Luiz Geraldo Mazza
É muito estranho, para dizer o mínimo, a lucratividade registrada no balanço do Banespa e que soma facilmente o obtido pelos três maiores bancos privados do país: rentabilidade anual de 59,96% num organismo que recebia plasma e oxigênio na UTI e resultado de R$ 2,037 bilhões. Enquanto o gigante paulista dá motivos a esses registros, o Banestado, tido e havido como o melhor e mais redondo dos estaduais, está às voltas com dificuldades seríssimas no momento em que renegocia a sua dívida e não se sabe como o governo, numa crise sem precedentes, pagará a parte que lhe cabe no saneamento da instituição.
Como se já não bastassem as façanhas da Leasing, ao tempo de Osvaldo Santos, premiado com o posto secretarial, enquanto funcionários da hierarquia média eram despedidos por justa causa, comentava-se ontem que a Justiça havia dado uma liminar à empresa do Clube Car, aquela que operou com os 500 automóveis, dando como legítimo o pagamento da dívida em precatórios, o que alcança perto de R$ 11 milhões. Um dos problemas representados não é a sua legalidade formal e sim o fato de que eles não têm previsão para pagamento.
Tudo isso ocorre dias depois de o senador Requião ter feito aquelas denúncias sobre a renegociação de um empréstimo do deputado Durval Amaral, seu ex-secretário. Ainda que esteja forçando a barra, como é apropriado à exploração política, o fato teve repercussão e, o que é pior, levou o acusado a revelar que um empréstimo de R$ 1 milhão do deputado Orlando Pessuti havia sumido como se volátil fosse. Ora, essa facilidade com que se aceita versões de ocorrências protegidas supostamente pelo sigilo bancário e se conhece em detalhes a barbárie da Leasing com empréstimos como a do Rápido Laser, de Sergipe, sem garantias ou informes cadastrais revelam, uma e outra, que o banco oficial, embora tantas juras de amor (muitas partindo dos beneficiários), não obteve o mínimo de proteção que marcou a crise, muito mais séria, do Banespa.
É que o governo não tem autoridade e lhe falta condições de exercer sua missão com um mínimo de zelo e sem qualquer punch para mobilizar forças sociais e políticas em seu favor e no das causas paranaenses. O Banespa surge com uma saúde de vaca premiada, num momento em que o Banestado deveria tudo fazer para bem credenciar-se à tarefa de saneamento a que está se impondo.
BIZARRICE Conta o Rubinho Ferreira que passou ontem pelo Palácio Iguaçu e viu um guri na frente esperando o governador e quando lhe perguntou o que pretendia, ouviu do piá a informação de que viera buscar R$ 10 que lhe haviam prometido pela tilápia apanhada em São José. E o Rubinho ainda diz que é amigo e eleitor do governador. Os peixes dele são mais frios do que o fisgado por Lerner sob o olhar atento, embora oblíquo, do Cássio Taniguchi.
SPRAY FHC está com o texto pronto de um decreto que derruba o monopólio do transporte internacional e interestadual. Pretende flexibilizar esse campo.- Cada vez que se mexe nesse vespeiro isso ocorre em cima de eleições. No Paraná tem sido assim e na União, pelo jeito, também.- Aqui, na Constituinte, deputados se dividiram entre os que defendiam os concessionários e os que pretendiam uma revisão. Álvaro Dias e seu escudeiro Neivo Beraldin várias vezes trataram do tema - a quebra do monopólio.- Há linhas no Paraná, como por exemplo a de Ponta Grossa, que a despeito dos bons serviços da cessionária poderia merecer uma competição. Mas é assunto técnico e que a política só tende a perturbar.- Para que se tenha uma noção do que o transporte coletivo pode representar em termos políticos, basta lembrar o que houve aqui em Curitiba nas relações entre o cartel da área, a prefeitura e, especialmente, a câmara municipal.- Fixe-se um juízo: não se pode estimular alguém a investir, com a Garcia, Cattani, Princesa dos Campos, etc, para depois cassar concessões em nome da isonomia ou de qualquer outra razão.- A piada do ano nos meios políticos é a pesquisa mostrando o Toni Garcia, inteiramente fora da mídia, liderando a disputa para o Senado.- Alphaville em São Paulo está aparecendo em contrato de merchandising na novela Por Amor, por dez inserções. Partiu de negociação entre a TV Globo e a Alphaville Urbanismo e visa o lançamento de empreendimento em Belô.- Paraná não está fora e a Serra do Mar, estrada da Graciosa, Morretes e ferroviária de Paranaguá aparecem nos primeiros capítulos da novela Era uma Vez. Espero e confio que seja de graça, como se deu em Sonho Meu.- Detalhe: Rubem Braga, o maior cronista brasileiro, em 1952, viu Morretes e escreveu que a cidade era (e é certamente) uma das mais bonitas do Brasil. Logo ele que era de Cachoeiro do Itapemerim.- Outro depoimento pessoal: estive no nordeste, semana passada, e ouvi de um desses repentistas registros sobre o Paraná (Itaipu, Cataratas, Londrina, Maringá, Curitiba) e Lerner. Isso foi em Maceió, e em Natal o taxista mostrou, com orgulho, sem saber que eu era do Paraná, que a avenida havia sido bolada pelo arquiteto Jaime Lerner.-
FOLCLORE Aníbal Khury agiu bem, como presidente do Legislativo, ao determinar a prisão do manifestante que bateu no deputado Irineu Colombo num entrevero por causa das indenizações de Salto Caxias. Redimiu-se daquele cortejamento feito quando ele, secretário, e Anibelli, presidente, permitiram que grevistas professores invadissem a Casa. Há primatas que acham que concessões do gênero estabelecem jurisprudência e direito adquirido.
CROMO O leite sai do mamão verde e também da planta agressiva coroa de Cristo. Mas esses nem para anúncio interessam à Parmalat.
AFORÍSTICO A campanha vai ser uma cloaca e o pior é que pode faltar água.





