Luiz Geraldo Mazza
Talvez a Fukuyama, a luta de classes, tenha desaparecido com o fim do Muro de Berlim, tido também, precipitadamente, como fecho da história. Claro que a modernidade gerou obstáculos para a sua manifestação e um deles está na organização que criou mediadores através dos tempos entre o trabalhador e o patronato, mesmo nas relações delegadas e coletivas intersindicais.
Nossos sindicalistas sofrem de deformação que vem do patriarcado getulista, em que não apenas as leis extraídas da Carta de Lavoro mussolinista, mas o convívio com pelegos distorcem tudo. Dá a impressão que nas manifestações os trabalhadores querem a compreensão e a pena, a piedade enfim, da sociedade, e não o reconhecimento de justiça. Até petroleiros, que são uma vanguarda, tentaram na queda de braços, em que foram esmagados por FHC, a mediação dos políticos que sempre operaram em defesa da Petrobrás, Banco do Brasil etc, verdadeiras castas em relação ao resto do funcionalismo e da sociedade. O pior é que insistiam em sugerir que as concessões (como as dos fundos de pensão que recebem do órgão três vezes a contribuição que cada segurado paga) eram conquista da categoria e não aberta concessão.
Os professores universitários da Federal se declaram em estado de greve numa assembléia em que havia apenas cem dos milhares da categoria. Estão há três anos sem qualquer aumento e já perceberam que o governo não os aumentará. Se se acham coagidos e injustiçados, têm que partir para a greve e não ficar na esperança de que só as ameaças são eficazes. Como os colonos americanos dependiam do exército para liquidar com o cerco dos índios, não podem os professores aguardar essa providência de mediadores para ganhar a parada quando sabem que não há grana e que a Universidade é apenas uma instituição a mais no processo de sucateamento e desmonte.
Raciocínio é simples: se aguentaram três anos é porque o lombo é generoso para vigorosas chibatadas. Os escravos, por esperarem, tiveram a abolição das mais tardias do mundo; os determinados fizeram a guerrilha possível acantonados nos quilombos que consagraram Zumbi. Discursar é fácil e daí para a radicalização, um passo. Aliás o exemplo de Zumbi é típico da tendência brasileira: o derrotado é a referência, tanto no caso dele como no de 64, agora com o detalhe de que as vítimas se habilitam a recompensas, variação extrema do patriarcalismo.
Agora o mundo mudou e o desafio está lançado. Se os sindicatos continuarem sem respostas, eficazes, serão esvaziados até por força da necessidade dos trabalhadores de valer-se daquilo que é gasto em mensalidades e em taxas como essa tal de contribuição confederativa. Acabou, portanto, o discurso da luta de classes. É hora de praticá-la, antes que tirem o resto e que, em nome da rentabilidade capitalista, reinstauremos a neo-escravidão.
Um exemplo bem à nossa frente: Lerner cortou as consignações em folha da APP e o professorado pretende manter a luta com apelo ao melodramatismo, tentando dar resposta político-eleitoral. Não será suficiente, mas o ato autoritário tem uma vantagem para a dinâmica social: testa a APP, e a forma que ela agir, para contornar a difícil situação, se mostrará moderna ou então capitulará.
Pode-se fazer o mesmo com os demais sindicatos: estes não estão com essa bola toda para esperar uma rebelião da categoria. Uma situação difícil que não se soluciona com saídas como essa da CUT que convoca para um Carnaval que balance e derrube FHC, o que não passa de alegoria e não de luta efetiva.
O fascismo deixou de ser um estado de espírito: a dureza da conjuntura pede algo antes que se proclame a escravidão como no samba do crioulo doido.
BIZARRICE Expedito Rocha foi apanhado pelos militares nos anos de chumbo quando tomava banho pelado em Mato Grosso. Pediu que o pessoal baixasse as armas pesadas, pois ele não tinha como enfrentá-los e como fugir. Baixaram as armas, como ele também, já que não havia alternativa.
SPRAY Pesquisa do Instituto Canadá mostra que Álvaro Dias tem 35,6% contra 30,2% de Lerner e 15,8% de Requião em Londrina. Tão possível quanto acreditar que Álvaro faz 25% em Curitiba e que supera Requião.- Empresas locais, de um modo geral, não têm a credibilidade das nacionais, mas acabam servindo para proselitismo. Lerneristas divulgaram essa.- Mestres iriam hoje fazer pressão em cima do secretário de Educação com delegações do interior para discutir o fim do bloqueio às consignações da APP. Como a Secretaria soube, transferiu o encontro. Com um detalhe: o prédio principal está sendo desinsetizado e não dá para penetrá-lo nem com máscara contra gases ou carnavalesca.- Escola de Polícia está dando cursos de inglês e espanhol das terças às quintas-feiras a policiais civís. Há 235 inscritos.- Deputados estaduais quanto federais do PPB (exceção do Janene e outros desse alinhamento) estrilaram e não concordam com a idéia de combater o pedágio, pois suas bases eleitorais são beneficiadas pelo Anel de Integração. Vai-se o anel e fica o dedo acusador.-
FOLCLORE Pontal do Paraná verificou que a firma que mediu imóveis para cálculo do IPTU não respeitou sequer casa de cachorro. Contribuinte foi quem latiu e contra o excesso da mordida está sendo feita a nova medição.
CROMO A criança não descobre a eternidade na trajetóriade uma bolha de sabão.
AFORÍSTICO O que é pior? Cortar a consignação da APP ou o salário? É guerra.





