A revista ‘‘Istoɒ’ levanta um problema ético em relação à ‘‘Veja’’, a sua concorrente, alegando que esta, através de recursos de computação gráfica, teria alterado uma fotografia sem dar esse detalhe ao público. Aqui no Paraná, no andamento dos ‘‘Jogos Mundiais da Natureza’’, a ‘‘Gazeta do Paranᒒ de Cascavel ‘‘sequestrou’’, por idêntico processo de manipulação, a imagem do governador Jaime Lerner de uma foto produzida pelo profissional Orlando Kissner. O episódio teve grande repercussão na mídia nacional e foi debatido em todos os seus detalhes com o proprietário do jornal, que tinha pendências com o governo, alegando que o governador só poderia sair na parte relativa ao noticiário policial.
Esse tipo de ocorrência mostra apenas que nada mudamos desde o momento em que o governador Ney Braga estabeleceu a regra confessional nas relações com os meios de Comunicação. Inclusive por causa disso, na fase do ‘‘pega’’ de 64, quando o paranaense enfrentou Costa e Silva numa disputa para presidente na Arena, fui procurado por dois coronéis do Exército que vieram a Curitiba com a missão de obter depoimentos exploratórios sobre essas ligações, ao que me recusei abertamente. Havia até uma denúncia contra Ney Braga pelo promotor substituto Mansur Theophilo Mansur, da Auditoria de Guerra, não consumada pela intervenção do procurador-geral da Justiça Militar, Eraldo Gueiros.
No IPM que foi instaurado contra jornalistas da ‘‘Última Hora’’, dentre os quais eu me encontrava, apareceu um documento revelado por uma testemunha (o jornalista Cândido Gomes Chagas) segundo o qual quem sustentava a edição regional daquele órgão era o Palácio Iguaçu, o que demonstrava documentalmente através de um cheque assinado pelo reitor da Universidade Federal, Flávio Suplicy de Lacerda, e abonado por Jucundino Furtado, que integravam comissão de socorro aos incêndios florestais do Paraná, de 1963, em paga pela cobertura do evento, superdimensionado até em escala internacional.
O choque de capitalismo, prometido por Requião para as relações entre governo e mídia regional, não aconteceu infelizmente, daí o cenário que temos ser incompatível com qualquer noção mínima de mercado e competição. Excesso de veículos, tanto impressos como eletrônicos, decorre precisamente dessa facilidade, sem falar em outras como a de deputados e até a hierarquia do Tribunal de Contas ter participação, direta ou indireta, no setor.
O sequestro de Lerner, pela computação gráfica, é um momento importante nessa história. Será através de situações como essas, atípicas e insólitas, que iremos aos poucos estabelecer um novo modelo de relação menos vicioso entre o governo e os meios de Comunicação, que sendo oficiais ou pára-oficiais traem o leitor e a cidadania.
BIZARRICE Um aumento de mais de 50% a privilegiados servidores da Câmara Municipal de Curitiba deu margem a uma denúncia que circula nas redações de jornais (avanço funcional por progressão). Dentre beneficiados da relação aparecem duas filhas do presidente Derosso (Fátima e Maria Helena) e o cunhado (Chu Chia Gean). O estrilo fez lembrar um episódio histórico: o governador interino Guataçara Borba Carneiro nomeou o filho, Paulo, para o Tribunal de Contas. A alguém que ‘‘chiou’’, Nho Guata arrematou: ‘‘Você queria o que? que nomeasse seu filho?’’ O pior é que as pessoas aceitam como normalíssima a observação do sábio Guataçara.
SPRAY ‘‘Estado Mínimo’’ é algo incabível na Câmara Municipal de Curitiba: 15 assessores jurídicos, 32 técnicos legislativos. Prova de que o PT, aquele das denúncias em cima de tudo, não existe. Pelo menos lá, já que entra no acordo no ‘‘racha’’ de cargos.- O macete dos carros alugados (dois por vereador) continua, prova de paga de ajuda em campanha eleitoral, como de resto se dá com o governo estadual também.- Torcedores atleticanos que se envolveram no conflito em posto de combustível correram risco maior: poucos minutos depois da dissuasão, já com feridos a tiros, apareceram no local atiradores treinados em operação de limpeza de terras invadidas. Dá para imaginar o que poderia ter acontecido.- Torcidas organizadas, se não houvesse cumplicidade de autoridades policiais e diretores de clubes, já deveriam ter sido extintas. Em São Paulo a medida radical devolveu a paz aos estádios hoje frequentados por famílias.- Até o crime organizado, que se vale de favelas, mas também de colégios, jamais desprezou esse ‘‘filão’’. Tanto que num levantamento da ‘‘Mancha Verde’’ do Palmeiras, em São Paulo, a polícia detectou dentre os 40 mil cadastrados dezenas de pessoas com mandado de prisão e até reincidentes.-
FOLCLORE O momento político é dos gordos: a modelagem do secretariado de Lerner, ora modificada, se deve basicamente a Aníbal Khury em primeiro lugar e a Rafael Greca em segundo. Quem não frequenta a Camisaria Warca não tem vez, pelo menos neste momento. Ainda bem que João Féder, conselheiro do Tribunal de Contas, magro como um Don Quixote, é um dos que acaba fiscalizando tudo.
CROMONarciso se olhou no espelho das águas e ficou dividido por achar que a sua imagem era mais bela do que a realidade: só ficou bom quando o analista lhe detectou o complexo de inferioridade, pois quem o tornava mais formoso era a sua visão subjetiva. Ele substituia a camisa de força por um espelho.
AFORÍSTICONa mini-reforma da administração Lerner o que se observa é que os partidos continuam valendo menos do que as pessoas mais ousadas, estas, como sempre, se valendo das usadas.

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