Luiz Geraldo Mazza
O açodamento da tropa de choque, protetora do governador, é notório: qualquer nota que desagrade suas expectativas e é o suficiente para que comece a suar nas mãos, envolvida em distonia neurovegetativa. São eles que dão informações erradas (com o propósito claro de bajular o chefe) por temerem fazer o papel clássico dos mensageiros das más notícias que eram decapitados. Isso seria impossível, no caso de muitos, porque difícil lhes descobrir a cabeça, se é que existe, se é que funciona.
Alega-se hoje que Lerner é refém de toda a aliança partidária que o sustenta: do PFL ao PTB, passando por esse viscoso PPB. Quanto ao PTB, por exemplo, é notório que colocam Nelson Justus acima do presidente nacional da agremiação, senador Andrade Vieira, que nem é consultado, quando detém a candidatura nata para a reeleição. Por tratar mal seus aliados, Janene se valoriza nas negociações, ameaçando com aquela campanha pela tevê para ferrar o pedágio, e o PSDB deu aquela rasteira por ter sido condenado à planície. Pior é que delega poderes a pessoas jejunas em política, o que irrita a todos, como se dá nas missões de Giovani Gionédis, que deveria ocupar-se da Fazenda, para onde foi com a perspectiva, aliás impossível, de aumentar a arrecadação.
Refém mesmo é de Osvaldo Magalhães Santos, secretário de Esporte e Turismo, depois de haver afundado numa competição mal explicada, com sinais de grossa irregularidade, o caiaque da Leasing Banestado. O comandante da unidade, ao invés do afastamento pela gravidade das denúncias, que vão constituir-se numa das peças documentais da oposição na campanha eleitoral, acaba promovido e ainda comandando outra iniciativa, também cheia de suspeições, como os Jogos Mundiais da Natureza.
A rigor Lerner é refém das suas contradições, da sua ambivalência, do culto aos cupinchas que coloca acima da malha partidária, o que fica bem para quem detesta política e não se ajusta a quem a pratica, ainda que com má vontade e expressando diante dela um permanente ar de angústia em transição para a náusea. A maior parte dos gols marcados pelos adversários se deve a seus zagueiros e meio de campo. O pior que ele não é o Santos, dos tempos de Pelé, que tinha uma defesa capaz de tomar muitos gols e um ataque habilitado, a qualquer momento, a marcar o dobro dos tentos sofridos.
BIZARRICEOrlando Carlini, com seu mau humor habitual, contava ontem na Boca Maldita que a Renault, em sua matriz, está virando de estatal em empresa privada e que, em consequência disso, reverá seus projetos no exterior, embora no daqui ela só leve vantagem. E disse mais: não haverá empregos por aqui, já que uma centena de robôs se ocupará da operação. Segundo o Cândido Chagas, os robôs trarão um merchandising da campanha de Lerner para compensar.
SPRAYUma liminar estaria garantindo as operações com precatórios na Leasing Banestado, mas a direção do estabelecimento está dividida quanto a recorrer.- No meio da semana caiu do comando da Leasing seu dirigente Arley Mário Pinto Lara, que nada tem a ver com a origem dos negócios, todos do tempo de Osvaldo Santos.- Como Arley é parente de Algaci Túlio, o governador entrou em parafuso, como de costume, para não melindrar o vice-prefeito de Curitiba.- Uma pergunta: quando haverá um governo no Paraná que tirará o Banestado desses constrangimentos? O banco não é do partido no poder, nem do governante, muito menos dos servidores que o integram (que às vezes arrogantemente assim se postam), mas da sociedade e mormente de duas clientelas básicas e cativas, o servidor público e os que negociam com o poder (empreiteiros, fornecedores, prestadores de serviços), que respondem pela massa maior de recursos.- A saída de Arley Lara, determinada por ordem da Secretaria da Fazenda, foi cumprida pelo presidente Neco Garcia e que resistirá com seu estilo, direto e franco, a uma hipótese de reconsideração do ato que estava sendo gestada na tarde de ontem.- O assunto-chave, motivo de toda a pendência, é a operação com 500 automóveis, alguns deles em nome de ex-funcionários da hierarquia, já demitidos.- Governo vai ter que fazer acordo com advogados que ganharam no Tribunal de Justiça a queda do redutor. É a solução menos dura, já que com ela pode, ao menos, fazer acordo para que os litigantes abram mão dos seus atrasados em troca da imediata implantação em folha.
GLOSAColombo, depois das operações da Sanepar na exploração do karst, virou páteo de milagres: casas racham, tanques são sugados pelo solo, poços secam e, a qualquer momento, teremos gêisers e fijordes na região. É a transformação que a gente não faz e deixa por conta do governo.
FOLCLORE O bumbum da Carla Perez estava no seguro em R$ 2,3 milhões, que ela perdeu por falta de pagamento e agora rebolará no Carnaval a descoberto, isso é, sem garantia para a indenização de possível acidente na região glútea. Se vaidade e pretensão pudessem ser objeto de seguro, o time palaciano e alguns dos nossos empresários estariam feitos.
CROMO A ave símbolo do Paraná, a harpya, aquela que aparece no dístico oficial, já não pode procriar porque resíduos químicos deixam a casca dos ovos vulneráis à própria garra do animal. Em cativeiro até hoje não deu resultado e ela está, majestosa, com aquele ar de combatente, no zoológico.
AFORÍSTICOTudo se torna travestido no Carnaval: Curitiba se esvazia tanto, cai de tal forma o número de automóveis em circulação, que dá impressão de que a cidade imaginada por Lerner, esgotada nos anos setenta, ainda existe.





