Luiz Geraldo Mazza
Há autofagia construtiva: a que permite numa sociedade confessional como a nossa (meios de comunicação atrelados ao poder) haver o contraste face ao ponto de vista oficial, seja municipal ou estadual. E há a destrutiva, aquela que é uma constante em nossos hábitos.
O deputado federal Odílio Balbinoti, do PSDB, entregou o seu colega do PFL, Valdomiro Meger, de não estar presente à sessão do parlamento, na qual o petebista José Borba, coordenador da bancada paranaense, teria dado uma de pianista. Todos do nosso norte paranaense, glorioso, os dois primeiros de Maringá. Classificável como autofagia, esta é das boas, positivas, pois se constitui no único meio de saber as coisas no Brasil: denúncia e/ou conflito.
Para nossa imagem é um desastre. Ainda bem que o placar eletrônico do Aníbal Khury, o da Assembléia, não funciona. É melhor que assim seja, embora não se explique tamanho absurdo de pagar por uma geringonça ociosa. Senão, teríamos cenas parecidas que dariam motivo concreto para apupos aos deputados.
Aguardemos as explicações, pois não é justo, pelo menos neste momento, comparar o caso a um flagrante de baton na cueca.
LUPA NA COPEL Investigadores da oposição estão de olho no balanço da Copel e afirmam, com aquela ligeireza característica dos seus integrantes, ocupados em marcar posição e pouco se importando com desmentidos, que há irregularidades.
Já levaram para o senador Osmar Dias o exame do assunto com a audiência de especialistas atuariais que estão para o esoterismo contábil como Champolion para os hieróglifos. É que o senador ganhou alguns créditos com aquela análise que fez das contas do governo estadual, embora o deslize, aliás frequente, de esquecer que a recessão no Brasil se deve ao líder e chefe do seu PSDB, FHC.
A Copel deve o seu lucro de R$ 300 milhões a uma coisa só, já que está apertada por todos os lados: o aumento brutal das tarifas de energia, adotado com o propósito de garantir o interesse nas privatizações. Foi isso, sem falar nos 800 paus (milhões) que tem em aplicações. É empresa corretíssima, claro com pecados veniais, mas sem as patologias das federais e estaduais.
BIZARRICE Décio Macedo, maringaense curitibanizado, volta e meia saca uma: ontem ele fazia uma paródia com os feitos do Ratinho campeão de Ibope. O Ratinho roeu a roupa do rei Roberto (Marinho) da Rede (Globo).
SCAPS 1 Segundo o Judas Tadeu Grassi, ex-presidente da Fundepar, conforme vimos num artigo anteontem na terceira página, a dupla Álvaro Dias (governador) e Luis Carlos Hauly (secretário da Fazenda) desviaram o equivalente a quase USS$ 10 milhões da Educação, retidos indevidamente para o caixa estadual. Era um hábito no governo limpar o caixa dos fundos, da Junta Comercial, das unidades com recursos próprios. Só que há um detalhe: Lerner continua fazendo a mesma coisa, o que é inconstitucional.
SCAPS 2Outra digna de trapalhões e do setor paralelo deste governo, confuso no uso das mesmas armas que Requião empregava na Comissão de Assuntos Especiais, na postagem de cartas apócrifas. Uma tal Fundação A Verdade vos Libertará manda um fax com artigo de Paulo Godoi, de Brasília, metendo o pau no senador. Só que desconhecendo o cenário paranaense ao pretender acusar o ex-governador, acaba aceitando como se verdadeiras fossem as denúncias contra Rafael Greca de Macedo, aquela baixaria que chegou ao registro de cartório.
SPRAY Somos a terra dos contrastes: Lerner inaugura a rede telemática no momento em que a Polícia Civil usa seus delegados em sistema manual para dar notas às provas do concurso da Polícia Civil. São 34 mil. Que desperdício na terra do computador!- Nos últimos dias a morte do fisicultor Rodalém Santos, e do pintor Luis Carlos de Andrade Lima, nosso Toulouse Lautrec da pintura sacra como diz o anarquista Elíseo Marques, deixaram Curitiba mais pobre. Tive, quando moço, uma alegria: eu na frente, como artilheiro, o Luis Carlos na meia cancha, com todos os seus problemas físicos, interrompemos uma série invicta do Guarani, divisão dos menores do Seminário do Internato Paranaense, goleando-o pelo Colégio Bom Jesus.- Outra morte, que esta imprensa destituída de memória deixou de registrar com a ênfase devida, ocorrida semana passada, quando me encontrava no Nordeste, foi a de Francisco (Chico) Messino, que mesmo na decadência mantinha o aplomb como se continuasse rico e sedutor das mulheres. Sua fantasia cheia de vida o levava a imaginar-se cantando ao lado de Roberto Carlos numa imponderável boate Zum-Zum. Com as luvas puídas, a roupa amarfanhada, fazia o possível para manter a postura de um dandy. Essas perdas vão despojando Curitiba de seus românticos: Rodalém, campeão de halterofilismo, um ironista excepcional que não poupava a sí próprio; Luis Carlos, um dos mais fiéis seguidores da tonalidade místico-religiosa da pintura de Guido Viaro; Chico Messino, de quem Curitiba não ouvirá imitações de Frank Sinatra no New York, New York.-
FOLCLORE-CROMO Numa tarde dois Franciscos: o empresário Cunha Pereira e o Messino cantarolavam na Boca Maldita um bolero. Nostalgia da fase mais rica e romântica da Curitiba boêmia. Mostra da autenticidade do Francisco jornalista, que respeitava o Messino dos tempos de riqueza em sua amizade intemporal.





