Luiz Geraldo Mazza
O presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso, provou por a mais b, ao responder, simultaneamente, ao vereador Tadeu Veneri e a este colunista que as promoções havidas naquela Casa foram regulares e que a fonte se equivocou ao referir-se a aumentos de mais de 50% quando mal passaram de 5% (avanço funcional por progressão). Como o ato foi baixado em 5 de dezembro com efeito retroativo a 1º de outubro houve confusão quanto ao ganho de atrasados.
Outra coisa: suas irmãs Fátima e Maria Helena (não filhas dele, como foi dito, mas do ex-vereador, João Derosso, seu pai, grande aliado de Ney Braga, que lhe passou a herança eleitoral) passaram em concurso. Não é pecado mortal, já que o presidente FHC nomeou o genro para a mais importante agência de controle, a do petróleo, e Lerner tem todo o seu clã no poder, como se dava com Requião e não ocorria com Álvaro Dias que nomeou apenas um do seu time de futebol de irmãos, o Osmar Dias.
Esses concursos, tanto da Câmara como de qualquer órgão público (exceções servem apenas para reafirmar a regra), mostram que há um traço genético nas qualificações das pessoas, especialmente no Judiciário e no nosso Tribunal de Contas: filhos, irmãos, genros, noras são talentos inquestionáveis, sempre reafirmados em provas de títulos e conhecimentos. A Câmara Municipal jamais poderia romper com essa praxe. E se ela não pode fazer isso, imagine-se o que poderia fazer um presidente que para ser eleito teve que montar sua aliança e em cima, é claro, do respeito a essas praxes.
Agora que a Câmara Municipal padece de elefantíase não há como contestá-lo: só com pessoal o dispêndio vai a R$ 28,8 milhões, rubrica que bate a de qualquer grande empresa e seu orçamento anual de R$ 42,4 milhões é um desses fatores que levam o povo, pelo ceticismo, a querer um japonês menos próximo do Taniguchi e mais do Fujimori para nos governar. A partilha dos carros segue a trajetória com o que se percebe que as denúncias do ex-vereador Marcelo Almeida deram em nada. Como de resto o racha dos cargos em comissão, a maioria dos quais sob controle da Mesa. Enfim tudo normalíssimo, dentro dos parâmetros éticos da administração brasileira. A emenda do vereador Gustavo Fruet que impedia nomeação de parentes, já adotada em alguns governos e legislativos não passou, obviamente. Ninguém gosta de marcar gol contra de forma consciente.
BIZARRICE Não sou o Anfrísio Siqueira para ser o presidente perpétuo do PTB regional. A declaração é do Nelson Justus a respeito do PTB. Só que ele vai muito além do presidente da Boca Maldita, já que se coloca acima da direção nacional do partido ou age como se ela inexistisse. Não consta, a despeito dos inegáveis talentos do Anfrísio Siqueira, que ele tenha apitado na ONU solução para o caso do Iraque.
SPRAY Ciro Gomes pode vir a ser o Afif Domingos dessa eleição como sugeri. O empresário Odone Fortes Martins está impressionadíssimo com o diagnóstico do candidato presidencial do PPS.- Curitiba projeta e enterra: Collor começou sua caminhada por aqui num jantar da Boca Maldita. O Ciro, que é um clone atenuado de Collor e um Álvaro Dias com pós-graduação, se tivesse comparecido ao jantar da Boca (do qual participou o ministro do STF, Nelson Jobim) estaria cotado.-
Continua rendendo, em Curitiba, uma das mais cabeludas estórias da Leasing Banestado, a da mega-operação (500 unidades) com carros e na qual se pretendia pagamento através de precatórios, vetada por Gionédis que, como secretário da Fazenda, é presidente do Conselho do banco.- Há quem acredite que a decisão do governo ainda pode ser revista, sob o fundamento de que pior do que receber créditos em títulos nem sempre podres é melhor, para efeito gráfico-contábil, do que mandar a operação para o buraco negro dos créditos em liquidação.- A revelação de parentesco entre um dos empresários que serviu de intermediário nas negociações com a gangue do ICMS (o clube dos 60%) e uma empresa fortemente privilegiada naquele caso é olhada como elemento sério para o aprofundamento das investigações que não pode ficar apenas na punição dos bagrinhos.- Tanure vai dar uma limpa na Segurança: não fica apenas no caso da Furtos de Automóveis, foco, aliás, de patologia endêmica.- Sexta feira, 13, Polícia Federal: depoimentos ainda em torno do Correio de Notícias nas ações movidas por Álvaro Dias. Nesta eleição, pelo jeito, a coisa vai ser ainda mais feia e pegajosa.- Deu para perceber ontem na Capital Federal o quanto vai ser dolorosa a convenção do PMDB.- A propósito disso, o Orlando Pessutti, meu amigo, reagiu como sensitiva a uma nota da coluna não entendendo o que quis dizer quando mostrei que como Exército Brancaleone (este que vai a Santa Catarina e Rio Grande do Sul) não tinha a dignidade daquela legião comandada no filme italiano pelo Vitório Gasmann. Ora havia ali na caricatura uma dignidade ferida, patética, doída, que expungia o ridículo e nos fazia rir do absurdo, mas numa atuação solidária. Essa é uma empreitada do PMDB local em Santa Catarina (cujo governador quase foi cassado pela ação da maior liderança regional, o senador Requião) menos séria do que a da anedota.-
FOLCLORE Um dia o mestre Napoleão Teixeira surpreendentemente chegou atrasado para a sua aula de Medicina Legal. Justificou: a pontualidade é concessão elegante dos nobres e eu, como sabeis, sou um plebeu.
CROMO Vagalume ou uma estrela: havia, enfim, uma luz no túnel.
AFORÍSTICO Lerner no interior é resposta ao Paraná por inteiro do PSDB?





