O único dos últimos governantes que reprimiu para valer manifestações foi o de Requião: uma ‘‘pendura’’ de três dias em servidores estaduais que fizeram uma greve se mostrou suficiente para que não mais incidissem na operação. A mais trágica, a de Campo Bonito, agora sob exame da Justiça (Comarca de Guaraniaçu), redundou na morte de três PMs e do líder sem-terra Teixeirinha.
A repressão é sempre uma nódoa. Haja vista para o episódio entre Álvaro Dias e os professores, em que estes se aproximaram demais do Palácio Iguaçu e no espírito de turba em que mergulhavam invadiriam a sede do governo, como de resto o fizeram anteriormente com o Legislativo, numa operação facilitada por Aníbal Khury e Antonio Anibelli, da Comissão Executiva, fazendo o gênero da empatia com os manifestantes.
Agora o governo, confuso e desarticulado, de Lerner, depois de cortar os descontos em folha da APP, alegando um pleito de deputados, sugere rever a medida. Nada mais errado: em primeiro lugar por ter adotado a medida drástica e, em segundo, diante dessa hipótese de revê-la, o que nada serve ao governo e muito menos aos professores. Estes deveriam valer-se do episódio intolerante para mostrar capacidade de agir próprio e fugir dessa dependência. Afinal uma das teses do sindicalismo mais moderno é o de romper a tutela pública e esse é um caso característico.
Ocorre que o sindicalismo hoje tem muito pouco a oferecer, a não ser discurso e encenação. Isso é visível na dificuldade de mobilizar para a greve, já que em tempos de recessão todos os fatores são adversos. Se o governo ceder, vai agir com a mesma imprudência do Legislativo quando permitiu a invasão de suas instalações pelos manifestantes, e se mantiver a medida não irá faturá-la no aspecto político porque servidor público não vota no situacionismo e não será essa postura que o reabilitaria, já que os mestres esperavam muito mais pelo fato de haverem sido ‘‘usados’’ na campanha eleitoral e acham que os 130% de ajuste são insignificantes.
Se o garrote sobre os descontos for mantido por uns três meses, a APP esvazia dramaticamente, a não ser que tenha junto aos seus associados a imagem que acredita existir, o que seria suficiente para que os professores, de forma voluntária, procurassem uma forma de levar à entidade as suas mensalidades. Mas não é isso que vai acontecer, não. A comodidade é geral e muitos até verão que o dízimo drenado ao sindicato pode significar um ganho de renda.
De outro lado, se o governo acredita que o fato de ter dado os maiores aumentos do Brasil aos professores o habilitaria ao diálogo permanente com a categoria não há porque temer qualquer confronto. Além disso, se o estado de espírito dos que fazem a ‘‘reciclagem’’ de Faxinal do Céu é tão generoso, como sugere o oficialismo, eis mais uma razão para esperar não apenas compreensão como também os votos dos educadores.
O que o governo está fazendo é covardia e brutalidade, porém como é ato de guerra exige atitude máscula da parte das vítimas e não ‘‘choradeira’’.
BIZARRICE Alto funcionário da Universidade Federal foi barrado no Estação Plaza Show por estar com a camisa do Grêmio Portoalegrense. Ocorre que dias antes uniformizados do Atletiba se engalfinharam no recinto. Camisa-de-força é permitida como traje esporte, desde, é claro, que escondida, como se dá com alguns dos nossos atores da cena política.
SPRAY A publicação em primeira página de cromo do lixo acumulado no Superagui desmorona a imagem publicitária do governo e do seu ‘‘Baia Limpa’’.- Aliás, desde o seu lançamento em Guaraqueçaba, área de população rarefeita e de pouca poluição, já houve um sinal de que os deuses não suportavam a encenação: houve a queda do trapiche mal construído e isso antes de testar o peso de Lerner.- O curioso é que nossos ambientalistas passam ao largo de questões como essas e também da gravíssima agressão advinda da falta de saneamento nas praias, a cujo risco se expõe os milhares de banhistas.- Outra vesguice dos ecologistas é a ausência de combatividade nos casos de invasão de áreas de preservação permanente, como as que garantem o suprimento de água a Curitiba. Horrorizam-se com a hipótese de parecerem contra os lúmpens e migrantes. Haja política de baixo nível para sustentar aparências.- Pegou mal também para o governo quando tratava da questão do trabalho do menor fora da escola o fato ocorrido em Colombo, onde não houve o repasse de cestas básicas. O calote é em todos os campos.- E os empresários, que estavam envolvidos no caso da fraude do ICMS, vão ficar impunes como se ignorassem o caráter criminoso das operações que os favorecia? Não esquecer que dos dois lados do balcão havia aliados do governo estadual: a gangue que está presa era composta por ex-chefes de zonais do PDT da campanha de Lerner de 1985, e os beneficiários aparecem entre financiadores de campanhas. Cada lugar em que se mexe há um vespeiro desses.-
FOLCLORE Quando o MDB elegeu seus quinze candidatos a deputados federais, o último foi o Samuel Rodrigues, apelidado simultaneamente de ‘‘Mr. Magoo’’ e de ‘‘Samuca’’. Era também ‘‘Adventista: advogado e dentista’’.
CROMO Se o menino era cego e apontou as estrelas por que as rugas?
AFORÍSTICO Pela composição do secretariado anunciada dá para imaginar mais uma sessão de tranca do pessoal do Richa e Aníbal Khury do que qualquer outra coisa.

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