Chove, chuva. Chove sem parar. O que chove agora é documento em pesquisas eleitorais, as mais disparatadas possíveis, e em cartas anônimas ou ainda denúncias verdadeiras. Essa não é uma chuva zenital, mas adequada à época pré-eleitoral. Dias passados, o Gallup de Curitiba mostrou Lerner com 49%, Requião com 28% e Álvaro com 22%. Mas ontem pintou outra, essa do PPB, com assinatura da Alvorada, mostrando Álvaro na frente com 29,5%, seguido de Lerner com 25,8% e de Requião com 18,5%. Entre Alvorada ou qualquer outra empresa regional, mesmo o Bonilha ou a Paraná Pesquisas, diante de um Ibope ou Datafolha há uma analogia como a estabelecida entre a cerveja Antarctica e uma caseira de Irati.
Como o derrame dessas sondagens foi admitido pelo TSE teremos catadupa de referenciais em que candidaturas subirão como um foguete e outras cairão como um prédio do Sérgio Naya. De cara uma curiosidade relativa a Curitiba: no Gallup, Lerner faz quase a soma de Álvaro e Requião: 49% contra 28% do senador e 22% do presidente da Telepar; na Alvorada, Lerner faz 43%, Requião 18% e Álvaro 14%. Se pesquisa se credenciasse como cerveja, pelo consumo e a aceitação, as regionais certamente, mesmo quando bem montadas, ficariam na posição, no máximo, da Schincariol, que afinal é da terra onde tudo é mais agigantado, a paulista Itu, com seu orelhão e sanduíche gigantes.
Chovem, além das pesquisas, denúncias: uma tenta provar que Lerner faz com deputados do PMDB o mesmo que FHC para cooptá-los. Segundo ela, o deputado Durval Amaral, agora na órbita oficial, teria pago uma dívida ao Banestado de R$ 2,48 milhões com três propriedades que somadas não ultrapassariam R$ 748 mil. Bem, pelo menos pagou porque o que há, na história do banco, de deputado que não paga conta é de estarrecer. De empresário, então, nem se fala: fazem um ar indignado quando alguém tenta cobrar como se a função de órgão estadual fosse exatamente essa - a de ser golpeado por dentro e por fora.
BIZARRICEJota Éle, iniciais comuns a Jaime Lerner e Jerry Lewis. Mais recente prova da simetria entre os atores foi a ida a Brasília, vexaminosa, quando não chegou sequer a aproximar-se de FHC. Chantagem que vem sofrendo de partidos corsários decorre apenas de sua fragilidade. Lewis faz rir. É a diferença.
SPRAY Precatórios, que não grudaram na CPI, vão complicar o governo estadual: além do caso espantoso da Leasing (o caso dos 500 automóveis) há outras negociações de alto risco que não levam em conta o fato de que em sua origem há pendências judiciais.- Um precatório de R$ 1 bilhão teria sido adquirido pelo Banestado ao preço de R$ 300 milhões e glosado pelo Banco Central.- Um alerta: amanhã o Coritiba joga em Irati. Na última vez houve batalha campal e depois daquela ocorrência com os bárbaros da torcida do Atlético, que chegaram ao extremo de incendiar uma borracharia, não dá para facilitar.- A propósito, domingo tem clássico na Vila Olímpica entre Paraná e Coritiba. Se a polícia botar em prática o que faziam os delegados Silvan e Nilton Rocha tudo esmaece.- Na Segurança, novidades: a partir de 1º de abril (dia da mentira) ela bota 52 viaturas nos bairros para atuação junto a líderes comunitários para identificar, prevenir e reprimir as patologias criminais mais comuns.- Tático móvel operará com 14 viaturas e haverá 22 patrulhas escolares (equipes com mulheres) para identificar problemas no entorno das escolas. Na maioria, corre solto o tráfico de drogas e funcionam as gangues. Só não vê quem não quer.- Os bobos alegres do Palácio Iguaçu, que se acreditam indispensáveis nas artes de puxar o saco, foram os que divulgaram que Lerner iria encontrar-se com FHC. Com esse tipo de aliado, o governo pode dispensar adversários. São piores do que o Ozéas fazendo aquele gol contra para o Corinthians.- Sabidamente mau pagador, ‘‘enrolador’’, o governo aprontou outra: cancelou o pagamento de um dos seus pilotos sob a alegação de que era aposentado. Acontece que nessa condição ele já estava há cinco anos. Ruim de vôo, pior de aterrissagem em matéria de calote.- 549 processos de precatórios no IPE num total de R$ 570 milhões, de natureza alimentar, não honrados pelo governo, levaram o advogado dos pensionistas ao extremo de pedir a impugnação da prestação de contas de 1997, pois havia verba conforme certidão do TJ. Se o TC impugnar as contas, o governador pode ser reeleito, mas não é reelegível. Essa é boa.- Hoje, 10 horas da manhã, Palácio Bandeirantes, Mário Covas recebe Atilano Oms, Inepar, para o relato dos programas que a empresa paranaense desenvolverá naquele estado, incluindo o centro de excelência de Araraquara. Tem gente no Palácio Iguaçu que vai morder os lábios.
FOLCLORENo Brasil só há um jeito de saber as coisas: o conflito seguido da ‘‘entrega’’. Foi assim com Fernando Collor diante do irmão Pedro e também com os ‘‘anões do orçamento’’. E também no caso de Requião e Mário Pereira, que relatou não apenas o caso do ambulante que vendia cachorro quente em Ponta Porã e em cujo nome se faziam negócios de US$ 1 milhão ao dia no Banco del Paraná como tocou a questão das ‘‘diárias frias’’, que já sentenciou alguns da Casa Civil. Pois agora Requião contou que o deputado Durval Amaral pagou com três propriedades, no valor de R$ 700 mil, uma dívida no Banestado de R$ 2 milhões. Amaral repica, alegando que pagou o valor mais TR e mais 1% de juros. Aproveitou o embalo para dizer que desapareceu uma dívida de R$ 1 milhão do deputado Orlando Pessuti. Margarina no ventilador. Saudabilíssimo. Contem tudo, please: e aquela do deputado que devia R$ 1 milhão e quis trocar por sêmen de touro? Que porrada! Esse pessoal é contra o Banestado privatizado.

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