Há um exagero quando se diz que a imprensa (os meios de comunicação em geral) é o quarto poder. Aqui, entre nós, ele é dominantemente ‘‘chapa branca’’ e de certa forma em todo o Brasil, ainda que a situação se altere nas megalópoles nas quais a iniciativa privada pode sustentar os veículos via anúncios em função das sociedades complexas e da competição. Mesmo assim o poder estatal é visível na clientela.
Mas também é exagero afirmar que o quarto poder, em função da Constituição de 1988, é o Ministério Público. Alçado à condição de ‘ombudsman’ ou ouvidor da sociedade, e por força de nossa imaturidade política, já que tal papel deveria ser exercido pela própria sociedade, através de canais que criaria levando-nos à poliarquia. O diagrama de Montesquieu, da divisão tripartite dos poderes formalmente se mantém (FHC, ACM e Aníbal Khury aqui no Paraná o desmontam diariamente), porém o raio de autonomia do Ministério Público se ampliou consideravelmente. A eleição da hierarquia dirigente, através de lista tríplice, é decorrência natural do rompimento dos diques da fase militar.
Abramos um parênteses. Caímos, aliás, num exagerado eleitoralismo, como essa idiotice de eleições diretas nas escolas que ajudaram a afundar a Universidade com a montagem de consulados, de condomínios de poder. Continuássemos nessa linha chegaríamos à eleição do Ministro da Guerra pela massa engajada, inclusive os praças de pré, tudo reproduzindo o assembleísmo da UNE e congêneres. Mil vezes pior do que o colégio seletivo do regime militar que se admitisse o voto de majores, teria a linha dura no poder com o general Albuquerque Lima, arauto do nasserismo, nacionalismo à esquerda, cortando a sucessão de generais como Costa e Silva e Médice.
Todo esse papo vem a propósito da eleição do Ministério Público. Em São Paulo ela se desdobra em vários dias e é olhado como um campo da própria sucessão: Mário Covas tem um candidato na figura do procurador Marrey contra três chapas de gente ligada a Quércia e Fleury (os que desmontaram São Paulo), este último membro da corporação. Aqui não há tantas implicações, mas o fato de terem colocado o Edson Vidal, ex-secretário de Justiça, como ‘‘chapa branca’’ acabou queimando-o quando se tratava de um dos mais habilitados ao exercício equilibrado da função. Ficou em quarto e, portanto, fora da lista. A Lerner parece não haver alternativa se não a de referendar, até por essa decisão, o primeiro da lista, Gilberto Giacóia, com o que homenagearia a instituição e estimularia o exercício da autonomia, o quanto mais amplo possível. Se nomear o que aparece em segundo, que é irmão do seu chefe da Casa Militar, sujeita-se a interpretações perniciosas, ainda que se trate de prerrogativa sua.
BIZARRICE ‘‘Vai que é mole’’ - dizem os gênios que assessoram Lerner na tomada de decisões políticas. Assim se deu com a entrada no PSDB e agora com a derrota de Edson Vidal no Ministério Público. Anteontem Lerner insistia que FHC pode convencer Álvaro Dias a disputar o Senado. ‘‘Vai que é mole’’, que de repente até a reeleição, que parece fácil, ‘‘dança’’ gloriosamente.
SPRAY Perla Melcherts, coleguinha jornalista, teve sua casa assaltada. Ao perceber, ligou para a perícia e foi informada que a repartição estava ‘‘falida’’, razão pela qual não a atenderiam.- Botou, indignada, a boca no trombone e mandou um ofício relatando o fato à Furtos e Roubos.- No ofício, requer a perícia para prevenir responsabilidade do Estado. Tocou no bolso, eles se mexem.- Isso deve ser parte do esquema reivindicatório do setor que está com salários defasados. Só falta, em função disso, nos condenarem a vivermos a experiência do ‘‘Incidente em Antares’’, aquela dos cadáveres insepultos que aqui se justificaria no baixo salário dos peritos.- 20,73% dos contribuintes de Campo Mourão pagaram até o dia 30 com desconto de 15%. Os que pagarem até 27 deste mês terão ainda 10% de desconto. Bem mais confortável que em Curitiba, onde o desconto foi de 7%.- Aqui os anúncios bem feitinhos estão convencendo os contribuintes na base da lavagem cerebral.- Há cidades da Região Metropolitana como Pinhais que taxam casas até de 2 metros quadrados. Em Campo Mourão imóveis com área construída inferior a 50 metros quadrados nada pagam.- Brochante é saber que a embalagem das camisinhas do Ministério da Saúde, de responsabilidade da Clichepar, levava pedaços de papelão em lugar dos preservativos. É um papelão na redundância.- Agora a Master, agência de propaganda, tenta sugerir que o ‘‘engano’’ se deu no trabalho dos presos que colocavam as camisinhas no porta preservativo. Um delega pro outro e onde fica a responsabilidade da Clichepar que deveria fazer a checagem?- Hélio Queiroz, prefeito de Pontal do Paraná, entrou no PTB e na ala lernista.- Conta com 20 dias no Banco Excel teve que pagar taxa de revisão de cadastro. Pode?-
FOLCLORE Palmeira é a cidade do inusitado: lá o filme ‘‘E o vento levou’’, por deficiências da aparelhagem, passou como novela, décadas atrás. Até rebobinar cada rolo de filme, uma pausa. Agora a Usina de Reciclagem do Lixo está dando margem a comissão de inquérito com troca pesada de acusações. O andamento pelo jeito vai ser igual ao de ‘‘E o vento levou’’. Se a usina não for colocada em funcionamento, como se espera este ano, pode-se dizer ‘‘o evento levou’’.
CROMO Árvore e floresta: o governo diz que tirou 40 mil meninos de rua e os levou à escola. Será que esses milhares, sujinhos e adultos precoces, que permanecem cheirando cola ou tomando banho em repuxos, são um só menino que se repete aos meus olhos, tentando me comover?
AFORÍSTICO Inadimplente com os governos não deveria ter acesso à licitação pública. A realidade é justamente o contrário: os que mais devem, mais ousam.

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