Luiz Geraldo Mazza
Nunca o Paraná teve alguém com tantos predicados em termos nacionais como Lerner. Não que tenha as condições de um Munhoz da Rocha, que o suplantava como expressão cultural, ou mesmo de um Ney Braga como homem determinado, que sabia o que queria e cuja capacidade clânica (de agregação grupal) era bem superior. A imagem de Lerner é maior do que ele próprio, em função de exageros funcionais do seu marketing.
Claro que o ambiente paranaense mudou. Munhoz da Rocha trouxe para o governo a elite da Universidade (os tomistas como Joaquim de Mattos Barreto, Roaldo Keller, os humanistas como Temístocles Linhares, Erasto Gaertner e Milton Carneiro); Ney ampliou esse raio de participação desde a sua passagem pela prefeitura da Capital. É em 60 que se revela a nova classe com os nossos empreiteiros listados para a competição nacional. Tanto que a CR Almeida, fruto da audácia do seu dirigente, persegue e obtém empréstimo que tornou possível a construção da Estrada de Ferro Central do Paraná, cuja decolagem se dá na gestão de Paulo Pimentel.
Com Lerner e em função da sociedade transformada (industrialização, expansão urbana) gera-se a figura da liderança que cataliza interesses empresariais, fator indispensável na modernidade, o que fica expresso na mobilização de uma elite que participa de todos os processos eleitorais. Obviamente a hipocrisia manda - e aí temos a influência jesuítica que nos prejudica na idéia de que a virtude pode estar em tudo, menos no lucro - apontar essa relação como algo pernicioso, como se os opostos à proposta não se aferrassem a um discurso que não tem o menor compromisso com a realidade por ser essencialmente falso.
Acontece, no entanto, que ninguém dispersou tanto potencial em nossa história com a prodigalidade de Lerner. Arrastado nas decisões, tratando de política do cotidiano com um enfado de filme de Antonioni e náusea sartreana, como se viu ainda recentemente com a mini-reforma do secretariado. O pior é que não tem um preceptor à altura, tanto que a saída de Cássio Taniguchi afetou sua gestão em dois flancos: o político e o técnico. Hoje há gente que acha o Cássio mais completo do que Lerner, exatamente por não ser tão pendular e nem por isso colocou mal seu antecessor, Rafael Greca, cuja herança afeta de forma brutal a recuperação financeira do município.
A GLOBO REDIMIDAA melhora no padrão Globo de jornalismo como os episódios da queda de Collor, da CPI do Orçamento e, para citar fatos mais recentes, o cerco em torno do doublê de deputado e construtor Sérgio Naya é decorrência, em grande parte, da pressão popular e não apenas da pura exploração do fato emocional. Basta lembrar que a Globo só tomou consciência desse processo na servidão ao regime militar, quando manipulava informações e acabava expondo a sua equipe de repórteres, cinegrafistas e motoristas a riscos nas ações de rua. Não havia um mínimo de segurança para quem era visto, aos olhos do povo, como culpados pela desinformação dirigida no caso das diretas já.
O ideal é o equilíbrio e o não cortejamento em qualquer direção, seja do povo no imediatismo das explorações psicossociais ou do poder. É claro que há matizes perfeitamente identificáveis que tornarão essa postura mais permeável e próxima do ideal. A própria Globo já incidiu em erros crassos como o havido na exploração da Escola de Base, na qual embarcou com toda a mídia numa versão falsa e que tornou irreparável à agressão aos inocentes.
BIZARRICEQuando houve a briga do doutor Randas com o Hospital Angelina Caron ficou nítido que dessa classe, a médica, só se sabe as coisas quando há o conflito aberto. Como eles evitam esses choques públicos, prevalece a versão pasteurizada. Nos tempos em que eu estava dirigindo o setor jornalístico da Globo regional houve um caso de erro médico, muito bem editado pelo Marcos Baptista. Pouco antes do noticiário ir ao ar, um dos donos da emissora ligou para saber o material do dia. Quando coloquei o erro médico, houve reação inusitada: Imaginou se o médico fosse seu irmão? Após mostrar que a reportagem ouviu os dois lados e havia sido editada com equilíbrio, respondi: E se a paciente fosse nossa mãe?
SPRAYInfelizmente nenhum órgão do governo, estadual ou federal, vem se ocupando de um assunto sério: o empirismo com que vem sendo adotada a mania de repovoar rios e açudes com espécimes de outras bacias e até amazonenses. - O tucunaré, por exemplo, foi lançado por alguns curiosos até nas barragens da Região Metropolitana de Curitiba (Capivari-Cachoeira, Rio Verde, Passaúna, Piraquara) e outras ao longo da bacia do Iguaçu. - Numa pousada de Foz do Areia (municipío de Cruz Machado) houve lançamento de milhares de alevinos que devem ter sido comidos pelos lambarís, traíras, black-bass.- Há ainda casos de migração de espécimes, lançados nos programas da própria Copel que introduziu algumas como o peixe rei (origem no Rio Grande do Sul, nas lagoas dos Patos, Mirim e Mangueira) e o corimba bem como o de acidentes de estouro de tanques, como os que explicam a captura de pacus no Iguaçu, ainda em Porto Amazonas, onde as condições de oxigenação não parecem satisfatórias. - Nas obras da especialidade não há registro sistemático em torno da presença de um peixe exótico na bacia do Iguaçu como a truta arco-íris, capturada ao longo do rio Claro em pontos da Estância de Dorizon e, sobretudo, nas cabeceiras deste curso dágua.
FOLCLOREO agente funerário de Antonina leva tão a sério os misteres da sua profissão que, ao encontrar alguém, faz a pergunta quando vai?.





