se acreditam ungidos como mensageiros da verdade.





