Quem controla as pesquisas? Não há instituição que fixe parâmetros ao exercício profissional da atividade, o que poderia ser procedido por algum órgão vinculado à sociologia ou à ciência estatística. Como o TSE, até para não envolver a Justiça especializada em demandas inúteis e que saturariam os tribunais, decidiu liberar a sua divulgação até 3 de abril, teremos a hora do espanto até lá. Para quem acredita, é lógico. Mas também para os candidatos que não podem sobreviver sem esses referenciais, não só para orientar-se como também para manter ilusões, sem as quais ninguém sobrevive.
Indispensáveis na sociedade de massas e às vezes até transformadas em modismo face a constância com que são utilizadas, as organizações de pesquisa acabam modeladas e condicionadas pelo mercado em que atuam. Podem até, por isso mesmo, em alguns aspectos específicos do entorno em que atuam, ser mais eficazes do que as nacionais e mais estruturadas.
Recentemente duas empresas locais, que têm conseguido razoável precisão nos seus prognósticos, a Alvorada e o Bonilha, chegaram a conclusões diferentes sobre o cenário paranaense por haverem buscado alvos também diversos: neste provava-se que a dupla FHC-Lerner dá três vezes mais votos do que a dobrada FHC-Álvaro e naquela Álvaro ganha de Lerner. A variedade de alvos é tão ou mais significativa do que a de metodologia.
Como Lerner anda com tique-tique nervoso, preocupado com o raio de autonomia no PTB em relação aos áulicos que integravam o governo, qualquer movimento o assusta e diante da pesquisa Alvorada saiu-se com a elegância de um espadachim de Alexandre Dumas, que se viu com um tacape à mão: é ‘‘armação’’. Quer dizer é ‘‘armação’’ quando o beneficiário é o adversário, e verdadeira quando ele, o todo poderoso, é o ganhador.
Pesquisa não é protegida pelo mito da exatidão. O Gallup quebrou a cara quando previu a derrota de Truman nos Estados Unidos. Tivemos no Brasil a falha de uma sondagem que deu a vitória de FHC contra Jânio para prefeito de São Paulo e que levou o nosso principesco presidente à temeridade de sentar na poltrona que ocuparia. Discutível também o caráter ‘‘científico’’ das pesquisas, uma vez que se pode questionar abertamente os painéis de Curitiba ou de Antonina, do Brasil ou de Jacarezinho, sobre assentamentos de classes sócioeconômicas. E num país de forte mobilidade social e onde estatísticas, como se sabe, nascem desatualizadas. Na tabulação já ‘‘dançaram’’.
Já se comparou os ‘‘desligados’’ da pesquisa de audiência de rádio e tevê com os ‘‘indecisos’’ como formas capazes e sutís de manipulação. Só que na hora do funil, as precisões se tornam indispensáveis, incluindo aí a de ‘‘boca de urna’’. Ainda que se fale que a pesquisa antes ou no meio de uma campanha é o ‘‘flash’’ de um momento, o que soa acaciano e não esclarece, o fato é que a hora do espanto vem aí, ainda mais num momento em que os que brigam pela reeleição buscam garantias como a do católico que ingressa na religião com a garantia de cadeira cativa no céu e do espírita que só adere se tiver a segurança de que na reencarnação será um espírito de luz. Tudo isso é bastante engraçado, incluindo, é claro, as pesquisas.
BIZARRICE Professores municipais, como sempre comandados pelos basistas, cercam a Prefeitura de Curitiba numa greve e Requião vai atendê-los. Olha uma faixa, a mais destacada, e nota a palavra ‘‘paralisação’’ grafada com ‘‘z’’e desanca os mestres como incapazes até de se manifestarem gramaticalmente. Agora os professores universitários da Federal mandam um ‘relise’ com o mesmo equívoco anunciando a greve de hoje e amanhã.
Isso lembra a passagem do Dicesar Plaisant, jornalista boêmio, dos anos 40, e que usava um linguajar rebuscado quando um delegado da DOPS, diante do comício que fazia na rua XV contra o interventor Manoel Ribas, disse: ‘‘Se o bacharel não parar eu lhe prendo’’. Plaisant foi fundo e disse suportar até um pelotão de fuzilamento, mas não um erro de português e dava explicações gramaticais gritando em voz alta ‘‘eu o prendo’’. E prendeu-lhe a atenção.
SPRAY Mais de 700 consultas já foram feitas à Internet no ‘‘site’’ do Impacto e dentre as informações está a análise da situação financeira do Paraná que Osmar Dias elaborou.- Nela acusa o governo de maquiar orçamentos e balanços e ocultar o déficit de R$ 790 milhões ou seja 16% do orçamento.- Um jornal que dizia coisas piores do que isso do governo e do governador, incluindo questões de intimidade, acabou contemplado com propaganda.- Como na Internet não há o direito de resposta e muito menos como cooptá-la, estamos diante de algo que vai acabar ajudando governo e meios de comunicação a aprenderem na marra a viver numa linha mínima de respeito.- Um advogado vendeu precatórios a 30% do valor de face em acertos com a Leasing. A cada dia um fato novo aparece e tem até um informante com o codinome de Aknaton que manda fax aos jornais.-
FOLCLORE Lerner tem o seu SS, Salomão Soifer: conseguiu o Shopping Mueller, estava na vistoria eletrônica de automóveis e aparece agora como sócio da Copo espanhola que fornecerá componentes à indústria automotiva. Como dizem críticos do governo, este é um dos que horizontaliza e verticaliza o seu campo de atuação. A ele se atribui façanha maior: a de ter alterado identidade de um cavalo no Jockey. Essa não é cavalar, é de mamute.
AFORÍSTICO Lerner deu outra de Jerry Lewis: deixou a porta do carro aberta e um veículo que passava a arrancou. Na Inglaterra trombou com um carro. Água benta, urgente. Uma piscina de água benta. Isso não depende de religião.

mockup