Neste ano uma coincidência: em fevereiro tivemos uma sexta-feira 13 e agora o dado se repete hoje. O curioso é que quanto mais se entroniza no mundo moderno a tecnologia mais se afirmam estudos e modismos relativos à magia e à mística, como se nota em textos como os de Paulo Coelho, sucesso literário de qualidade discutível, e publicações do padrão ‘‘Planeta’’.
Iluministas especialmente deveriam horrorizar-se com a permanência desses valores tal a sua constância numa ordem regida pela razão, como se o homem não se constituísse num ser aberto à permeabilidade ao fantástico e ao ilógico. Alguns fundamentos da ciência moderna, dentre eles a psicanálise, se ajusta, em grande parte, numa apropriação racionalizada dos mitos como os de Édipo e de Electra, aplicáveis à interpretação de patologias do psiquismo.
Quando Freud virou moda como é hoje o ambientalismo, deu-se uma interpretação extrapolada do processo de análise em cima de um pan-sexualismo, o que decorria menos de uma visão reducionista do criador da psicanálise do que da ruptura que lançara a respeito de fundamentos do comportamento humano. Havia avaliações exageradas como a do mestre Napoleão Teixeira, e que nos provocava com suas colocações, na Universidade, ao afirmar que as revoluções (e como esse tema empolgava os bancos acadêmicos em 1954, tempo do suicídio de Getúlio Vargas!) não eram decorrência de fatores econômicos, enfim da interpretação dialética e materialista da história, mas sim explosão coletiva do complexo de Édipo, isso é a rebelião contra o pai, no caso o governo, a autoridade.
O limite entre a crendice, supostamente colocada como ‘‘sabedoria’’ popular, e o chamado conhecimento científico não é tão claro. E as celebrações de hoje o confirmam, bem como os acidentes havidos na Barra da Tijuca com os prédios do macunaímico Sérgio Naya que não podem ser apontados como decorrentes do azar ou do aleatório. Que afinal não caíram num dia aziago. E com o tipo de caráter que há neste País, sabe-se que a todo momento estamos sob risco.
BIZARRICE Políticos, às vezes, pagam pelo que não fizeram, mas lhes foi maldosamente atribuído: Ney Braga, cuja cirurgia de ponte de safena acabou olhada como um incidente passional em que o grande político teria levado um tiro no traseiro ou o do seu cunhado, e que o lançou na política, Bento Munhoz da Rocha, que sofreu a acusação de haver dado uma ‘‘banana’’, aquele gesto clássico diante de estudantes que protestavam contra violência policial no Palácio São Francisco. A propósito disso houve uma situação engraçada comigo e o saudoso Newton Stadler de Souza: éramos redatores oficiais e estávamos protestando junto com os colegas de faculdade e um fotógrafo do SNI da época (Departamento Federal de Segurança Pública) nos flagrou. Mais tarde um policial foi revelar as fotos em nossa repartição e não pudemos evitar que fôssemos alinhados na lista de agitadores. Aí pagamos pelo que fizemos...
SPRAY Alertamento sobre os riscos de assoreamento do Canal da Galheta por causa da dragagem do porto da Ponta do Felix, em Antonina, levou a diretoria dos terminais a recomendar que a profundidade fosse de oito metros e não doze, como se cogitava.- Estudos de sedimentos de fundo da baía, feitos por órgãos governamentais, mostraram a origem óbvia deles na Serra do Mar, conduzidos pelas enxurradas e os rios. O geólogo Bigarella dramatizou o tema numa obra, sugerindo que enquanto prosseguissem os processos de agressão à integridade da serra haveria o risco de colapso de todo o sistema de comunicação com o litoral (estradas de ferro, rodagem, oleoduto, o porto e o entulhamento da baía) numa visão apocalíptica.- Curioso é que uma figura importantíssima do Paraná, Newton Carneiro, quando presidente do IBDF no regime militar, derrubou a mata secundária da serra e cultivou pinus eliotti no local, o que provocou escândalo e ainda um IPM.- Alguns pré-ambientalistas, em represália, tentaram detonar o reflorestamento com a colocação no local de roedores que minariam a casca do tronco e exporiam as árvores à contaminação.- Tentava-se, à essa época, a implantação do Parque Nacional do Marumbi, conforme projeto de um deputado federal paranaense, líder católico, Antonio Chalbaud Biscaia. Muitos anos depois é que surgiria o parque estadual com as limitações conhecidas e constantemente agredido.- Um dos momentos críticos enfrentados pela região foi numa época em que aventureiros, de posse de equipamentos para detectar metais (mineoro, contador Geiger), andavam a procurar ouro e prata e provocaram estragos na serra, denunciados por nossos alpinistas.-
FOLCLORE O Gauchinho, que Londrina conheceu tanto quanto Curitiba, era Carlos Alberto Marques, jornalista, que teve uma fase de ator e conservou a postura. Em 64, Capital do Café, discutia-se a lista dos dedos duros e um que estava interessado em ‘‘prestar serviço’’ mostrou-se empenhado no ‘‘trabalho’’ e o Gauchinho fez a observação de que para traidor não havia mais vagas. Num jantar da Boca Maldita, um desembargador perguntou ao Anfrísio Siqueira se não iam tirar uma foto dos presentes. O Carlinhos disse que no que o senador Leite Chaves chegasse tudo seria resolvido porque ele era bom de retratação. A piada era em cima do discurso em que Leite Chaves comparou o Doi-Codi, que havia assassinado Vladmir Herzog, à SS nazista e que o levou a uma explicação junto aos milicos. Leite Chaves jura que ali começou a abertura.

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