Já se viu que o ônus maior para Fernando Henrique Cardoso no Paraná está no grupo não doutrinário que assumiu o PSDB e tomado por uma fúria de revanche contra Lerner não apenas por fatos passados da eleição de 94, mas também nas derrotas que sofreram nas eleições municipais, especialmente em Londrina. É o ônus porque em seu oportunismo se propõe a todas as alianças, desde o PMDB até o PT e nanicos de esquerda. Mas é também pelo uso imoderado de uma empresa pública, a Telepar, subsidiária de um sistema que está sob comando do Serjão, ponta de lança político do governo federal, já denunciado na imprensa nacional e capaz de render ações no Judiciário, o que acabaria afetando a imagem de FHC, cuja presença em inaugurações está sob exame do TSE.
A coleta de irregularidades que comprovam a instrumentação da Telepar a serviço da candidatura a governador de Álvaro Dias é enorme e testemunhada por repórteres do maior jornal do país, a ‘Folha de S.Paulo’. Transbordamento mesmo foi em Cascavel, onde o prefeito Salazar Barreiros o saudou como governador do Paraná para em seguida corrigir-se e apontá-lo como ‘‘futuro governador’’.
O PSDB está carunchado não pelas ações do presidente da República, mas as do grupo pragmático que o domina e que faz, claramente, da revanche e da retaliação, as suas armas de combate. É quase um pequeno partido e até essa circunstância recomendaria que tivesse candidato próprio para aumentar a sua representatividade em eleições proporcionais e posteriormente nas municipais, o que lhe conferiria capilaridade. Já na eleição anterior ficou evidente que o PSDB, embora aliado de Lerner, era fraquíssimo: a votação decepcionante de Hélio Duque para o Senado é uma dessas evidências que tentou reparar com uma representação, já derrotada na Justiça, para impugnar a vitória de Requião.
Dá para imaginar, no tom radical que a campanha nacional assumirá, o papel desintegrador que um PSDB como o do Paraná terá na contabilidade, mais onerando do que beneficiando FHC. Os tucanos da Bahia têm suas razões locais para ir até a ruptura e associar-se ao PT, isso por causa do feudo de ACM. Aqui, embora Lerner não seja um bom exemplo de cultuador de alianças, está visível que a dupla Lerner-FHC tem três vezes mais potencial do que a estabelecida com Álvaro Dias que, além do mais, com o seu proselitismo na Telepar, ajuda a motivar uma decisão do TSE contra os interesses de FHC na manutenção de suas viagens de proselitismo. É o tipo do aliado que dispensa adversários.
Enquanto ocorre tudo isso aqueles assessores, que espatifam sorvete na testa, insistem na aproximação entre Lerner e Álvaro Dias para acomodar o quadro na tentativa de liquidar tudo no primeiro turno e com todas as facilidades.
BIZARRICEO engenheiro Abraão Fucks, quando estava na Companhia Força e Luz, foi procurado por uma senhora que reclamava extensão da energia até o seu barraco. Depois de atendê-la ouviu o agradecimento, forrado de abraços e beijos, que ela se sentia confortada porque todo mundo despreza leprosos. Abraão foi ao bar da esquina e comprou um litro de álcool que aspergiu pelo corpo, ficando longo tempo no banheiro, enquanto o pessoal na fila sofria. Com o Carlos Nasser, candidato a deputado federal, houve algo parecido: ia receber todos os votos de uma região do Piquiri, quando soube que o sujeito que o abraçava a todo o instante era um hanseniano. O desespero do Naninho atrás de uma assepsia pode ter afastado os riscos imaginários, mas o derrotou, porque o medo da contaminação imaginada era mais forte do que o contágio eleitoral.
SPRAY Governo insiste que tirou 40 mil crianças de rua para a escola, mas a menina símbolo do trabalho no Norte do Paraná apareceu na Globo dizendo que tudo continua como estava.- Prova da incompetência dos marquetólogos, tão bajulados e remunerados, e que não enxergam a obviedade de que valeria investir no caso específico daquela família para continuar, como sempre faz, confundindo a árvore com a floresta: atende uma criança e afirma que o fez com todas.- Aliás, não dá para suportar os saques como essa estória dos 40 mil ou dos 400 mil empregos que Lerner teria criado. Mentira igual àquela da Cidade Industrial, para a qual se prometia 200 mil empregos, e que jamais chegaram a 40 mil.- Também o chutômetro funcionou sempre no caso dos bóias frias: dizia-se que eles eram 800 mil no Paraná, nos anos setenta, que virou axiomático sem qualquer comprovação objetiva.- Número que não deu para esconder foi o dos R$ 105 mi gastos em propaganda em 1996 pela gestão Lerner num momento em que faltava tudo no Paraná.- Muito consultada a página na Internet do deputado federal Paulo Bernardo, uma prova efetiva de inserção da informática a serviço da democracia, com o sistema de consultas sobre a legislação previdenciária.-
FOLCLORE Eliezer Batista, maior autoridade do Brasil em mercado de minérios, um dos consolidadores da Vale do Rio Doce, teve passagem frutuosa em Curitiba nos anos luminosos (40-50). Ficava na esquina da Oliveira Belo com Rua XV, cravo vermelho na lapela, e era uma atração nos jogos, nos agitos acadêmicos e até nas competições. Seu apelido era Bóris Bacana e atribuia-se a ele um feito excepcional: o de ter feito conferência em russo em Ponta Grossa.
AFORÍSTICO Controle social: depois do Carnaval, vem a decisão do Rio-São Paulo e em seguida a Copa. No meio as novelas da Globo. É mole?

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